27 de junho de 2019

Francal 2015

‘É preciso ter uma marca forte’, destaca donos da Ferriceli

No começo da década de 90, a exemplo do que acontecia com milhares de outros jovens, os irmãos Fernando, Fabrício e Fabiano Parra

Francal 2015 09/07/2015 - Repórter: Edson Arantes
Foto de: William Borges/Comércio da Franca
Os irmãos Fernando e Fabrício Parra apresentam a coleção Verão 2016 da Ferricelli na Francal
No começo da década de 90, a exemplo do que acontecia com milhares de outros jovens, os irmãos Fernando, Fabrício e Fabiano Parra passavam os dias ralando no chão de fábricas de sapato em Franca. Gostavam da profissão, mas sonhavam em deixar de ser empregados. Resolveram vender um carro e aplicaram o dinheiro em um negócio próprio.
 
O começo foi modesto. Produziam uma dúzia de pares por dia na garagem de casa. Com o passar dos anos, a fabriqueta cresceu e deu origem à calçados Ferricelli. Atualmente, são 250 funcionários e uma produção diária de 2,5 mil pares de sapatos esportivos e casuais voltados para o público jovem. A empresa comandada pelos três irmãos completou 20 anos em março e foi um dos destaques da Francal. Conseguiu atrair grande público, principalmente, na terça-feira, quando recebeu o modelo Jesus Luz, que se tornou famoso por ter namorado superstar Madonna.
 
Na tarde de ontem, entre um cliente e outro, Fernando e Fabrício receberam o Comércio para contar a história da empresa.
 
Como nasceu a Ferricelli? 
Fernando: A empresa surgiu em março de 1995. Foi criada por três irmãos, todos oriundos da indústria calçadista mesmo. Eu trabalhava na parte administrativa de uma empresa, uma fábrica de um tio nosso, calçados Parra à época, o Fabrício também trabalhava nesta empresa no setor de produção, como cortador. Já o Fabiano era cronometrista em outra empresa. Eu e o Fabiano decidimos começar o negócio. A gente vendeu um carro e começou a produzir na garagem de casa. Fazíamos 12 pares por dia.
 
Passaram a se dedicar exclusivamente à fábrica desde o início? 
Fernando: Segui na fábrica e o Fabiano tornou-se vendedor de couro. O negócio dele começou a dar certo. Daí o Fabrício resolveu sair da empresa e montamos uma loja de couro. Fiquei na fábrica, mas a loja estava dando mais certo. Em seguida, a situação se inverteu. A fábrica começou a engrenar e teve que aumentar a sua produção. Foi quando decidimos vender a loja de couro e os três irmãos passaram a se dedicar exclusivamente à fábrica. Foi uma decisão acertada. No último mês de março, completamos 20 anos de atuação no mercado e, felizmente, vem dando tudo certo.
 
No começo, eram produzidos 12 pares por dia e apenas os três irmãos trabalhando na garagem de casa. Como é a realidade atual da Ferricelli? 
Fabrício: A empresa foi evoluindo bem ao longo dos anos e conseguiu se solidificar. Hoje, estamos produzindo 2,5 mil pares por dia. Nós temos 250 funcionários. Temos prédio próprio em uma área muito boa, grande, na saída de Franca para Ibiraci (MG).
 
Como é a relação dos três irmãos no comando da empresa? 
Fabrício: A gente combina bem, temos muito diálogo e sempre conversamos. Acredito que a nossa boa relação é um dos fatores do sucesso da empresa. Nunca brigamos. Decidimos as coisas juntos, trocamos ideias. Às vezes, um tem opinião contrária, mas respeita a posição do outro. Sempre decidimos pelo que é melhor. 
 
A Ferricelli expõe há quanto tempo na Francal? 
Fernando: Estamos na Francal há seis anos. Começamos a expor primeiro na Couromoda há cerca de 15 anos. Na primeira feira que fizemos, participamos do estande coletivo apoiado pelo Sebrae. Depois, começamos a caminhar com nossas próprias pernas. Tem sido uma experiência bastante positiva.
 
A empresa vem para a feira para mostrar o produto ou para vender mesmo? Qual é o foco principal? 
Fernando: O objetivo principal é estar presente. A gente encara a participação na feira como uma grande oportunidade de fazer marketing. A feira recebe compradores de, praticamente, todo o País. Estar presente é importante para mostrar e fixar nossa marca. Desde o começo, tivemos a ideia e a preocupação de investir bem na marca. Hoje, ainda mais em Franca, é fácil de se fazer um produto legal, mas para se sobressair e permanecer no mercado, é preciso ter uma marca forte. A feira, também, é um momento legal, que funciona como uma termômetro: a gente aproveita para colher informações e verificar se acertamos ou não na coleção. Durante o evento, temos a certeza se estamos no caminho certo e se podemos ir para a rua colher pedidos.
 
Antes da feira, o clima era de muito pessimismo por conta da crise econômica. A Francal ajudou? Qual balanço vocês fazem da feira? 
Fabrício: Acho que ficou bem dentro do que a gente imaginava mesmo. Num momento como este, você conseguir manter o desempenho do ano passado já é um grande feito. Ficamos mais ou menos na média. O mercado, realmente, está retraído. Isto, é verdade, mas estamos trabalhando para superar este momento. Esperamos que o segundo semestre seja melhor. Conversamos com muitos lojistas e eles têm falado que a situação vai melhorar. Temos que estar otimistas.
 
A presença do modelo e DJ Jesus Luz no estande da Ferricelli foi positiva? 
Fernando: O retorno foi positivo. Ele é um cara jovem que combina com a nossa marca. Produzimos calçados esportivos para jovens. Combinou bem. 


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