16 de junho de 2019

Francal 2015

‘Temos que buscar alternativas’

Luiza Helena Trajano é uma das mulheres mais poderosas do Brasil segundo lista da revista Forbes. Presidente do grupo Magazine Luiza

Francal 2015 08/07/2015 - Repórter: Edson Arantes
Foto de: William Borges/Comércio da Franca
Luiza Helena Trajano proferiu palestra no Fórum Moda e Marketing Francal na terça-feira, 7
Luiza Helena Trajano é uma das mulheres mais poderosas do Brasil segundo lista da revista Forbes. Presidente do grupo Magazine Luiza, ela acaba de ser indicada pela presidente Dilma Rousseff (PT) para assumir o comando da Autoridade Pública Olímpica, mais alto conselho decisório sobre a organização das Olimpíadas de 2016. É considerada uma das pessoas que mais conhecem o projeto olímpico do País. A empresária foi a atração de ontem no Fórum Moda & Marketing Francal. A palestra que fez, sobre os desafios do varejo para se adaptar ao atual cenário macroeconômico, reuniu centenas de pessoas na praça de eventos da feira. Foi aplaudida de pé. 
 
Após a palestra, Luiza Helena visitou a redação do GCN, onde concedeu entrevista aos jornalistas Corrêa Neves Júnior e Leandro Vaz. A empresária falou sobre os desafios para superar a crise e contou sobre sua ligação com as Olimpíadas.
 
A senhora não se cansa do assédio? 
Isso, não. Quando você é uma vendedora, você tem que fazer o que seu cliente quer. Quando estou dando uma palestra, meu cliente é o público. Quando você é vendedora, você amadurece muito porque aprende a trocar de papel e se colocar no lugar das pessoas. Acho que o que o pessoal mais admira em mim é a paixão que tenho pelo Brasil, por São Paulo, por Franca. Eu não tenho partido político, eu tenho o Brasil. O Brasil é nosso, não é dos políticos. O que eu puder fazer para o desenvolvimento do Brasil, do de Franca, eu faço. Agora estou trazendo a tocha olímpica para Franca. Franca tem cinco atletas que disputaram as Olimpíadas. Acho que não tem uma cidade do Brasil que tenha cinco atletas que nasceram na cidade. Se a gente não lutar, Franca fica para trás.
 
A senhora diz que, apesar dos problemas que o Brasil enfrenta, é preciso focar no otimismo para vencer as dificuldades... 
Nem gosto falar otimismo. Acho que qualquer empreendedor cresceu na crise. A primeira coisa é ter que enfrentar que a crise existe. Não pode negar. Quando saímos das crises anteriores, fiz um trabalho na empresa para mostrar que o Magazine, que o Brasil não estavam em crise. Quando a gente já estava se acostumando, voltou a crise novamente. Gostaria que não tivesse crise, mas acho que temos que buscar alternativas. Vamos parar de reclamar e assumir. O que as pessoas mais gostam em minhas palestras é que eu não reclamo, eu busco as alternativas. Mesmo com a situação adversa, faturamos R$ 12 bilhões no ano passado. A gente nunca nega que a crise existe. Este é o momento de fazermos uma coisa que eu gosto muito: fazer mais, com menos. É preciso se unir com sua equipe, com seus parceiros que fazem acontecer. Tenho feito este trabalho de mais com menos e é impressionante. Você poder chegar no fornecedor, principalmente, de matéria prima, e falar: “Você abaixa 20% senão eu não te compro mais. Vamos juntos trabalhar para superar este momento”. Neste momento, mais do que nunca, temos que tirar as pessoas que não estão produzindo. A equipe que não produzir, não pode ficar na empresa. 
 
A senhora disse que a presidente Dilma Rousseff tem dificuldade em se comunicar, mas que tem feitos coisas boas. O que ressalta de positivo no governo? 
Não tenho partido, não tenho pretensão nenhuma. O que eu quero é ajudar Franca e o nosso País. Não quero ter razão, quero ser feliz. Conheço algumas coisas da presidente, sei que ela é uma pessoa que trabalha demais, honesta, mas que tem dificuldade em comunicar o que vem fazendo. Ela fez um belo trabalho na parte de educação e está deixando vir à tona, também, tudo o que precisa. Agora está enfraquecida e o jogo político é muito pesado. Quando você está enfraquecido, todo mundo só vê o negativo e fica pior. Eu acho que desestabilizar o País neste momento é ruim. Teremos eleições daqui a três anos e as urnas vão falar. Temos que respeitar a democracia. Sou uma brasileira apaixonada pelo nosso País e vou fazer o possível para ajudar, tanto a presidente, quanto o governador Geraldo Alckmin ou governador de outro Estado. 
 
Qual trabalho vai desenvolver como Autoridade Pública Olímpica? 
Há três anos, existe o Comitê Rio 2016, que é uma empresa que organiza as Olimpíadas. Não tem nada a ver com o COI (Comitê Olímpico Internacional), que organiza o esporte. O presidente do COI veio a São Paulo, ele queria uma mulher no conselho, e me convidou. Como é uma coisa de gestão, que entendo, comecei, uma vez por mês, voluntariamente, a participar e me apaixonei ao ver o que uma Olimpíada traz para o País. Vamos ter uma visibilidade de 400 milhões no mundo inteiro. Estão inscritos 209 países, 15 mil atletas vão chegar no Rio de Janeiro. A Autoridade Olímpica une e coordena os governos federal, estadual e municipal. Não tenho verba, não tenho nada. Serei uma coordenadora, que vai ver o que está andando e o que não está andando e vou cobrar os envolvidos.
 
A senhora acredita que vamos nos orgulhar das Olimpíadas? 
Me preocupo com a segurança, mas se conseguimos dar segurança durante a Copa, que foi disputada em vários lugares do País, imagina só no Rio de Janeiro. Se Deus quiser, vai dar tudo certo. A abertura será a coisa mais linda.


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