07 de abril de 2020

Culinária

ADAPTAÇÃO

Cuca de banana

Em nosso país, a Kuchen se transformou quando os imigrantes alemães incorporaram à receita básica frutas tropicais

Culinária 19/10/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Em nosso país, a Kuchen se transformou quando os imigrantes alemães incorporaram à receita básica frutas tropicais que no, lugar de origem, não existiam; é o caso da Bananenkuchen da foto
O fogão à lenha é um lugar de saudade: fantasma de um mundo que não mais existe”
Rubem Alves
 
 
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico
 
Ingredientes

Massa
 1 xícara (chá) de açúcar
 2 colheres (sopa) de manteiga
 2 ovos
 1 colher (sobremesa) de essência de baunilha
 ½ xícara de leite
 2 xícara (chá)  de farinha de trigo
 1 colher (sopa) de fermento em pó
 1 colher (sopa) de conhaque
 
Farofa
 1 colher (sopa) de manteiga
 ½ xícara (chá) de farinha de trigo
 1 colher (chá) de canela em pó

Cobertura de frutas
 3 bananas nanicas maduras picadas em rodelas
 
 
 
Quando se pensa nas receitas como expressões de saberes e habilidades, uma pergunta que se torna recorrente é a seguinte: na culinária, as noções de típico, tradicional e autêntico são sinônimas? Vamos ver.
 
Típico é todo produto que pertence a um determinado grupo, afirma seu caráter genuíno e reafirma a similaridade étnica: o pão de queijo mineiro seria um bom exemplo. Tradicional é o que um mesmo grupo compartilha, passando e aprendendo de geração em geração e salvaguardando as artes e os ofícios a ele pertinentes: o pé-de-moleque do Binuto, conhecido em Franca há décadas, serve de modelo. Autêntico é tudo que se mantém fiel às suas origens, não sofrendo alterações ao longo do tempo: a feijoada carioca, que guarda de identidade até o lugar onde nasceu, vem à lembrança. Um prato pode ser portanto típico, tradicional e autêntico, ou pertencer a apenas uma dessas categorias.
 
A partir dessas considerações podemos concluir que a Kuchen, que os brasileiros batizaram como Cuca, é um produto típico da Alemanha, tradicional em algumas regiões daquele país, mas de recriação brasileira. Em nosso país se transformou quando os imigrantes incorporaram à receita básica produtos que no lugar de origem não existiam. É o caso da Bananenkuchen, a cuca de banana que ilustra hoje esta página.
 
Como elemento clássico de vinculação com a culinária alemã, os imigrantes mantiveram o uso de ingrediente imprescindível à receita: a boa manteiga.
 
Com a democratização desta por aqui, hoje se produzem cucas deliciosas não só em regiões onde os alemães fincaram raízes, mas em outras também. Até no Nordeste podem ser encontradas nos hotéis boas cucas para servir aos turistas. Nossos confeiteiros aprenderam que o segredo das doceiras alemãs está no uso de manteiga de qualidade e no frescor das frutas tropicais. Ou de outras frutas que vêm se adaptando bem aos trópicos, caso do morango que já foi considerado vulgar pelo fato de se reproduzir junto ao chão e hoje ocupa lugar de honra no ranking de frutas preferidas.
 
Mais importante do que a discussão se a Kuchen seria ou não uma receita alemã autêntica ou inventada, deve-se entender que é prato simbólico de um grupo social. Quem visita o sul do país percebe no orgulho com que oferecem uma fatia de cuca o fator de identificação cultural, um tipo de patrimônio das famílias que têm ascendência germânica.
A alimentação humana é muito mais do que um fato biológico. É um ato social e cultural. Comer implica representações simbólicas decorrentes da rede de relações que filiam o alimento a uma determinada sociedade ou a algum segmento dela.
 
A cuca parece bolo, é assada em forma de bolo, seu nome é tradução da palavra bolo para o alemão Kuchen. Mas bolo não é, dizem os alemães. É pão doce, caracterizado pela cobertura de farofa, tipo de crumble elaborado com manteiga, farinha, açúcar. É levada tão a sério que uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, Santa Cruz do Sul, quer criar um selo de origem semelhante ao dos doces de Pelotas. Lá a preferida é a tradicional, a Streuselkuchen, que leva apenas uma farofinha doce por cima, sem frutas.
Mas aqui os brasileiros preferem as de frutas. Podem entrar na massa jabuticaba, goiaba, uva, abacaxi, figo, pêssego, pera...
 
Receitas, há várias. A alemã leva fermento biológico na massa. A brasileira, que você encontra nessa página, fermento químico. A ver.
 
Preaqueça o forno a 180 graus. Peneire a farinha, o fermento e reserve. Coloque na batedeira manteiga e açúcar e bata por dois minutos. Acrescente os ovos e bata por mais dois. Junte a baunilha, o leite, o conhaque, a mistura de farinha e bata por mais um minuto. Coloque a massa em assadeira untada com óleo e farinha. Distribua as rodelas de banana sobre a massa. Misture os ingredientes da farofa com a ponta dos dedos formando uma farofinha. Espalhe essa farofa sobre as bananas. Leve ao forno por 30 minutos. Sirva fria.

Passo a passo
 
1 - Prepare a massa na batedeira segundo indicações do texto
 
2 - Despeje a massa em forma untada e polvilhada com farinha
 
3 - Cubra a massa com rodelas de banana nanica
 
4 - Com as mãos faça uma farofa com farinha, canela, açúcar e manteiga
 
5 - Distribua a farofa sobre as rodelas de banana e leve ao forno por 30 minutos
 
 

 
 


COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.

Veja mais Receitas da Sônia

CLIMA EM FRANCA

29°
19°

MAIS LIDAS

COLUNISTAS

ECONOMIA Atualizado 1 hora atrás

  • Dólar Comercial:
    Data:
  • Dólar Turismo:
    Data:
  • Euro:
    Data:

LOTERIAS Atualizado 1 hora atrás

  • Mega-Sena:
    Sorteio: Data:
  • Quina:
    Sorteio: Data: