13 de julho de 2020

Culinária

HISTÓRIA

Pão de linguiça

Na medida em que o trigo começou a ser cultivado no Crescente Fértil, o pão foi se tornando daqueles alimentos que contariam a evolução

Culinária 13/10/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Na medida em que o trigo começou a ser cultivado no Crescente Fértil, o pão foi se tornando daqueles alimentos que contariam a evolução da humanidade
Se fôssemos escrever um livro com o título de ‘Crítica da Razão Culinária’, é certo que o primeiro capítulo seria dedicado à fome.”
Rubem Alves
 
porção: 4
dificuldade: fácil
preço: econômico
 
Ingredientes
 1 envelope de fermento biológico seco
 1 colher (chá) de açúcar
 1 copo (tipo americano) de leite morno 
 1 ovo
 1 colher (sopa) de manteiga
 1 colher (sopa) de óleo
 1 colher (chá) de sal
 4 xícaras (chá) de farinha de trigo
 
Recheio 
 3 gomos de linguiça calabresa 
 200 gramas de muçarela ralada no lado grosso
 6 tomates sem pele e sem sementes em cubinhos
 200 gramas de queijo cremoso
 orégano a gosto
 1 ovo batido para pincelar
 
 
Na história dos tempos,  plantar e colher foram atividades que tiveram início no Crescente Fértil,  região do Oriente Médio, por volta de 8 mil anos a.C.  Dali se espalhou para várias  regiões, como o Norte de África e os Balcãs.  Nessa época, a era do gelo chegava ao fim, mudando o estilo de vida até então baseado na migração. Grandes grupos tiveram de subir montes ou aproximar-se de rios e lagos, em busca de lugares onde se fixar para sobreviver. O  planeta  havia mudado:  a temperatura  subira 7 graus. Os mares tinham crescido 25 metros em 100 anos.  
 
Foi o advento da agricultura e a domesticação de animais que permitiram  aos humanos se estabelecerem em aldeias e vilas, nelas permanecendo o ano inteiro. Foi também a agricultura que levou ao surgimento de trabalhos não associados à produção de alimentos. Pela primeira vez  havia comida suficiente para todos, mesmo aqueles que não se dedicavam diretamente à sua própria provisão. Assim, os que não se especializavam em cultivar a terra, podiam  tornar-se mercadores e  artesãos,  criando artefatos como joias, cerâmica e roupas.  
 
O Crescente Fértil  foi inicialmente terra dos natufienses, povo que sofreu os efeitos catastróficos do degelo . Eram  grandes caçadores e alimentavam-se de bagas silvestres. Os antropólogos  acreditam  que às mulheres  desse grupo  coube, face ao risco da fome, descobrir como armazenar  as melhores sementes que tinham. Os homens criaram ferramentas agrícolas, como foices e picaretas, com as quais  cultivaram de início trigo e cevada. Esmagados entre pedras, os grãos eram ingredientes para se fazer um pão áspero e achatado, assado sobre pedras. 
 
Como se vê, o pão é daqueles alimentos que contam a evolução da humanidade. Quando, por volta de 5 mil anos atrás, inventou-se o forno, o desenvolvimento  do pão foi algo extraordinário. Mais macio,  saboroso e de fácil digestão, passou a ser a comida básica por muito tempo. E se tornará metáfora de alimento, que Cristo usará na bela oração que nos deixou: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”... 
 
Dos povos antigos, os egípcios foram os que registraram as maiores variedades no que se refere ao assunto. Eles inventaram filões dos mais diferentes formatos, pães aromatizados com sementes de papoula e  cânfora, pães enriquecidos com ovos e leite, pães cobertos com mel, gergelim, tâmaras. Enfim, tal era a diversidade de tipos, e tal era o gosto deles por este alimento, que os povos antigos os chamavam “comedores de pães”. 
 
Do antigo Egito, o pão foi levado à Europa pelos romanos, que logo trataram de aprimorar técnicas de moagem, mistura e sova a fim de obter melhores produtos. No ano 200 de nossa era, foi criada em Roma a primeira associação com objetivo de servir de escolas para padeiros. Com o tempo, a atividade passou a ser hereditária,  o que acontece até hoje. Quem de nós não conhece uma  padaria que vem passando de pai a filho há muitas gerações? 
 
Cada família deixa como legado um pão especial. Este da foto é uma tentação. Em uma tigela coloque  fermento, açúcar, leite morno (cerca de 50 graus) ovo,  manteiga, óleo, sal. Misture bem. Aos poucos vá adicionando a farinha, até dar o ponto. Sove bem a massa. Coloque numa tigela grande e cubra com filme plástico. Deixe descansar por uma  hora, tempo suficiente para dobrar de volume. Com um rolo abra a massa numa superfície lisa e enfarinhada, formando retângulo de 40 cm x 20 cm. Sobre a massa coloque: camada de linguiça, de muçarela passada no ralo grosso, de tomates sem pele e sem sementes, orégano a gosto e camada de queijo cremoso. Enrole a massa  bem apertada, formando  um  rocambole. Transfira para uma assadeira levemente untada e enfarinhada. Pincele um ovo batido sobre a superfície. Formate como ferradura. Deixe descansar  novamente  por mais ou menos 30 minutos. Leve ao forno médio preaquecido a 180ºC por 40 minutos. Retire do forno e deixe esfriar. Sirva em seguida.
 

Passo a passo
 
1 - Sove bem a massa e deixe dobrar de volume em tigela grande tampada com plástico
 
2 - Abra na bancada de mármore um retângulo de 40x20
 
3 - Coloque  camadas de linguiça, muçarela, tomates e requeijão; enrole como rocambole
 
4 - Coloque na forma, dê formato de ferradura, pincele com ovo, deixe crescer novamente
 
5 - Leve ao forno quente por 40 minutos ou até dourar; sirva frio como lanche ou mesmo antepasto


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