20 de agosto de 2019

Opinião

As enfermidades começam na cabeça

As enfermidades começam na cabeça. Ou seja: o cérebro é o grande comandante de nossa vida.

Opinião 09/08/2019 -

As enfermidades começam na cabeça. Ou seja: o cérebro é o grande comandante de nossa vida. Às vezes ele cisma e cria sintomas que podem se transformar em doença verdadeira. Por isso é que tantos hoje sofrem de mal-estar generalizado, que adquire feição de ansiedade, estresse e depressão.

O número dos deprimidos é infinitamente maior do que o dos que procuram assistência médica. E essa legião continua a sofrer, quando o lenitivo seria desabafar. Muitos só querem compartilhar suas mágoas. E não encontram mais quem os ouça.

O psiquiatra Shekhar Saxena, professor do departamento de saúde global de Harvard e que atuou na OMS-Organização Mundial de Saúde no setor da saúde mental, avalia que o treinamento de profissionais da atenção primária, como médicos de família e enfermeiros pode cuidar adequadamente disso. Desde que também haja a participação da comunidade.

É que o número de médicos psiquiatras em países emergentes é reduzido. Por isso é que se mostra urgente adotar iniciativas como os chamados “Bancos da Amizade”: avós são treinadas para ouvir as angústias dos deprimidos. É a chamada “atenção primária” que funciona efetivamente. Há pessoas talentosas e que poderiam atuar, voluntariamente, para identificar transtornos mentais. Aqueles que precisam de hospitalização são poucos, diante do contingente dos que apresentam distúrbios. O treinamento é rápido, principalmente porque há pessoas dotadas de vocação para servir ao próximo. Elas conseguem salvar vidas, desde que possam dialogar com aqueles que, não encontrando apoio, podem até praticar o suicídio.

O Brasil é um exemplo de país em que a depressão pode galopar à vontade, tamanhos os problemas com que as pessoas se defrontam para subsistir. A falta de pessoas para aconselhar, para acompanhar, para distribuir atenção e carinho, faz com que enorme parcela da juventude se entregue à droga. E depois de entrar nesse mundo, não são muitos os que conseguem sair.

As multidões estão permanentemente ligadas nos seus celulares. Mas são integradas por seres solitários. Milhares de amigos nos “face” da vida e solidão como companhia. Não há cabeça que aguente.


José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, docente, conferencista e autor de Ética Ambiental
 



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