20 de julho de 2019

Culinária

Torta de brócolis é deliciosa e bastante nutritiva

Fofinha, a torta da foto parece nuvem e pode ser assada em potes de suflê; é boa sugestão.

Culinária 13/01/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Fofinha, a torta da foto parece nuvem e pode ser assada em potes de suflê; é boa sugestão para crianças resistentes ao vegetal que deve fazer parte da dieta infantil por suas qualidades nutricionais
"No alimento se coloca ternura ou ódio".
Mia Couto
 
***
 
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico
 
***
 
Ingredientes
 
 ¼ de maço de brócolis 
 4 ovos
 4 colheres (sopa) de leite
 2 colheres (sopa) de creme de leite
 2 colheres (sopa) de azeite de oliva
 3 colheres (sopa) de farinha de trigo
 2 colheres (sopa) rasas de parmesão ralado
 1 colher (sobremesa ) de fermento em pó
 ¼ xícara de gorgonzola em pedacinhos
 Sal e pimenta a gosto
 
***
 
João, meu neto de oito anos, desde pequenininho demonstrou gosto pela cozinha, inspirado com certeza no pai, que gosta de gastronomia e é muito criativo. Um dia, quando João tinha cinco anos e estava em minha casa, eu havia terminado de gravar um vídeo para o portal GCN e fazer fotos para a coluna Comer Bem, quando ele subitamente puxou um banquinho para perto de mim, entre o fogão e a bancada da pia, e disse enrolando nos erres, para Lucas e Dirceu, profissionais da imagem: “Agorra é minha vez; vou fazer o “macarrão à carbonarra”. Ele contava com o espaguete à vista no pote vermelho; ovos numa tigela e bacon na geladeira. Foi tudo tão rápido e surpreendente que até hoje nos lembramos do fato com espanto. Ele fez o carbonara direitinho e o vídeo, sem edição, bombou na internet.  
 
Depois muita gente me perguntava se ele continuava gostando de cozinhar. Eu respondia que aos poucos tinha deixado de se manifestar e não forçávamos nenhuma barra.  Até que nestas férias, tendo aparecido um curso de culinária para crianças, voltou-lhe o gosto e quis fazer. Aguardei o término da primeira aula com muita ansiedade, na segunda-feira. E pedi à mãe dele que o colocasse no telefone ao final, para que eu soubesse suas impressões. Então, o diálogo que travamos foi o seguinte:
 
- Oi, João. Gostou da aula? 
- Gostei muito, vovó.
- O que vocês fizeram?
- Dois pratos.
- Quais?
- Uma massa e dois molhos: vemelho e bechamel. Gostei mais do bechamel.
- Qual a receita da massa?
Neste momento percebi que ele lia em algum impresso para se certificar das quantidades.
- A gente põe na bancada meio quilo de farinha, faz um buraco no meio, põe pitada de sal, dois ovos, duas gemas.
- Dois ovos e mais duas gemas?
- Não, né? As duas gemas já estão dentro dos ovos.
- Ah!  Entendi. E depois?
-Aí junta azeite e vai amassando até formar uma bola. Leva meia hora pra geladeira e então espicha na maquininha ou com rolo. E corta as tirinhas.
- E os molhos?
-O bechamel eu gostei muito; igual  que meu pai faz em casa. 
- Mas eu fiz um dia e você não gostou.
- É que você pôs muuuuita noz-moscada.  A chef falou que é só uma raspinha. 
-Tá. E o vermelho?
- Tem de começar com o tomate pelado e sem sementes e picado. A gente refoga no azeite com cebola e alho. E sal e pimenta q.b. 
Ouvi  ele perguntar para a mãe que estava ao lado: “mãe, que será isso-q.b. ?” E antes que ela respondesse eu disse: significa “quanto baste”, João. Varia de pessoa para pessoa, mais sal, menos sal. É isso.
- Depois do sal e pimenta q.b tem mais alguma coisa?
- Tem. Por fim é uma colher de sopa de estrume.
- Como ?!
- Uma colher de estrume.
- Não é possível. Esse molho não presta; nem quero experimentar. 
- Mas ficou tão gostoso, vovó. Tô levando uma marmitinha pra casa. Vai lá depois do jornal pra você comer.
- Molho com estrume? Eu não!
Ouvi de novo a voz da mãe conversando com uma amiga  e perguntando: “o que será que ele quer dizer com “estrume”? Ele voltou ao papo comigo:
- Vovó, é aquilo que tem numa latinha vermelha e é vermelho também.
-Ah, João. Já sei. É extrato! Extrato de tomate! 
- É isso, vovó. Isso mesmo.  
 
E assim, com  o riso dele ressoando, encerramos com beijos e palavras carinhosas este diálogo inesquecível. Por conta do momento, resolvi trazer à página a receita que até criança pode fazer e fica deliciosa. Acredito que desde cedo meninas e meninos devem saber preparar uma refeição básica. Isso também representa liberdade na vida. Tem adulto que se jacta de não saber fritar um ovo. É triste e não razão para orgulho.
 
 A receita rende quatro potes individuais ou uma torta pequena. Se a família for grande, multiplique. Retire as flores do brócolis e corte os talos em pedaços miudinhos. Cozinhe no vapor por cinco minutos. Deixe esfriar completamente. Tempere com pitadinha de sal e outra de pimenta-do-reino. Para a massa, bata os ovos como se fosse fazer omelete. Em seguida acrescente o leite, o creme de leite, a farinha de trigo, o parmesão, o fermento. Misture bem, salgue e apimente. Nem é necessário usar o liquidificador. Dá para bater com garfo mesmo. A consistência será a de uma massa de panquecas. Se for usar os potinhos, unte-os com azeite, espalhe o brócolis e pedacinhos de gorgonzola. Vale  o mesmo para o refratário. Despeje por cima a massa e leve ao forno preaquecido a 180º. Retire quando dourar. 
 
***

Passo a passo
 
1 - Numa tigela bata os ovos como se fosse para omelete
 
2 - Acrescente o leite, o creme de leite, o azeite, a farinha, o parmesão, o fermento, o sal e a pimenta
 
3 - Unte os potes para suflê ou o refratário e espalhe o brócolis cozido
 
4 - Sobre os pedacinhos de brócolis salpique o gorgonzola e despeje a massa
 
5 - Leve ao forno preaquecido a 180° e deixe assar até crescer e dourar
 
 


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