24 de agosto de 2019

Franca

Procura por cursos de tiro cresce após Bolsonaro

Na última semana, escola francana teve mais de 50 pessoas interessadas após a flexibilização.

Franca 20/01/2019 - Repórter: Carolina Ribeiro
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
José Manoel de Paula, proprietário da Sniper, academia de tiro esportivo de Franca, durante demonstração

Seguindo a tendência de várias regiões do Brasil, a procura por cursos de tiro cresceu em Franca após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) prometer a flexibilização nas regras para o posse de arma no Brasil. Em todo o País, segundo o Sinarm (Sistema Nacional de Armas), da Polícia Federal, o registro de novas armas cresceu 6,35% no ano passado em comparação a 2017, passando de 45.443 para 48.330. A PF afirmou não possuir números localizados de cada cidade, mas, na Sniper Academia de Tiro Esportivo, em Franca, somente nos últimos dias, após o presidente assinar decreto que facilita a posse de armas de fogo, 50 pessoas buscaram informações sobre aulas de tiro.

O empresário José Manoel de Paula, da Sniper, confirmou que a procura por cursos no clube cresceu, principalmente depois da eleição de Bolsonaro. Apesar disso, segundo ele, o número efetivo daqueles que passaram a frequentar a academia ainda é pequeno. “O assunto flexibilização das armas gera mais curiosidade, porém estamos falando de um esporte caro. Não é barato ter arma no Brasil, seja para a defesa pessoal ou para a prática do esporte. Temos aqui na academia cursos tanto para o esporte como para a defesa pessoal, mas para isso o aluno já precisa ter a posse de arma de fogo”, explicou.

Para fazer o CR (Certificado de Registro) do Exército, instrumento que possibilita a aquisição legal de armas de fogo para as atividades de Tiro Desportivo, Caça ou Coleção, o interessado gastará em média R$ 1,2 mil, já que é necessário exame psicotécnico, prova de tiro para CR, taxa de exército e serviço de despachante, entre outras taxas. No Estado de São Paulo, a emissão destes certificados subiu de 13.408 até novembro de 2017 para 17.591 até novembro de 2018, um aumento de 31%.

É importante esclarecer, segundo José Manoel de Paula, que o decreto de Bolsonaro flexibiliza a posse de arma de fogo, que é a autorização para manter uma arma de fogo em casa (ou numa residência de campo, por exemplo) ou no local de trabalho (desde que o dono da arma seja o responsável legal pelo estabelecimento) e não o porte de arma, que é o documento que dá o direito de portar, transportar, comprar, fornecer, emprestar ou manter uma arma ou munições sob sua guarda. Para sair à rua levando uma arma junto ao corpo ou para usá-la para caçar, por exemplo, é necessário ter porte de arma.

A Sniper, que ministra 10 modalidades diferentes de tiro, entre elas de carabina, pistolas, revólveres, caça, espingarda e defesa com progressão e regressão, conta atualmente com 160 associados - menos de 10% são mulheres. Na academia, os associados realizam as aulas com suas próprias armas e munições, ou seja, necessitam do CR para a prática esportiva.

Decreto permite cidadão ter até quatro armas
O texto do decreto assinado por Jair Bolsonaro permite aos cidadãos residentes em área urbana ou rural manter arma de fogo em casa, desde que cumpridos os requisitos de “efetiva necessidade”, a serem examinados pela Polícia Federal, que decidirá se autoriza ou não a concessão da posse.

Cumpridos os requisitos, o cidadão poderá ter até quatro armas, limite que pode ser ultrapassado em casos específicos. O decreto também prevê que o prazo de validade do registro da arma, hoje de cinco anos, passará para dez anos.

Além de atender os critérios, entre eles, por exemplo, residir em área urbana de Estados com índices anuais de mais de dez homicídios por cem mil habitantes, segundo dados de 2016 apresentados no Atlas da Violência 2018, as pessoas que quiserem ter arma em casa precisarão obedecer alguns critérios, incluindo alguns de segurança.
 



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