12/05/2019 - Reportagem de Sônia Machiavelli

Bolinhos de Arroz

Ingredientes

 2 xícaras (chá) de arroz cozido
 2 batatas pequenas cozidas
 2 ovos
 1 colher (sopa) de maisena
 1 colher (chá) de fermento em pó
 1 pitada de sal
 1 pires de queijo ralado
 1 pires de salsa picadinha
 1 prato raso de farinha de rosca
 ½ litro de óleo para fritar
 
 
Hoje, 12 de maio, seria aniversário de minha mãe, se viva fosse. Partiu depois de ver os alvores do ano 2000, um sonho que cultivava. Na ausência, os anos não se mensuram, pois o tempo da emoção é outro. De vez em quando a vejo cultivando os copos-de-leite que plantava ladeando um risco de água que cortava o terreno úmido. Ou enrolando linha na carretilha de sua máquina Singer que está comigo, porque me dizia: não se desfaça dela quando eu morrer, pois aí ganhei sustento para criar você e sua irmã. Quando vejo flores de papel crepom, ela me surge inteira na memória, pois se mostrava habilidosa nesse artesanato, na qual seu espírito criativo viajava. Uma vez descobriu que os ramos de eucaliptos, com seus frutinhos secos, poderiam ser material para lindos arranjos: cortava rodinhas de organdi colorido e as inseria no orifício dos frutos, e o tecido vaporoso simulava graciosas pétalas. Um dia, andando pelas românticas ruazinhas da goiana Pirenópolis, vi numa loja flores idênticas e ali fiquei hipnotizada pela beleza e coincidência. Nunca vira outras iguais àquelas que minha mãe havia inventado num dos seus surtos de amor à natureza e ao belo.
Muitas vezes sonho com ela na pequena cozinha, espaço que dominava como toda boa mineira. Nos meus sonhos, ela elimina as nervuras brancas da couve, enrolando folhas como se fossem um charuto, e depois de amolar a lâmina da faca num ângulo da pia, corta-as em tirinhas muito finas, que hoje desafiariam esses candidatos a chefs que sustentam a audiência de vários canais de TV. Também depena frango, o que deixa um cheiro levemente enjoativo no ar, que eu supero quando ela me chama para ensinar como abrir a ave, cortar as partes em suas juntas, treinar no corte do peito, o momento mais difícil; e ter muito cuidado na retirada do fígado para não romper uma bolha que contém fel e, em tal ocorrendo, tudo perdido, pois o frango fica amargo.
 
Minha mãe nos ensinou a comer jiló, quiabo, chuchu, almeirão, taioba, inhame- tudo plantado no quintal. Quirera de milho com gotinhas de limão. Angu. Ovo quente na casquinha ou frito com as bordas da clara douradas. Sopa de macarrão ave-maria com caldo de feijão. Ou de osso com tutano, um caldo substancioso onde entravam batatas para engrossar. Espaguete alho e óleo, por vezes com alguns tomates picados para colorir. Bolo de fubá muito rústico, assado na trempe do fogão com a vasilha coberta por tampa onde eram colocadas brasas porque não tínhamos forno. Arroz-doce moreninho, feito com açúcar queimado. Canjica com leite. Paçoca de amendoim.
Tudo nos parecia muito bom. Talvez porque fosse pouco. Mas de vez em quando, sobrava alguma coisa, que jamais seria jogada fora. Até casca de laranja e de abacaxi eram postas a secar no varal e depois serviam para preparar chás muito perfumados. Pão velho era base para um doce cremoso com cheiro de canela que nunca consegui reproduzir. Também poderia ser ralado e guardado para empanar algum bife ou outro preparo. Casca de queijo era ralada. Arroz se transformaria em bolinhos deliciosos, sequinhos, com uma textura singular.
 
Porque hoje é Dia das Mães, trago a esta página a receita deles, como homenagem a todas as mães que por acaso passem os olhos por aqui. Mãe é aquela que, dentre tantas competências, sabe nutrir os filhos, independente de condição financeira. Toda mãe tem um saber inato que transforma em sabor único.
 
Descasque e cozinhe as duas batatas. Devem ficar bem macias. Bata o arroz no liquidificador. Coloque pequenas porções, e aos poucos deixe os grãos bem triturados. Se necessário, repita a operação. Coloque o arroz triturado numa tigela. Faça um buraco e disponha ali as batatas quentes. Esmague-as com garfo, misturando-as ao arroz. Acrescente a maisena e o fermento em pó. Junte a salsinha e os ovos inteiros, e continue mexendo para formar uma massa homogênea. Tempere com sal e pimenta -do-reino branca, se possível moída na hora. Retire porções de massa com colher de sopa e enrole-as na mão, formando bolinhas. Se quiser, neste momento pode-se colocar um cubinho de queijo no interior, fechando bem para que o bolinho não abra no meio da fritura. Passe-as na farinha de rosca e frite em óleo quente, três de cada vez. Retire com escumadeira e coloque sobre papel toalha. Sirva em seguida.
 
passo a passo
 
Bata o arroz no liquidificador aos poucos e por duas vezes, até ficar esmigalhado
 
Junte as duas batatas bem cozidas e esmague-as agregando o arroz e acrescentando o fermento
 
Agregue os ovos, misture bem ao arroz, junte a salsa picadinha e mexa para incorporar
 
Retire porções da massa com colher e, com as mãos untadas, formate as bolinhas
 
Passe-as na farinha de rosca e frite-as no óleo quente, três de cada vez. 

 

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