16/03/2019 - Reportagem de Lúcia Helena Maniglia Brigagão

Balanço

Quando nasci, anjo desconhecido e meio safado determinou: eu andaria na corda bamba enquanto vivesse. Optaria por terrenos e lugares perigosos; encararia de frente situações das quais muitos machos fugiriam; romperia barreiras; desbravaria terrenos acidentados; andaria na contramão do fluxo comum; marcharia com o pé errado; gostaria de pimenta, de quiabo e de jiló; pediria cerveja quando fosse apropriado champagne; vestiria preto quando predominassem florais; enfrentaria multidões mas coraria de vergonha ao receber elogio. Nas amizades, contrariria a tese lé com lé, cré com cré. Jamais me revelaria intimamente, sem mais nem menos. Para me conhecer, os candidatos a amigos passariam por prova de fogo, seriam capazes de superar aparências. Familiares me compararam ao abacaxi e afirmaram: por trás da minha casca grossa, existia algo palatável. A vida me ofereceu condições para ser feliz. E eu fui. Amei muito; tenho filhos, netos, desfrutei do amor de marido, pais e sogros, irmãos e sobrinhos. Moro numa casa legal, tenho discos, livros e filmes de estimação. Conheci muitos lugares. Li muito. Aproveitei condições fantásticas de crescimento através das obras humanas: bebi-as com sofreguidão. Visitei os mais famosos museus do mundo; pisei o mesmo chão que os mestres pisaram; andei pela terra dos ancestrais. Conheci gente fantástica, gente maravilhosa, gente nem tanto. Ninguém passou em branco, percebo agora, ao pintar este mural, contabilizando feitos, não feitos, mal feitos e bem feitos pessoais.

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