23 de julho de 2019

Franca

Veja como a neurolinguística pode trasformar a sua vida

Vanessa Maranha é conhecida como jornalista e escritora premiada e pelo seu trabalho com a linguagem.

Franca 14/04/2019 - Repórter: Joelma Ospedal
Foto de:
Vanessa Maranha é muito conhecida como jornalista e escritora premiada, ou seja, pelo seu extenso trabalho com a linguagem. É, também, psicóloga, e, como tal, a profissional segue, há mais de 20 anos, essa linha de paixão pela linguagem com metas clínicas, interligando comunicação e Psicologia de uma forma ímpar.
 
Vanessa vem de uma formação solidamente psicanalítica, mas sempre antenada com a diversidade de abordagens relacionadas ao desenvolvimento humano e, mais recentemente, agregou à sua prática a Neurociência, valendo-se de técnicas de hipnoterapia (que utilizam recursos de hipnose) e Programação Neurolinguística (PNL) em seu trabalho de Psicologia Clínica.
Sua formação abrange especializações em Psicanálise Lacaniana, capacitação em Psicoterapia Cognitivo Comportamental e Avaliação Psicológica Pericial. É hipnoterapeuta habilitada pela escola suíça Omni International, bem como pelo National Guild of Hypnotists Inc./USA e pelo International Board of Hypnosis and Education. Participou do Treinamento International Hypnotherapy, ministrado pelos ingleses Freddy e Anthony Jacquin, com foco em mudança de hábitos, parts therapy e ressignificação, entre várias outras qualificações em hipnose. É formada em PNL (Programação Neurolinguística) pelo Elsever Institute.
 
”A hipnose e a PNL podem ser compreendidas como uma forma de comunicação e acesso à esfera inconsciente. William James, lá atrás, um dos precursores da Psicologia dizia: ‘a maior descoberta da minha geração é que os seres humanos podem alterar suas vidas alterando suas atitudes mentais’, e, sim, é fato que o cérebro aprende muito rapidamente, tanto coisas boas quanto coisas más. E isso pode ser o grande impeditivo ou a grande solução para muitos desafios que enfrentamos no dia a dia. Saber atuar no processo neurológico de aprendizado, valendo-se de linguagem hipnótica para acessar a esfera inconsciente, pode tornar o processo terapêutico mais rápido e efetivo, gerando novos caminhos neurológicos e, consequentemente, a criação de novos hábitos e crenças mais funcionais; é nisso que atuamos, na premissa de tirar o foco da doença e buscar a porção saudável no quadro apresentado“, explicou a psicóloga.
 
Em entrevista ao Comércio, Vanessa falou um pouco mais sobre essas técnicas de tratamento e como elas podem ser valiosas no trabalho com a comunicação
 
O que é hipnose ?
Hipnose é um estado alterado da consciência que pode ser induzido por relaxamento profundo e em que a atenção focada e concentração são aumentadas e a atenção periférica, reduzida, de modo a que a mente fica mais sensível às sensações e emoções, digamos, mais internalizada, o que facilita que se tenha acesso a camadas mais profundas da consciência, com metas terapêuticas.
 
O que é PNL?
A PNL é uma variante ampliada da abordagem hipnótica, definida como uma linha de trabalho ligada à comunicação, uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e de psicoterapia. A base da PNL está na conexão entre os processos neurológicos (neuro), a linguagem (linguística) e os padrões comportamentais aprendidos por meio da experiência (programação), padrões que podem ser alterados para alcançar metas e informações específicas. A PNL busca estudar os padrões e ‘modelar‘ as habilidades de pessoas excepcionais, de modo que essas habilidades possam ser replicadas e, portanto, aprendidas, como que numa engenharia reversa. Ou seja, fazer com que os comportamentos e a linguagem possam ser utilizados para a solução de dificuldades. 
 
Por que você tem seguido em direção à Neurociência?
Primeiro por uma constituição e estilo pessoal: sou curiosa e busco novos discursos, novos estudos, reavaliações, revalidações também. Até mesmo por princípio, eu simplesmente não consigo me engessar em quaisquer discursos que não se disponham à articulação com outras visões. Segundo, por empírica e teoricamente haver aprendido que somos 95% emoção e 5% razão, por saber que pouco se dá em termos de resultados a discussão racional numa sala de psicoterapia. 
Há um neurocientista português que admiro muito, chamado António Damasio, que explica, no seu livro ‘O erro de Descartes’, justamente isso que Freud já abordara no passado: não é a racionalidade que nos governa e, em sendo assim, do ponto de vista clínico, prático, eu naturalmente busquei abordagens que respondessem a isso de maneira mais focal. Esse é um autor com um olhar muito importante acerca da humanidade. Nessa mirada, como diz Maya Angelou: ”eu aprendi que as pessoas vão esquecer o que você disse, o que você fez, mas elas nunca vão esquecer como você as fez sentir“. Essa é uma das equações do humano. 
 
