GUILLERMO DEL TORO

Por: José Antonio Pereira

Roteirista-diretor-produtor de O Labirinto do Fauno, ele é mexicano e diz ter ouvido muitos relatos de refugiados que vieram da Guerra Espanhola para o México, ainda crianças. Faz a seguinte afirmação:


“para mim o fascismo é a representação do maior horror e é, neste sentido, um conceito ideal para contar um conto de fadas dirigido aos adultos. Porque o fascismo é a primeira e a maior perversão da inocência e, por conseguinte, da infância.”


O “conto de fadas adulto” gira em torno de medos primordiais (nascer, desenvolver-se, morrer, o cuidado e a perda de quem se ama, o sentimento humano universal de desamparo existencial). As imagens significativas, belas e terríveis, ressoam em nossa imaginação, em íntima relação com a criança que ainda somos, em qualquer idade.


Foram construídos cenários elaborados já que GDT acredita ser o cenário elemento importante na criação cinematográfica, muito mais do que as locações ou os recursos digitais.


O filme é de 2006, e mostra a sensibilidade gótica do diretor, cujas maiores influências vêm das pinturas e ilustrações de contos de fadas. Aproxima imagens do mundo de Vidal e dos personagens do mundo subterrâneo, como, p.e., a pele do Sapo Gigante e os guarda-chuvas dos convidados para o jantar do padrasto de Ofélia. Os personagens saíram da imaginação do diretor - o Homem Pálido, o ogro, e o Sapo Gigante. GDT acredita que a ideologia é o primeiro engodo e a maior prisão da humanidade.

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