02 de julho de 2020

Artes

MEDIAÇÃO

Ponte entre livro e leitor

Com formação em psicanálise e vocação literária, Maria Luiza Salomão vêm se destacando como mediadora de leitura

Artes 02/11/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Com formação em psicanálise e vocação literária, Maria Luiza Salomão vêm se destacando como mediadora de leitura com sua Degustação Literária
Os mediadores de leitura não estão somente na escola. Seu espaço de ação e influência pode ser o lar, sebos,  clubes, parque, hospitais, bibliotecas...  
 
Mediadores de leitura são pessoas que constroem pontes entre os livros e os leitores, criando condições favoráveis para que haja um encontro feliz entre ambos. O leitor apaixonado com certeza encontrará na sua infância vestígios de vozes que leram para ele, dando vida  a personagens,  movimentando o enredo, tornando o sonho mais próximo com seu gestual e sua voz.
 
 Mas mediadores de leitura não se restringem ao público infantil. Em Franca, alguns têm desenvolvido excelente trabalho  voluntário, levando a interessados autores escolhidos pelo crivo de seu valor literário e capacidade de envolver. 
 
Um desses mediadores é a psicanalista Maria Luiza Salomão, autora do livro Alegria possível e de textos que, transitando entre a crônica e o ensaio, têm sido publicados pelo caderno Nossas Letras, deste jornal. No Dia do Livro, comemorado em 29 de outubro, ela falou ao Comércio.  

Vamos começar sintetizando sua formação profissional. 
Maria Luiza Salomão- Formei-me em Psicologia, pela USP-Ribeirão Preto, em 1975. Tornei-me psicanalista, pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Fui educadora: alfabetizei a neta de Paulo Freire; o filho de Celso Lafer e da antropóloga Betty Mindlin, em escola de vanguarda, quando morei em São Paulo, em meados dos anos 70.  Continuo educadora, inspirada nas ideias de Paulo Freire.  Sou professora de psicanálise, no consultório, e em um curso de pós-graduação lato senso, na Uni-FACEF; em atividades voluntárias. Fiz especialização em Letras, na Uni-FACEF, em 2015.

Desde quando atua como mediadora de leitura?
Maria Luiza- Desde 2015 leio, dramatizando, autores da língua portuguesa-brasileira (africanos, portugueses, brasileiros) para um grupo heterogêneo, na Biblioteca Pública Municipal de Franca. E há dois anos, toco um trabalho de Escrita Criativa, a Viagem Literária,  projeto que Clemência de Andrade, diretora da  Biblioteca do Champagnat, incluiu  no roteiro estadual da Secretaria da Educação.  

Em que consiste o projeto  ‘Degustação Literária’?
Maria Luiza- É um projeto com a bibliotecária Clemência de Andrade e funcionários da Biblioteca Municipal, onde  foi fundamental a escolha do local. Queríamos a Biblioteca como um lugar vivo, livros redivivos. Criamos nela um “restaurante”, com mesas redondas, cardápios. De entrada e sobremesa, música com instrumentistas de Franca, atmosfera que leva ao prato principal – a leitura dramatizada, feita por mim, de obras de autores da língua portuguesa-brasileira. 
 
Que  público você mira? 
Maria Luiza- Crianças e idosos, adolescentes, profissionais variados. Funcionários da Biblioteca convidam seus frequentadores mais assíduos. Começamos com 10, 15 pessoas. E chegamos à 33ª edição. Preparo leituras que interessem a todos, o que não é difícil, quando a literatura de excelência  fala a todas as idades que abrigamos na alma. Somos velhos, crianças, adolescentes, somos maduros, e também bebezinhos desamparados. 
 
Quais seus métodos e critérios de escolha de autores?
Maria Luiza- A escolha dos autores é minha, a liberdade da paixão. O meu melhor instrumento é a minha experiência psicanalítica  e o meu histórico de leituras, patrimônio pessoal. Não falo psicanalês, nem faço crítica literária. Sigo a intuição, na escolha deste (e não doutro) específico autor; estou implicada na escolha.

É possível ensinar alguém a gostar de ler? 
Maria Luiza- Não creio que se possa ensinar a paixão pela leitura. Alguém apaixonado pela leitura pode transmitir sua experiência de encantamento, e, no limite, criar/evocar/gerar uma disposição no ouvinte, que pode, então, imaginar, criar mundos possíveis que nunca imaginou antes. 

Por que fomentar o gosto pela leitura?
Maria Luiza- Creio que a leitura prazerosa é a maior fonte de desenvolvimento pessoal, escolar e profissional. Com o projeto Roda Livro, entrei em contato com leitores francanos, em maior número do que se imagina, ou diz a estatística. O que me motiva é a ideia de cidadania: livros como “coisa pública”, sem burocracias ou cobranças (...)

As geladeirotecas, colunas do projeto ‘Roda Livro’, já são quantas na cidade? 
Maria Luiza- Temos 12 geladeirotecas espalhadas em vários bairros. Na primeira, no Franca Shopping, revezamos os cuidados – Rita Moscardini, Elaise de Mello, Regina Figueiredo, Tania Liporoni, Solange Borini, e eu.  Maria Cecília Guimarães cuida da geladeiroteca na Casa da Cultura e da Casa do Artista Francano; Dagliene Hudson, no Hospital do Câncer. Temos ainda geladeirotecas na Fatec; no Terminal de Ônibus; em Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos bairros, mantidas por grupo multidisciplicinar: Aeroporto, Horto, Santa Terezinha, Jardim  Planalto, Jardim Luiza; no  Caps da Estação; no Ambulatório de Saúde Mental.  Vem vindo a 13ª Geladeiroteca, em mais uma UBS.  
 
Como avalia sua experiência como mediadora de leitura? 
Maria Luiza- Como mediadora de leitura, tenho compartilhado experiências emocionais genuínas, abissais. Por vezes, sinto algo magnetizante no ar, o grupo faz silêncio fundo, fértil, flamejante.  Sinto que há um enriquecimento meu e de todos. Um sentimento mágico e infinito. Só vive esta experiência quem se permite, pacientemente, aventurar, correr riscos.


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