05 de abril de 2020

Culinária

Bolinhos de Corumbá

Em nosso país de dimensões continentais há receitas que ficam totalmente desconhecidas de outras regiões; é o caso do bolinho doce .

Culinária 01/09/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Em nosso país de dimensões continentais há receitas que ficam totalmente desconhecidas de outras regiões; é o caso do bolinho doce de arroz, iguaria de Corumbá
“Pela manhã cedo, deixe o arroz de molho em água (até cobrir) o dia inteiro para que amoleça. À noite escorra o arroz, bata no liquidificador com o leite (apenas o suficiente para bater, talvez não vá todo). Depois de batido, transfira para outra vasilha, e acrescente a batata-doce cozida e espremida (também se pode usar mandioca ou cará),o açúcar, o óleo e a erva-doce. Misture bem, se for assar no mesmo dia coloque o fermento, mas o certo é deixar a massa descansar de um dia para outro sem o fermento, em lugar fresco, tampado com pano de prato, e assar pela manhã, colocando então o fermento. Despeje a massa em forma média untada com óleo, forno médio alto, até dourar bem. O motivo de assar em outro dia, é para que a massa fique azedinha. Essa é a verdadeira receita. Mas tem pessoas que não gostam e preferem assar no mesmo dia.” 
 
A autora desse texto saboroso é Sylvana Penha, que esclarece  ser o bolinho doce de arroz uma tradição na sexta-feira da Paixão, em Corumbá, embora consumida o ano inteiro, vendida em padarias e por ambulantes. Como se vê, a receita da Sylvana leva arroz cru, leite, batata doce, óleo, açúcar, erva-doce e fermento químico. 
 
O escritor Caloca Fernandes, no seu extraordinário e belo volume “Viagem Gastronômica através do Brasil”, ao tratar da culinária da região  Centro-Oeste, sob o título “Surpresas de Mato Grosso”, evoca o mesmo bolinho, do qual mostra fotos que realmente surpreendem: a massa dourada é assada em latas de sardinha, lembrança de tempo em que as mercadorias custavam a chegar ao centro do país e as latinhas de alumínio,  depois de esvaziadas do peixe, eram caprichosamente lavadas para serem usadas nesses preparos. Em lugares de difícil acesso (como era o centro do país até os anos 60), nada se descartava e tudo se aproveitava.  A receita que o Caloca recolheu (entre tantas outras) difere um pouco da mostrada pela Sylvana: tem acréscimo de coco ralado e substitui parte do óleo por manteiga. Aliás, assim acontece à  maioria das receitas ao redor do mundo, mudando algum ingrediente as sabor das estações e  das safras, às vezes até mesmo a técnica, segundo o conhecimento de quem as prepara. No caso presente, só uma coisa não muda: o arroz deve ficar de molho por doze horas ao menos, antes de entrar no preparo. 
 
Muito curiosa, comparei algumas versões desse bolinho e elegi para experimentar um que encontrei num site de chef mato-grossense. Ele o prepara com os mesmos ingredientes básicos, mas junta ovos e  assa a massa em formas tipo cup cakes. Assei a minha em latinhas redondas de queijo brie, porque também sou do tipo que não vai descartando tudo aleatoriamente. As latinhas de brie são excelentes para assar esse tipo de “quitanda”, usando palavra do léxico culinário mineiro. Se você tem crianças em casa, elas vão adorar a novidade saborosa, que também  pode ser assada em forma redonda, de buraco no meio. Mas em tamanho pequeno, individual, o bolo  fica muito mais charmoso. 
Ao modo de fazer. Deixe de molho o arroz por uma noite. No dia seguinte, cozinhe bem e esmague com garfo a mandioca (batata doce ou cará). Reserve.  Escorra bem o arroz.  No copo do liquidificador, coloque os ovos, o óleo, a manteiga, o açúcar, o arroz escorrido. Bata por dois minutos,  junte o leite e volte a bater novamente por mais três. Acrescente a mandioca e bata por meio minuto.  Agregue o queijo e o  coco e bata rapidamente, apenas para misturar. Deixe descansar por 45 minutos, no próprio copo do liquidificador. Ao fim desse tempo, junte o fermento em pó e mexa com garfo de cabo comprido para incorporar bem. Despeje a massa nas forminhas untadas ou na forma grande de buraco. Preencha apenas 2/3, pois ela vai crescer e não deve transbordar. Leve ao forno quente, previamente aquecido, por quarenta minutos, ou até dourar. Desenforme morno e sirva frio com café passado na hora. É muito bom!
 
PS- Se não lhe apetece o sabor “azedinho”, pule a parte da mandioca, batata doce ou cará. E então nem precisará  esperar 45 minutos para levar ao forno.


COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.

Veja mais Receitas da Sônia

CLIMA EM FRANCA

29°
16°

MAIS LIDAS

COLUNISTAS

ECONOMIA Atualizado 1 hora atrás

  • Dólar Comercial:
    Data:
  • Dólar Turismo:
    Data:
  • Euro:
    Data:

LOTERIAS Atualizado 1 hora atrás

  • Mega-Sena:
    Sorteio: Data:
  • Quina:
    Sorteio: Data: