19 de janeiro de 2020

Opinião

O desafio de escrever a história

Não importa a dificuldade do momento, é sempre possível escrever uma bela história

Opinião 30/11/2019 -
Franca completou, na última semana, 195 anos. Às vésperas de chegar a seus quase dois séculos de existência, são muitos os desafios que se desenham no futuro. Como contornar a crise calçadista que fechou, nos últimos cinco anos, cerca de 200 empresas da área e ceifou mais de 11 mil empregos? Aliás, como acelerar a diversificação dos setores produtivos para que novas crises não afetem tanto a cidade como aconteceu nos últimos anos? Como tornar os serviços públicos mais eficientes em uma cidade de geografia espalhada que começa a se aproximar de seus 400 mil habitantes? Como fazer tudo isso em um orçamento público apertado, com uma arrecadação historicamente baixa?

As perguntas são muitas e estamos longe de todas as respostas. Mas o caderno especial, que comemora o aniversário da cidade e acompanha esta edição do Comércio, além de um registro histórico fundamental, provoca reflexões profundas.

Apesar de a proximidade com nossos problemas cotidianos dificultar a análise dos fatos do momento, fato é que a cidade, fundada ainda no Brasil Império, se transforma continuamente. Dados de 1812, quando Franca era uma jovem vila de apenas 52 anos, dão conta de que a cidade tinha 8.248 habitantes - sendo apenas 6.818 homens livres e 1.340 escravos. Levariam ainda 12 anos para que a odiosa escravidão fosse abolida. De lá para cá, outras muitas revoluções aconteceram. A cidade assistiu a duas Grandes Guerras Mundiais, a recessão de 1929 - que provocou até a derrocada do gradioso Hotel Francano-, à Revolução Constitucionalista, à ditadura militar, à redemocratização, muitos planos econômicos e outros tantos conflitos políticos.

Além dos ensinamentos que permitiram que a sociedade ficasse, mesmo que sutilmente, cada vez mais inclusiva e democrática, as mudanças pelas quais a cidade passou e seus momentos de avanços e progressos estão intimamente ligados a alguns cidadãos que aceleraram o motor da história. O Frei Germano d’Annecy, responsável por criar o Relógio do Sol, é uma dessas pessoas que gravaram para sempre seu nome no desenolvimento de uma comunidade inteira (leia mais nas páginas 4 a 11 do caderno especial).

Assim como ele, o Monsenhor Cândido Rosa, que numa cidade rural, analfabeta, sem energia elétrica, sem comunicação eficiente em um mundo em que o transporte era demorado e caro, impulsionou Franca rumo ao progresso. Foi ele, neste cenário inimaginável nos dias de Instagram, quem fez todos os esforços para que a cidade tivesse dois grandiosos colégios, o Champagnat e o Nossa Senhora de Lourdes; foi ele quem trouxe Frei Germano para ensinar matemática e física na cidade colonial; foi ele quem articulou a instalação da Santa Casa e da Igreja Matriz.

As histórias de Frei Germano e do Monsenhor Rosa, além da suntuosidade dos monumentos que estarão eternizados pelas ruas da cidade, provam que não importa a dificuldade do momento, os desafios que se impõem à comunidade francana ou até a incerteza de como será o futuro, com empenho e determinação, é possível fazer com que Franca seja uma cidade que pode se orgulhar, permanentemente, da história que escreve.

email opiniao@comerciodafranca.com.br


 



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