21 de agosto de 2019

Franca

Trote de Medicina da Unifran tem repercussão nacional

Franca foi destaque nos noticiários nacionais no início desta semana após trote preconceituoso.

Franca 10/02/2019 - Repórter: Carolina Ribeiro
Foto de: Reprodução

Franca foi destaque nos noticiários nacionais no início desta semana após veteranos do curso de medicina da Unifran (Universidade de Franca) praticarem um “trote” com conteúdo considerado machista, misógino, pornográfico e preconceituoso com calouros no primeiro dia de aulas. Meninas e meninos que ingressavam na universidade tiveram que entoar, observados por alunos veteranos, juramentos com xingamentos contra outros cursos e também contra o Uni-Facef. Vídeos, fotos e áudios do trote foram amplamente divulgados em grupos de WhatsApp, Facebook e Instagram e ganharam repercussão em sites como Folha de São Paulo, G1, Veja, Catraca Livre, Último Segundo e Correio Braziliense.

Nas imagens que viralizaram é possível ver as calouras entoando o juramento com trechos como “eu prometo nunca entregar meu corpo para nenhum invejoso burro da odonto” e “me reservo totalmente à vontade dos meus veteranos e prometo sempre atender aos seus desejos sexuais”. Já no caso dos calouros, o juramento continha trechos como “eu prometo infernizar qualquer um dos bastardos, invejosos de subcursos como os da odonto e dos copiões de merda da Facef” e “prometo usar, manipular e abusar de todas as dentistas e facefianas que tiver oportunidade, sem nunca ligar no dia seguinte”.

Repúdio
Com a repercussão do caso, a Atlética Med do Uni-Facef, Associação Atlética Acadêmica Arquitetura e Urbanismo, Atlética de Engenharias da Unifran, Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Franca, Odonto Franca e Conselho Municipal da Condição Feminina de Franca e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), se pronunciaram com notas de repúdios ao trote e o conteúdo discriminatório e machista. Grupos de alunos de outros cursos da Unifran também se manifestaram contra os alunos veteranos da medicina.

Em nota oficial publicada no Instagram, a Atlética Med Franca, do curso de Medicina da Unifran, declarou reconhecer “o cunho ofensivo do discurso feito, o qual não possui autoria das entidades estudantis. Todos nós já estamos tomando providências sobre um assunto que realmente necessita de atenção e atitudes imediatas”.

A reportagem tentou contato com o presidente da Atlética Med Franca, mas ele não atendeu as ligações feitas para o seu celular nem retornou o contato, até o fechamento desta reportagem. O veterano que aparece no vídeo entoando os juramentos também foi procurado, mas a informação seria que ele se formou no final de 2018 e não tem ligação direta com a universidade.

Universidade
Na última terça-feira, dia 5, a Unifran informou, através de nota, que repudia quaisquer atos que incitem preconceito, homofobia, machismo, discriminação, constrangimento ou equivalentes e que os responsáveis pelos atos estão sendo identificados e serão penalizados.

Entre as penalidades as quais os responsáveis pelo trote estão sujeitos, segundo a Unifran, estão advertência oral e em particular, exceto no caso de advertência coletiva; advertência por escrito; suspensão de até 30 dias; transferência compulsória ou não renovação da matrícula no caso de discentes. 

 

Ministério Público investiga o trote universitário
 
O Ministério Público investigará o trote machista pregado por veteranos do curso de medicina da Unifran (Universidade de Franca). O ato, que aconteceu no primeiro dia de aulas, na última segunda-feira, 4, provocou grande revolta em estudantes e entidades de proteção à mulher logo que os vídeos e áudios foram compartilhados nas redes sociais. Ciente dos fatos e em posse do conteúdo dos vídeos, o MP instaurou inquérito civil para investigar o caso na terça-feira, 5.
 
Assim que o caso veio a público, a subseção de Franca da Ordem dos Advogados do Brasil também se manifestou sobre o que considerou excessos na recepção dos alunos. Afirmou, em nota, que repudia “qualquer ato de violência física, moral ou psicológica” contra novos alunos e que pedirá às autoridades locais que investiguem “eventuais responsabilidades” relacionadas ao trote.
 
O MP deve convocar representantes da Unifran a explicar quais medidas serão adotadas em relação ao caso e como a instituição tem aplicado a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.
 


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