20 de agosto de 2019

Culinária

SOBREMESA

Paçoca de colher

Junto ao pé-de-moleque, a paçoquinha tornou-se um dos ícones da culinária brasileira

Culinária 29/06/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Junto ao pé-de-moleque, a paçoquinha tornou-se um dos ícones da culinária brasileira e na receita desta página ela chega revisitada para ser servida em copinho: assim é possível não exagerar na gostosura
“Uma caixinha de bom parecer
Não há marceneiro que saiba fazer”

Da série de parlendas: “O que é?”
 
porção: 15
dificuldade: fácil
preço: econômico
 
Ingredientes
 250 gramas de amendoim torrado, sem pele
 1 lata de leite condensado
 1 lata de leite integral
 1 lata de creme de leite
 1 colher (sopa) de manteiga
 
 
Com a celebração de São Pedro e o final do mês de junho, encerram-se por aqui, Sudeste do país, as festas juninas. No Nordeste, em algumas regiões, elas ainda avançam por julho, e são denominadas, desde os anos oitenta, julinas. O investimento dos paraibanos e pernambucanos é grande, de forma que esticam os seus forrós marcados pelas músicas e comidas típicas. Dentre essas últimas, a paçoca reina soberana, na sua feição salgada e na doce também. Nos dois casos são um legado dos índios e veio pelos séculos sem muita alteração.
 
Salgada, é feita à base de farinha de mandioca e carne seca. Se no Nordeste é um prato típico e bastante degustado durante os festejos juninos, na mineira Bonito é protagonista de evento anual chamado Festa Nacional da Paçoca; na paulista Pilar do Sul, ganha força no Festival da Paçoca; no Paraná, há muito tempo faz parte da tradição culinária.
 
Doce, seu ingrediente essencial é o amendoim, pilado com farinha de mandioca e açúcar. É uma iguaria típica da mesa caipira de nosso Estado, elaborada tradicionalmente para consumo nas festas juninas e, em algumas regiões, para as celebrações da Semana Santa. Este último preparo vai além da culinária em si, é um ritual cristão de valorização do amor e da harmonia em família. Todos se envolvem na execução das paçocas, o que representa colher o amendoim, descascá-lo, torrá-lo e depois colocar no pilão e socar com açúcar e farinha até virar uma pasta seca. É desse ato de pilar que deriva o substantivo : os índios nomeavam a ação de socar como “paç- oca”, um verbo onomatopeico, como se pode facilmente deduzir. O sentido era “esmigalhar”.
 
O amendoim (palavra também tupi, com uma tradução que poderia ser compreendida como ‘alimento enterrado’) é popular em todas as regiões do Brasil. Faz parte da cultura brasileira e se tornou ingrediente principal de outro doce muito consumido de norte a sul: o pé-de-moleque. Aliás, são dois ícones da cultura popular. Há evidências de que o amendoim tenha surgido há mais de três mil anos, a leste dos Andes, onde era, ao lado do milho, alimento básico dos nativos. Sua difusão para o mundo se deu no século 16, quando os espanhóis chegaram à América. Depois de Cristóvão Colombo, colonizadores se encarregaram de levar a novidade para Europa, Ásia e África.
 
Nos Estados Unidos, as primeiras colheitas comerciais apareceram em 1818, na cidade de Wilmington, na Carolina do Norte. Durante a depressão econômica nos Estados Unidos, pós-quebra da Bolsa em 1929, as autoridades estimularam o desenvolvimento de produtos para a população, principalmente a infantil, que pudessem ser um suplemento alimentar altamente proteico. Um desses produtos foi uma manteiga feita de amendoim (peanut butter). O sucesso foi tão estrondoso que ela acabou se tornando hábito nacional, inclusive em substituição à manteiga tradicional, no café da manhã. Os nutricionistas têm encontrado cada vez mais razões para aconselhar as pessoas ao consumo dessa vagem, capaz de nutrir de forma saudável e saborosa.
 
Nosso Estado é responsável por 80% da produção nacional de amendoim. Em 2010, o Brasil exportou 54 mil toneladas, o equivalente a 22% de sua produção. O restante é utilizado no mercado interno e sua destinação concentra-se na área de confeitos, salgadinhos e doces. Mas é a China a maior produtora do mundo.
 
A receita cuja foto ilustra a página é uma releitura da paçoca, pensada para ser consumida sem exageros- porque fica muito gostosa e o risco não é a ingestão do amendoim e sim do açúcar que entra na composição do doce. Servida no copinho, a tentação pode ser medida- se é que de fato pode.
 
Reúna os ingredientes e faça sua paçoca de colher em meia hora. Comece esmigalhando o amendoim usando um pano de prato e um martelo de cozinha. Bata até transformar tudo em partículas bem pequenas. Reserve uma xícara (café) para a decoração. Numa panela pequena coloque o leite condensado, o leite de vaca, a manteiga e o amendoim. Deixe levantar fervura, abaixe o fogo, mexa sem parar até começar a aparecer o fundo da panela. Desligue o fogo, misture bem o creme de leite. Usando uma concha pequena ou uma colher, preencha copinhos (desses usados para pinga) e deixe esfriar. Arremate com o amendoim deixado em reserva para a decoração. Esta receita rende quinze copinhos.
 
Passo a passo
1 - Esmague o amendoim colocado em pano de prato dobrado e separe uma xícara para a decoração
 
2 - Coloque na panela leite integral,  leite condensado, manteiga e amendoim triturado
 
3 - Mexa sem parar até aparecer o fundo da panela; junte então o creme de leite
 
4 - Use concha ou colher para colocar a paçoca cremosa nos copinhos delicadamente
 
5 - Decore com o amendoim deixado para esse fim; ele vai contribuir para a textura crocante. 
 
 


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