Em termos gerais, para que a hipnose serve? 
A hipnose é utilizada para ampliar as fronteiras da mente que está bloqueada e não consegue ‘ver’ saída, só enxergando o problema e ficando ali presa. Utilizamos a hipnose para relaxar, acalmar a mente e propor possibilidades, uma espécie de trabalho meditativo com o diferencial do sugestionamento e de uma postura mais ativa do que contemplativa. É uma intervenção psicológica útil como coadjuvante no tratamento de uma ampla variedade de doenças físicas e psicossomáticas, como controle da dor (analgesia e anestesia), nos transtornos do humor (ansiedade, depressão, distimia etc); nas fobias, em questões comportamentais, entre várias outras aplicações. A hipnose pode ser considerada a precursora das psicoterapias, tendo sido praticamente o ponto de partida de Freud no estudo da histeria, para o desenvolvimento da Psicanálise. 
 
Desde então ela é usada com fins clínicos?
Ela foi utilizada pela primeira vez como intervenção clínica em 1754, pelo escocês James Braid. Até meados do século passado, só se sabia empiricamente que o método funcionava. Com o advento da tecnologia na Medicina e da Neurociência, pôde-se enfim mensurar seu alcance terapêutico. É importante dizer ainda que a hipnose é reconhecida pelos Conselhos Federais de Psicologia; Medicina; Odontologia; Enfermagem; Fisioterapia e Terapia Ocupacional e é oferecida desde o ano passado pelo SUS como Prática Integrativa de Saúde. 
 
Em termos práticos, como poderíamos definir esse recurso?
Em hipnoterapia trabalhamos a resolução de questões passadas e atuais (ressignificação) com foco em mind set (organização mental), pensamentos, hábitos e comportamentos mais funcionais. Auxiliamos na busca de modulação e elaboração das suas emoções com estratégias para lidar com os obstáculos, tendo por objetivo uma vida mais plena. 
É um recurso clínico auxiliar gentil, permissivo e não-invasivo que pode ser utilizado em várias dificuldades de ordem psicológica e traz como benefícios desenvolvimento em aspectos cognitivos, imaginação, foco, concentração, reconhecimento e nomeação de aspectos emocionais, organização mental, construção e manejo de metas, entre vários outros ganhos efetivos. São técnicas, são acréscimos, versatilidades que vejo muito úteis se somados ao meu percurso na Psicologia e Humanidades em geral, sobretudo para fazer face ao que Bergson chamou de ‘o homem instantâneo’. As novas gerações, cujo funcionamento mental vem sendo inegavelmente forjado pela rapidez do mundo midiático, buscam comunicações mais rápidas e assertivas e essa é uma técnica interessante para nos comunicarmos com esse novo ser humano que vem surgindo. 
 
Há mal entendidos em relação à hipnose? 
Sim. Algumas pessoas imaginam que a hipnose seja algo de outro mundo. Que seja somente regressão ou catarse. É isso, de certa forma, mas não somente isso. Hipnose é um fenômeno natural que acontece com todos diariamente, quando ficamos mais internos e abertos à consciência, mas focados, absorvidos por sentimentos, ideias, imagens. Entramos em transe hipnótico quando assistimos a um filme, quando viajamos numa música, apreciando a natureza ou uma obra de arte, lendo um bom livro... isso é hipnose. Como terapia é efetiva, pois, em estado hipnótico, as sugestões são melhor absorvidas, de modo que possamos terapeuticamente substituir sugestões ruins por sugestões boas. É impressionante a qualidade das respostas clínicas, a melhora das pessoas com esse método.
 
Então, quando se está hipnotizado, ainda assim, se está atento ao que ocorre a sua volta?
Sim, em hipnose sabemos de tudo o que ocorre, inclusive nos lembramos depois do que houve. Apenas em estados mais aprofundados para anestesia e analgesia (Esdaile), ocorre alguma amnésia passageira. A atenção está na indução e na sugestão, bem como na produção de imagens. É um hiperfoco.
 
