20 de agosto de 2019

Culinária

ANTIGOS

Bolinhos de Caçapava

Estes bolinhos, marca registrada das festas de São João em Caçapava, são servidos em saquinhos de papel e acompanhados de vinho

Culinária 23/06/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de:
 500 gramas de acém  moído
 1 cebola média picada
 4 dentes de alho triturados
 3 colheres (sopa) de óleo de soja
 3 colheres (sopa) de vinagre
 1 cubo de caldo de carne 
 2 tomates bem maduros sem pele e sem sementes
 Pimenta-do-reino
 Salsa desidratada
 Hervas finas
 Orégano
 1 xícara (chá) de farinha de mandioca fina torrada
 ½ xícara (chá) de farinha de rosca
 Sal a gosto
 
Para empanar
 1 ovo batido
 1 xícara de farinha de rosca
 
Para fritar
 1 litro de óleo
 
 
O nome do município que batiza os bolinhos da foto que ilustra esta página origina-se da língua tupi e significa clareira ou “corredor  na mata”. O topônimo vem de ka’a, “mata” e asapaba, “lugar por onde se transita”. Provavelmente  foi  criado pelos nativos que observavam a grande fenda natural que existe na serra do Mar nessa região. Ela é a responsável pelos densos nevoeiros vindos do oceano Atlântico no período de inverno.
 
Caçapava surgiu através de dois diferentes núcleos. O mais antigo, que hoje é o bairro de Vila Velha de Caçapava, era um vilarejo que cresceu em torno da capela Nossa Senhora d’Ajuda, construída em 1705 nas terras de uma fazenda pertencente ao bandeirante  Jorge Dias Velho. Era  local de pouso do Caminho Real que ligava os municípios de São Paulo e Taubaté, no Vale do Paraíba. 
 
Caçapava Velha (como ficou conhecida a vila) foi elevada ao status de freguesia em 1813 com o nome de Cassapaba. A Caçapava atual surgiu em 1842, ano em que foi construída uma capela dedicada a São João Batista. O povoado foi fundado pelo capitão João Ramos da Silva e tornou-se sede da freguesia. Em maio de 1850, foi elevado à categoria de vila, tornando-se município em 14 de abril de 1855.
 
Depois do café no final do século XIX, seguiu-se um período de estagnação econômica. A recuperação só ocorreu em meados do século XX com o cultivo do arroz e a introdução da pecuária de leite e acelerou-se na década de 1970 com a expansão das atividades industriais no município. Os moradores de Caçapava são popularmente  chamados ‘taiadas’.
 
Com muita razão, os  ‘taiadas’ se mostram  orgulhosos de suas festas de São João, padroeiro da cidade; de suas quermesses; especialmente dos bolinhos que estão associados  às festas juninas da região. O formato arredondado, a farinha de mandioca, a carne como tempero da massa e não como recheio, diferenciam  esse quitute de outros. 
 
 Também conhecido como “bolinho caipira” ou “bolinho da prima”, ele surpreende pela facilidade de preparo e sabor singular. Antigo, suas origens estão nos tempos da freguesia e dois  ingredientes retratam claramente isso: farinha de mandioca misturada a farinha de pão  (em lugar da então cara e rara farinha de trigo) para ligar a carne moída e os temperos escolhidos. Têm formato  redondo, são sequinhos por fora e úmidos por dentro, e seu aroma traz notícia de fazenda, de vida no campo, de  comida de verdade. Servidos em saquinhos de papel, tornou-se  usual acompanhá-los de quentão ou vinho quente. 
 
Para que fiquem crocantes e não estourem como bombinhas ao serem fritos, há certos cuidados a serem tomados. Nada difícil; só mesmo “segredinhos culinários”, como o uso do vinagre. A receita é muito boa, a melhor de todas do tipo que já experimentei, e não há como não dar certo. Preste atenção às medidas, escolha seus temperos preferidos (não é necessário ater-se aos que indicamos) e mãos à obra. 
 
Aqueça o óleo e nela fite o alho e a cebola, sem deixar que queimem; o primeiro deve dourar e a segunda  amolecer e ficar transparente. Junte a carne moída, os tomates em pedacinhos, os temperos, o tablete de carne esfarelado. Refogue, mexa bem, deixe secar todo  o líquido. Junte então a água e o vinagre e deixe ferver. Misture bem as duas farinhas (de mandioca e de pão) numa tigela. Assim que o refogado levantar fervura, vá adicionando aos poucos a mistura de farinhas e mexendo vigorosamente para não empelotar. Estará no ponto quando a massa se descolar da panela. Retire do fogo e deixe esfriar. Faça os bolinhos usando colher ou  pegador de sorvete e as mãos. Você pode fazer as bolinhas bem pequeninas, do tamanho de bolinhas de gude; ou maiores, do tamanho de bolas de pingue-pongue, como as da foto. Passe no ovo batido e em seguida na farinha de rosca. Frite aos poucos no óleo quente e sirva logo em seguida. 
 
 
Passo a Passo
 
Refogue no óleo a cebola, o alho, a carne, os temperos; deixe evaporar o líquido que se forma.
 
Junte a  seguir a água e deixe levantar fervura.
 
Aos poucos vá juntando a mistura de farinhas ao refogado e mexendo sem  parar, até aparecer o fundo da panela
 
Espere esfriar, formate as bolinhas do tamanho que desejar
 
Passe no ovo batido, na farinha, e frite aos poucos em óleo quente. 
 


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