21 de fevereiro de 2020

Franca

MERCADO

Entregas sobre motos viram garantia de emprego e renda

Após perderem o trabalho nas indústrias de Franca, jovens encontram nos aplicativos de delivery saída para enfrentar a crise

Franca 15/09/2019 - Repórter: Kaique Castro, especial para o GCN
Foto de: William Borges/Comércio da Franca
Entregadores circulam pelas ruas de Franca: trabalho é garantia para muitos
No ano de 2015, então com 27 anos, Michel Andrade viu a crise econômica que atingiu o País mudar sua vida. Com o desemprego chegando na casa dos dez milhões de pessoas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o francano foi dispensado da fábrica onde trabalhava. Pespontar era tudo o que ele sabia fazer - sua experiência no ramo calçadista começou aos 9 anos de idade. Com mulher e dois filhos para cuidar, ele viu no trabalho de entregas de motocicleta uma oportunidade de emprego e de futuro para sua família.

“O declínio da indústria calçadista estava me deixando maluco. Quando chegava janeiro e fevereiro eu não sabia se teria trabalho ou não. Eu, com duas crianças em casa, ficava muito difícil. Quando me mandaram embora eu não sabia o que fazer. Fui fazer entregas de moto e vi que aquilo poderia ser minha futura profissão. Hoje, tenho minha empresa e o salário que ganho nas entregas é melhor que um funcionário de fábricas”, explica Michel, hoje com 32 anos.

Além do desemprego, outro atrativo apontado por quem realiza entregas atualmente em Franca é a liberdade que a profissão oferece. Quando começou a realizar corridas (como eles chamam as entregas), Jéssica Nascimento Barros, de 28 anos, via a profissão apenas como um ganho extra, mas com a rotina o passatempo ficou sério e hoje é sua atividade principal. “Eu trabalhava em fábrica, depois fui ser ajudante de cozinha. Quando comecei a fazer as corridas senti a liberdade que me dava. Eu ser responsável pelo meu próprio horário é melhor, sinto que posso controlar tudo o que quero fazer. Hoje trabalho fixo em um restaurante de comida japonesa, à noite, mas no horário da manhã e tarde sempre faço umas corridas para dar um extra”, conta.

Com aplicativos como o Ifood e Delivery Much, os deliverys viraram um atrativo, tanto para o consumidor quanto para o entregador. O brasileiro está se acostumando a pedir comida pelos aplicativos, o que faz movimentar a economia.

Um entregador que não quis se identificar explicou como funciona o dia-dia, dele no aplicativo. “Eu tenho meu trabalho fixo, mas por estarmos passando por muitas dificuldades, consegui me cadastrar no Ifood e concilio os horários. Já que trabalho com a moto, faço meu trabalho e as entregas. Com isto, estou conseguindo pagar todas as contas.”

“O aplicativo é como se fosse o de transportes. Eu ativo e as empresas que estão cadastradas vêem meu nome online. Com isso, me chamam. Toda entrega é monitorada e o próprio aplicativo soma o tempo que a comida tem que chegar na casa do cliente”

De acordo com os dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), o ritmo de crescimento/faturamento no número de pedidos via aplicativos de delivery é de R$1 bilhão a cada ano, um crescimento superior a 12%.


‘A oportunidade surgiu e eu agarrei’, diz jovem

Entre os entrevistados pela reportagem em Franca, os perfis dos entregadores são parecidos: jovens que ficaram desempregados, que sempre trabalharam em fábricas, e tinham a necessidade de encontrar um novo trabalho. Como aconteceu com Otieris Aparecido Marçal, de 27 anos. Ele trabalhava em uma tapeçaria, mas com a crise foi dispensado. “Quando saí da tapeçaria procurei emprego em todos os lugares possíveis. Servente de pedreiro, supermercado, tapeçarias... Aí a oportunidade apareceu e eu agarrei. Não foi questão de querer e sim de necessidade. Mas eu estou gostando muito. Os entregadores são uma classe muito unida e isso faz a gente trabalhar com mais alegria”

Algo em comum entre todos os entregadores é o “amor pela moto”. O dilema é ser um trabalho imprevisível, já que há dias com mais entregas que os outros. Mas todos os entrevistados garantiram que hoje não abandonariam a profissão para voltar para uma fábrica ou para um salário fixo.



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