A PNL é uma linha da Psicologia?
Embora toda a sua base esteja nas correntes da Psicologia, é mais uma metodologia, um conjunto de ferramentas que ganhou expressão mais prática que teórica ou acadêmica e que acabou apropriada por outras áreas de trabalho ligadas ao desenvolvimento humano, não sendo, portanto, uma prática exclusiva da Psicologia. O que a PNL traz de realmente novo é a habilidade de analisar sistematicamente pessoas e experiências excepcionais de modo que seus caminhos possam se tornar replicáveis e disponíveis para outras pessoas. É saber exatamente o que fazer e como fazê-lo.
 
Quais são as indicações dessa ferramenta?
A PNL, em associação com a hipnoterapia (procedimento que utiliza a hipnose) oferece técnicas muito eficazes indicadas ao tratamento de dificuldades psicológicas como fobias, transtornos do humor como ansiedade e depressão, distúrbios comportamentais, doenças psicossomáticas, distúrbios de aprendizagem, mudanças de hábitos, inibições, entre outros. É um padrão de linguagem muito poderoso para obter informações inconscientes e subjetivamente facilitar mudanças mentais, destravar coisas do passado, solucionar conflitos, ressignificar experiências, gerar motivações auxiliar na tomada de decisões, oferecer recursos para que a pessoa modifique sua forma de enxergar a condição atual e passe a encarar a própria vida numa perspectiva melhorada.
 
Você disse que a PNL é eficaz para o tratamento dos vícios, compulsões e fobias. Explique um pouco mais sobre isso.
Vou lhe dar um exemplo pessoal. Fui fumante por mais de 20 anos, com várias tentativas de cessação desse péssimo hábito, mas sempre retomava. A Programação Neurolinguística foi crucial para eu abandonar o tabagismo de vez. Não é que esse método cure a compulsão, ele a realoca, muda a compulsão de lugar, a redireciona para algo melhor ou menos danoso. Em mim, eu criei uma compulsão por não querer o cigarro, por exemplo, e foi libertador. Eu propositalmente redirecionei a minha percepção, dei uma nova direção à minha mente. Uma técnica muito eficaz, claro, se o paciente quiser, porque não é mágica. É preciso desejo e responsabilização por parte de quem deseja se tratar. E é também uma terapia sob medida que embora tenha os seus protocolos de ação, é desenvolvida caso a caso. Trabalha-se ressignificação de fobias de modo muito assertivo, com essa abordagem, porque vamos à sua origem. 
 
E por que esse método apresenta um grande índice de eficácia e rapidez?
Por entender que know how (saber como) é mais interessante que know why (saber por que). Nosso funcionamento segue uma determinada lógica e padrão. Repetimos estratégias em variados contextos. Tudo o que se tem em mente a respeito da realidade é apenas uma percepção da realidade e no final tudo deságua em: você quer ter razão ou ser feliz? A percepção é sempre parcial. Controle é uma ilusão. Essa linha parte de uma minuciosa observação para descobrir quais são a lógica e os padrões mentais do paciente em questão e é uma técnica que basicamente atua no sistema de crenças e na forma como apreendemos e percebemos a realidade. Há todo um jargão ligado a essa prática, mas, o que aqui interessa saber é que, terapeuticamente, trabalha efetiva e objetivamente a imaginação ativa na construção de imagens de modo a que a realidade seja percebida e vivenciada de uma forma menos disfuncional. Mas claro que cada um tem o seu tempo para que a mudança se instale, é preciso, inclusive, permiti-la e entender que é plenamente possível. Como diz o Richard Bandler, um dos criadores da PNL: ‘por que continuar a ser você mesmo se você pode ser alguém muito melhor?
 
Você poderia dar um exemplo de tratamento que explicasse como essa terapia funciona? 
Suponhamos que alguém chegue com uma queixa de medo de tempestades. Em geral, fazemos a sondagem do ocorrido, do histórico, das associações, de qual pode ter sido o gatilho inicial. Em geral são relatos traumáticos. Toda fobia nasce de um trauma ou de percepções truncadas e generalizantes. O passo seguinte é questionar se todas as experiências com tempestades foram da mesma forma, se foram iguais à que desencadeou a fobia. Quase sempre, encontram-se lembranças de momentos em que a chuva não foi tão aterrorizante assim, lembranças que possam até ser interessantes e bonitas, como um dia na infância em que se brincou na chuva, por exemplo. Na medida em que trazemos, para um mesmo evento, duas possibilidades opostas de experiência, podemos dessensibilizar a lembrança traumática, com a utilização de técnicas específicas. Mas o que eu quis explicar aqui é que é preciso abrir outros caminhos para a percepção e a experiência, o que a hipnoterapia e a PNL fazem magistralmente. É possível modificar a percepção que temos da realidade.
 
