27 de junho de 2019

Culinária

Biscoitos artesanais para deliciar as festas de Natal

Modelados à mão e não por máquinas, os biscoitos exalam aroma de laranja.

Culinária 16/12/2018 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Natalinos - Modelados à mão e não por máquinas, os biscoitos da foto são amanteigados, exalam aroma de laranja, e guarnecidos por frutas revelam um quê de alegria infantil em vésperas de Natal
Só loucos atiram geleia aos porcos
Ditado francês
 
 
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico

 

Quando vamos ao supermercado e adentramos um corredor comprido onde as prateleiras estão cheinhas de biscoitos de todos os tipos, nem paramos para imaginar como é antiga a história desse alimento hoje altamente industrializado, geralmente sobrecarregado com corantes e aromatizantes, todos cortados do mesmo tamanho por máquinas especiais e colocados por outras em pacotes com logos.

 Nada contra, mas dentro do espírito do Natal, que a essa altura começa a tomar conta de todos, que tal reunir as crianças da família, ou convocar aquela que mora dentro de você, para fazer com as próprias mãos estes biscoitinhos da foto? São saborosos, porque amanteigados, perfumados com raspas de laranja (ou de limão, gotas de baunilha, pitada de canela, você decide...) e no final decorados com frutas secas.

A massa? Muito fácil de fazer e gostosa de sovar- sem força, com delicadeza, como se fosse uma brincadeira. Basta misturar os ingredientes, colocar a mão para integrar tudo, e depois moldar um rolinho e cortar as rodelas. A receita original é da Rita Lobo, que a chama “Biscoito 1,2,3”. O nome tem a ver com as medidas: 100 gramas de açúcar, 200 gramas de manteiga, 300 gramas de farinha de trigo. Como nem todo mundo possui balança na cozinha, convertemos os gramas em xícaras, mantendo apenas a unidade de medida para a manteiga, fácil de avaliar, pois corresponde a um tablete. No livro Panelinha- Receitas que funcionam, e no site homônimo, os biscoitos não levam raspas de cítricos nem são decorados com frutas secas. Mas sendo Natal vale muito a pena enriquecê-los! Ficam bonitos, não há quem resista a eles num café da tarde, quando se recebem amigas para aquele balanço de fim de ano.

Quem chegou até aqui e costuma acompanhar o que escrevo sobre culinária, deve estar pensando se vou falar da origem dos biscoitos... Pois vou! O berço deles é o Egito. Por causa das enchentes, e das cheias do Nilo, rio-mãe daquele povo, as terras das margens ficavam produtivas e propícias às plantações de trigo, fonte principal de alimentação. Os primeiros alimentos a serem produzidos com grãos de trigo triturados a pedra foram os pães, por longo tempo muito rústicos, até que alguém criativo acrescentou ervas à massa grosseira. Os biscoitos vieram muito depois, numa evolução de pequenos pães que mãos de artistas primitivos modelavam em forma de animais e humanos. Como iam ficando cada vez mais bonitos, esses pãezinhos passaram a ser oferecidos às muitas divindades egípcias, com pedidos para que enviassem à Terra chuvas no momento certo para fertilizar o solo e assim permitir a produção cada vez maior de trigo. Esses pães insossos, que deram origem aos biscoitos, estavam portanto ligados aos rituais religiosos, já deduziram os primeiros arqueólogos que ali chegaram junto com Napoleão Bonaparte. A essa altura, a França produzia há muito tempo algo semelhante, como os povos do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Os franceses, mestres na arte da gastronomia, intensificaram a busca por novas técnicas para receitas com trigo e por volta de 1600, em Reims, um padeiro usou corante rosado na massa, obtendo grande sucesso de vendas. O “Biscoito Rosa de Reims” se tornaria uma iguaria da qual se apropriou a Maison Fossier. Pouco depois surgiria por ali, em Champagne, o “Boudoir”, que o tempo fixou como Biscoito Champanhe e tornou-se consumido em todo o mundo. Desde então, outros “patissiers”, tocados pela concorrência, criaram biscoitos em outros formatos. E, para que durassem mais, os assavam duas vezes. Daí a palavra biscuit, “bis+cuit”, que significa exatamente “assado duas vezes”, como também o são “biscotto”, no italiano, e “biscoito”, em português. Na verdade, como são todas línguas latinas, é certo que os romanos já tivessem este verbete em seu vocabulário, para designar a mesma coisa.

Se você se animou, vamos lá fazer esses biscoitinhos fofos. Basta juntar farinha, açúcar, manteiga, raspas de laranja e amassar até dar ponto de enrolar. Faça um rolo (ou dois) de três cm de espessura e, com uma faca, corte rodelas de um cm.Transfira os biscoitos para uma assadeira, untada e polvilhada com farinha ou forrada com papel manteiga. Deixe espaço entre eles para que não grudem ao assar. Usando a ponta de um garfo, frise a superfície de cada um. Distribua as frutas secas, para conferir o charme. Asse por dez minutos ou até que estejam dourados.

Ingredientes

 2 ½ xícaras (chá)  de farinha de trigo
 1/2 xícara (chá) de açúcar
 200 gramas de manteiga sem sal
 1 colher (chá) de raspas de laranja
 1 colher (sopa) de uvas passas
 1 colher (sopa) de damascos picados
 1 colher (sopa) de avelãs em lâminas
 1 colher (sopa) de frutas vermelhas secas
 
Passo a passo
 
1 - Junte farinha, açúcar, manteiga, raspas e amasse até dar ponto de enrolar
 
2 - Faça rolinhos e corte rodelas usando faca com boa lâmina
 
3 - Transfira as rodelas para a forma preparada e frise com a ponta de um garfo
 
4 - Decore com as frutas secas usando várias ou apenas uma qualidade
 
5 - Leve ao forno preaquecido a  180 graus por dez minutos ou até dourar
 

 

 



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