27 de junho de 2019

Francal 2015

Instituto prevê dois anos de ‘deserto’

O Brasil produziu 877 milhões de pares de calçados no ano passado. O número apresentou um recuo de 2,5% em relação a 2013. A estimativa

Francal 2015 08/07/2015 - Repórter: Edson Arantes
Foto de: William Borges/Comércio da Franca
Marcelo Villin Prado, diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industriais, durante apresentação de relatório, ontem, na Francal
O Brasil produziu 877 milhões de pares de calçados no ano passado. O número apresentou um recuo de 2,5% em relação a 2013. A estimativa é de que o volume de produção volte a cair em torno de 0,3% este ano. O varejo projeta uma pequena queda ou estagnação das vendas por conta da retração do mercado interno. Já as exportações, que ainda não reagiram ao novo câmbio, devem fechar o ano com um desempenho negativo em torno de 6,4%. Os números fazem parte do relatório setorial da indústria de calçados, divulgado ontem na Francal, e que tem o objetivo de garantir aos associados acesso aos mais importantes indicadores do setor. 
 
“Vamos ter dois anos de deserto. Não vai ter crescimento. O ano não vai ser fácil. As empresas devem enfrentar este deserto sem destruir as oportunidades de voltar a crescer em 2017”. A análise realista do atual cenário foi feita por Marcelo Villin Prado, diretor do IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industriais), responsável pela elaboração do relatório setorial a ser distribuído a quase três mil calçadistas de todo o País. Apoiado pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), o estudo apresenta um conjunto de indicadores e análise de mercado para identificar as melhores oportunidades de buscar o crescimento. “Existe a consciência clara que estamos de, fato, num período da recessão e ela deve durar dois anos. Isto a gente chama de deserto, ou seja, período em que o mercado não vai te ajudar a crescer, não vai te entregar crescimento, não vai te entregar demanda”.
 
Segundo o especialista, a responsabilidade do crescimento sairá do mercado e passará para a mão das empresas que vão ter que fazer um esforço muito maior para manter seus programas de expansão. “As empresas que serão mais bem sucedidas neste período mais difícil do mercado são aquelas que conseguirem se diferenciar, se inovar, renovar, se reinventar num mercado bem competitivo que vamos ter nos próximos anos. Não tem como não sair da zona de conforto se almeja obter crescimento, lucratividade. Na crise, o que se vende é o novo, mais do mesmo não vai vender, vai vender mais barato e não vai dar lucro”. 
 
Marcelo Prado explica que os números do setor são negativos por conta do não crescimento do consumo interno. “O consumo interno continuará com anos difíceis mais um ou dois anos. Este crescimento, se houver, será muito pequeno e não será para todos”. 
 
Ele é mais otimista ao avaliar o futuro das exportações. A valorização do dólar, incentivos do governo e medidas pontuais da Abicalçados para ganhar mercados no exterior são apostas para reverter o cenário atual de queda. “É possível imaginar que nos próximos meses a gente vá ver uma reversão desta curva, que hoje é negativa, para uma curva positiva. Vamos ter uma elevação das exportações, o que poderá ser um fator de contribuição para poder aumentar a produção no Brasil”.
 
Heitor Klein, presidente da Abicalçados, avalia que as empresas que souberem inovar para enfrentar a crise vão conseguir resultados satisfatórios mesmo com o mercado retraído. “Em uma situação como essa, alguns se dedicam a chorar e outros se dedicam a vender os lenços. Esses que vendem os lenços, certamente, terão um crescimento mesmo numa situação que, no geral, será de estabilidade”.


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