Se a PNL pode mudar nossa percepção da realidade, significa que pode mudar a nossa vida?
Toda terapia pode ser transformadora, se o paciente assumir a sua parte de responsabilidade no processo que é a não terceirização das suas questões (respeitando-se, claro, tudo o que seja de ordem sistêmica). A meta é a ressignificação, a criação de novos significados, ou seja, a abertura de novos caminhos neurais, por meio de estímulos específicos em que se reforça o ‘estado de presença’, viver o presente. O passado já foi, é apenas referência. O futuro ainda não chegou, é um desenho, um projeto. O que temos mesmo é o presente. Que possamos vivê-lo então de forma inteira. Quando estiver no presente, conecte-se ao seu corpo. Aprenda a colocar sua energia nas coisas mais positivas. Saiba a que se associar e do que se dissociar. Todas as vezes que nos associamos ao sofrimento, ele fica forte. Quando nos dissociamos dele, ele enfraquece. Assumir tuas fraquezas te torna forte. Na vida você pode ser contagioso ou contagiante. O que é melhor? A PNL trabalha com a ideia de ser geradora de novas programações mentais (percepções e comportamentos), porque tudo, na nossa vida, começa por uma ideia e, portanto, uma imagem, algo que Aristóteles já dizia na Antiguidade: ”uma imaginação vívida compele o corpo a obedecê-la, gerando um princípio natural de movimento“. E, novamente evocando Richard Bandler, que disse: ”o cérebro não trabalha por resultados e sim por direções. Se você não estabelecer as suas próprias direções, alguém o fará”.
 
Como é possível criar uma nova percepção de realidade a partir de uma terapia, ou seja, sem re-viver o trauma, por exemplo? 
Nas últimas décadas, firmou-se o conceito da neuroplasticidade, que é a capacidade das células nervosas (neurônios) realizarem novas conexões, de modo a que sejam criados processos que nos permitam formar novas memórias, ou seja, a mente humana possui a capacidade intrínseca de aprender continuamente e, portanto, modificar padrões. Para que uma nova memória de longo prazo se consolide (e a aprendizagem está no campo das memórias de longa duração, aquilo a que os neurocientistas chamam de ‘traços de memória’) é necessária a ativação conjunta de várias áreas cerebrais. Essa ativação articulada e repetida vai criando e reforçando interconexões que, ao se completarem, se transformam em memória permanente. Assim, no encadeamento semelhante ao de um músculo, quanto mais exercitado o cérebro na criação e recriação de conexões, tanto melhor o seu funcionamento.
 
Como uma espécie de ginástica cerebral?
Sim. Nesse contexto, quanto mais utilizarmos determinados circuitos de pensamento, tanto mais o reforçaremos. Portanto, a ideia do ‘pensar bem’ não segue somente fundamentada em preceitos religiosos ou princípios humanísticos (sempre louváveis, diga-se): está cientificamente comprovado que quanto mais pensamos em bem-estar, sentimentos positivos de gratidão, confiança e autoconfiança, respeito etc., tanto mais fortalecemos memórias, sentimentos sensações, criando, assim, conexões definitivas e estabelecendo um mind set (atitude/organização mental) mais propício ao sucesso e ao bem-estar. 
 
Pesquisas apontam que um dos maiores medos das pessoas é falar em público. Explique melhor como a PNL atua nisso.
A boa comunicação tem sido requisito essencial para crescimento pessoal e profissional. A PNL trabalha esse aspecto de inibições por meio de condicionamento de uma maneira ímpar. Estamos trabalhando num projeto especial de educacão para treinar habilidades de comunicação com vistas ao crescimento pessoal e profissional que vai revolucionar as vidas de muitas pessoas. Será um treinamento. Em breve anunciaremos.
______________________________
SERVIÇO
Para saber mais, acesse a seção blog do site www.vanessamaranha.com; ligue (16) 3722-0375 ou envie mensagem para (16) 98181-9998


COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.

VER MAIS