06/12/2018 - Reportagem de Denise Silva

Caso Manchinha: maus tratos também são rotina em Franca

Foto de: Comércio da Franca

Agredido a pauladas e envenenado no estacionamento do Carrefour de Osasco, a história do cachorro Manchinha gerou revolta na internet. Celebridades e anônimos se uniram depois de imagens do animal, que acabou morrendo, serem divulgadas por protetores de animais em diferentes redes sociais (para entender mais, clique aqui).
 
Mas o trágico caso de Manchinha não é uma realidade distante e reflete a rotina dos protetores de animais aqui de Franca mesmo. Cães, gatos, cavalos, que ficam doentes e são abandonados, outros atropelados no trânsito e acabam passando dias à espera do fim ou até aqueles que têm donos, mas vivem amarrados, em um ambiente precário e sem alimentação decente. “Muita gente acha que maus tratos é só bater, mas abrir mão dos cuidados, do ambiente, da alimentação, da saúde também é maltratar”, explica Marcos Scooby, que trabalha com transporte de animais doentes ou acidentados e é um ativista da causa.
 
Não existem números oficiais sobre a quantidade de animais que sofrem algum tipo de maus tratos em Franca. Procurada, a Polícia Ambiental se comprometeu a atender a reportagem hoje para detalhar como é seu trabalho. O Canil Municipal também. 
 
No entanto, a médica veterinária Sabrina Manzoli, especializada em felinos, relata uma triste realidade. “Depende muito da época do ano. Em outubro/novembro temos muitos casos de filhotes abandonados com parvovirose. Em tempos de festas ou feriados sobem o número de atropelamentos”, disse ela, que acredita que ao menos três denúncias de animais abandonados com algum tipo de maltrato aconteçam todos os dias em Franca. Ou seja, seriam 84 casos por mês.
 
Há crueldade de todo tipo. “Esta semana encontrei um gato com os tendões dos calcanhares cortados, os dois olhos furados e amarrado”, disse Sabrina. Felizmente, o gatinho recebeu atendimento e está sob os cuidados da protetora Gisele Bertoni e passa bem. Gisele, que cuida de cerca de 20 animais, alguns em casa e outros que são cuidados por comunidades, também não precisa pensar muito para se lembrar das piores histórias. “Pauladas, chutes. Gente que atropela de propósito. Os próprios donos que não dão alimentação, deixam o animal em ambiente insalubre...”, conta.
 
Como resolver este problema? Para Marcos Scooby, a solução é a conscientização das pessoas. Muitas pessoas gostam, mas não têm condição de cuidar. Ainda assim, arrumam. Aí o animal fica doente e não tem como oferecer um tratamento. A falta de consciência é o maior problema hoje. Não digo que iria acabar, mas iria diminuir maus tratos, intencional ou não. Quando a sociedade tiver mais informações, que existem leis, que existe punição, tudo vai melhorar.”
 
Mas se você pensou que esta matéria foi feita para deixar você, caro leitor, deprimido, se engana! Bons exemplos também existem. Histórias incríveis, de pessoas de bem - além dos protetores dos animais que vivem dedicados à causa, claro -, gente comum que no seu dia-a-dia encontra espaço para cuidar e transformar vidas de animais abandonados. Como o Jairo, do hotel JP, o casal de aposentados Benedita e José; e a Marcella, que trabalha como administradora. Eles são os “pais” da Pretinha, da Fifi e do Chico. Animais que um dia foram abandonados, mas que tiveram a sorte de encontrar um bom coração pelo caminho. 
 
FIFI
A Fifi é daqueles cães que vieram ao mundo para passar por provações. Vivendo na rua, ela ainda era uma ‘adolescente‘ quando teve filhotes em um buraco de um terreno baldio no Aeroporto. Vendo a cena, duas vizinhas se uniram e decidiram ajudar. Seus filhotes foram doados, Fifi recebeu atendimento veterinário e passou a viver pela rua. Quando uma de suas protetoras precisou se mudar, ela se viu novamente exposta à dureza da rua: em um dia qualquer, um dos vizinhos a atraiu com comida para dar uma paulada em Fifi. Foi a gota d’água para a aposentada Benedita Rosária de Souza. “Coloquei ela pra dentro de casa”, lembra a Dona Dita. Fifi ganhou uma família - inclusive uma irmã, a Formiguinha, que é um pouco ciumenta, é verdade. Mas o drama dela ainda não tinha terminado. Há alguns meses, ela foi diagnosticada com um tumor nas costas. Um tratamento muito caro para o casal de aposentados, mas a solidariedade de amigos, protetores e estudantes de veterinária ajudaram a salvar a vida de Fifi mais uma vez. Depois de um mês internada ela voltou pra casa ontem e até ganhou uma caminha nova. “Ela é um grande companheira”, conta o marido da Dona Dita, José Paulo de Souza.



A irmã da Fifi, a Formiguinha
 
 

Fifi ferida antes de ser adotada por sua nova família 
 
 
PRETINHA
A pretinha é uma lady. Com seus pêlos sedosos, seu lenço no pescoço e cheia de charme, ela desfila diariamente pela recepção do Hotel JP em Franca. Antes de se tornar recepcionista e uma verdadeira celebridade entre os hóspedes do hotel, a vida de Pretinha não foi fácil. Abandonada grávida e com sinais de maus tratos na região da Avenida Paulo IV há três anos, foi preciso muita paciência do proprietário do hotel, Jairo de Paulo Galdiano conseguir a confiança de Pretinha. ‘Fui devagar, oferecendo comida. Ela era arisca, mas depois confiou‘, conta ele que conseguiu doar os quatro filhotes de Pretinha e depois mandar ela para castração. “Hoje ela faz parte de mim”, diz emocionado. Agora, ela toma banho toda semana e faz questão de passear pelo hotel lado a lado com Jairo. “Quando estou aqui ela quer mostrar serviço para mim‘, brinca ele. ‘Quando faço alguma viagem, fico alguns dias e fora e chego ela fica maluca.” Entre os hóspedes, ela é puro sucesso. “Gostei muito do hotel, atendimento excelente, quartos grande e bem arrumado; café da manhã bem servido! Mas o encanto do hotel é uma cachorrinha linda!!! A Pretinha amei!”, comentou Cris Sprengel dia 18 de outubro no Facebook do JP.

Pretinha no Hotel JP

 

Pretinha com o recepcionista Leandro Bueno

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