21 de agosto de 2019

Opinião

2019 chegou com tudo. E agora?

Apesar das tragédias avassaladoras, é importante tentar manter a fé

Opinião 10/02/2019 -

Janeiro acabou agora e muita gente já respira fundo quando pensa nesse ano. Dia 25 de janeiro, a barragem da Vale rompeu em Brumadinho. São mais de 330 mortos, sendo que apenas 157 corpos foram encontrados. A lama tóxica, que levou a vida de centenas de trabalhadores e destruiu famílias e uma comunidade inteira, continua a descer pelo Rio Paraopeba, em direção ao São Francisco.

Dez órgãos diferentes investigam as causas do acidente. A Vale, agora, decidiu desativar dez barragens sob risco. O que poderia ter feito tanto tempo atrás.

Quarta-feira, uma chuva com ventos a mais de 100 quilômetros por hora, varreu o Rio de Janeiro. Sete pessoas morreram em deslizamentos de terra. A chuva deixou vias interditadas, causou falta de energia, alagamentos e, mais uma vez, derrubou um trecho da ciclovia Tim Maia. Só no Complexo do Alemão mais de 50 famílias foram desalojadas. Depois, foi confirmado que o prefeito do Rio, investiu menos da metade do valor previsto para prevenção de enchentes.

Mas a sequência de dor e sofrimento continua. Na sexta-feira, um incêndio no alojamento do Centro de Treinamento do Flamengo matou dez jovens atletas e feriu outros três. A história também é avassaladora. O alojamento já tinha sido multado 30 vezes pela prefeitura, não tinha alvará dos Bombeiros e, mesmo pertencendo a um clube milionário, mantinha os jovens que tinham entre 14 e 16 anos em risco. Revoltante.

Motivos para entrar no ano com o coração apertado não faltam.

É impossível imaginar quantas pessoas saíram do hospital na última semana com um problema de saúde grave. Quantos jovens morreram cedo demais por causas diferentes. Quantas famílias perderam entes amados ontem mesmo. Ainda assim. Ainda assim. Não podemos nos perder em meio a tanto desalento.

A vida continua todos os dias. O tempo de estar em família, construindo qualquer projeto positivo, lutando pelo que se acredita, vivendo amores e momentos de felicidade com quem se ama; a fé na vida não pode ser simplesmente substituída pela revolta.

É fundamental, sim, estarmos atentos ao que deve ser feito, evitado, para que tragédias como que vivemos não aconteçam novamente. Assim como também é essencial não deixar que os dias sejam levados só pelo descrédito dos políticos, pela irritação com os empresários. Há um equilíbrio importante a ser feito, agora, enquanto o ano começa.

Porque, o dia vai terminar, para todos nós. É impossível evitar. Mas ainda é possível fazer dessa jornada uma memória emocionante, cheia de sorrisos e realizações, não de medo e revolta. Que não percamos a agilidade, para resolver e evitar problemas previsíveis. Mas, também, que não percamos a fé. Mesmo diante das maiores dificuldades.
 



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