25 de fevereiro de 2020

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Incontinência verbal

Fala de Bolsonaro na ONU, no dia 24, está sendo aguardada com ansiedade por setores diplomáticos preocupados com a incontinência verbal do p

Opinião 07/09/2019 -
Fala de Bolsonaro na ONU, no dia 24, está sendo aguardada com ansiedade por setores diplomáticos preocupados com a incontinência verbal do presidente brasileiro

 

Hoje, um ano depois de ter levado uma facada no abdômen em Juiz de Fora, Jair Bolsonaro interna-se para a quarta cirurgia decorrente da tentativa de homicídio da qual foi vítima quando em campanha eleitoral. A cirurgia, dizem os médicos, é rotineira. Em uma semana o paciente deve ser liberado para suas atividades.

Mas, mesmo que não esteja completamente restabelecido, Bolsonaro já avisou que vai à sessão de abertura da Assembleia da ONU, no dia 24, nem que seja “na maca”. Alguns diplomatas e outros assessores estão ansiosos. As razões para tal se reúnem todas na incontinência verbal do presidente da República, que ainda não encontrou em seu caminho um Carlos de Espanha para lhe perguntar, como a Nicolas Maduro- “por que não te calas?”

Bolsonaro não tem filtro para a fala e, assim, destoa completamente daquilo a que chamam “liturgia do cargo”, algo respeitado por todos os presidentes brasileiros, de quem nunca ouvimos em público palavras e expressões grosseiras e chulas a traduzirem ideias toscas, quando não cruéis.

Ele foi cruel com Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e atual alta-comissária para Direitos Humanos da ONU, porque não gostou de ouvi-la dizer que “nos últimos meses, observamos (no Brasil) uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos.” Em resposta, atacou –a e a seu pai, Alberto Bachelet, morto pela ditadura de Pinochet, dizendo que Allende em 1973, “deu um basta à esquerda, e “entre comunistas, o seu pai, brigadeiro à época”.

Ele foi cruel com Emanuelle Macron, o presidente francês, ao alfinetá-lo várias vezes, por suas posições de político de centro-esquerda e por sua intenção de ajudar no combate ao desmatamento da Amazônia. Foi vergonhosamente mal educado com a primeira dama da França, de quem zombou ao curtir um comentário machista postado por um de seus seguidores.

As falas de Bolsonaro repercutiram de forma ruim nos países onde os padrões civilizatórios continuam sólidos e arte de fazer inimigos e hostilizar pessoas soa como uma violência.

Interlocutores do presidente temem que, por causa das frentes de batalha abertas por ele, representantes de alguns países possam se levantar e sair do plenário da assembleia, no momento do seu discurso. Isso representaria um desgaste enorme para a imagem do País.
 



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