19 de janeiro de 2020

Opinião

Ruim no Ranking

O Brasil não ficou em último lugar no exame PISA, conforme havia prognosticado o ministro sem educação, Abrahão Weintrub; mas sua colocação

Opinião 06/12/2019 -
O Brasil não ficou em último lugar no exame PISA, conforme havia prognosticado o ministro sem educação, Abrahão Weintrub; mas  sua colocação entre 70 países  continua  ruim

 

Foi divulgado na terça-feira pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) os resultados do Pisa, exame internacional que avalia como anda a educação básica no mundo. Contrariando o que havia dito o ministro da pasta que deveria ser a mais importante do governo brasileiro, não ficamos em último lugar no ranking de 70 países avaliados nas áreas de Leitura, Matemática e Ciência. Mas permanecemos entre os últimos. A China conquistou o primeiro lugar.

Chama a atenção o fato de que de cada dez adolescentes, quatro não são capazes de apontar a principal ideia de um texto, ler gráficos, resolver problemas com números inteiros, compreender uma experimentação científica. Mesmo assim, pulamos de 407 para 413 pontos.. Em Matemática, se houve melhora nos resultados entre 2003, primeiro ano em que o Pisa destacou a área, e 2018, o Brasil continua na pior posição, ficando atrás de Peru, Colômbia e Líbano. Em Ciências, ocupamos a 66ª posição. Não surpreende a revelação de que alcançaram resultados mais positivos alunos cujas famílias têm condições financeiras melhores.

A Leitura foi o maior alvo da terceira edição do Pisa. Isso quer dizer que os resultados dessa área foram mais detalhados. Além de cobrar interpretação e compreensão de texto, a prova incluiu competências necessárias para “construir conhecimento, pensamento crítico e tomar decisões bem embasadas”, como explicou o relatório da OCDE. “O smartphone transformou a maneira como as pessoas leem e a digitalização levou ao surgimento de novas formas de textos”, explicou o documento.

Quando se tem conhecimento de que, no mundo, apenas 10% dos jovens até 15 anos conseguem distinguir fato de opinião, uma habilidade considerada complexa pelo Pisa, e que no Brasil esse grupo representa 2%, a preocupação se adensa. Porque isso quer dizer que os estudantes avaliados não entendem o objetivo de um texto e se embaraçam até em informações explícitas. A maior parte dos alunos brasileiros apenas entende o significado literal de frases ou trechos curtos, embora reconheça o tema principal quando o assunto lhes é familiar.

No mundo onde a leitura digital ganha força a cada dia, informando todos sobre tudo, como se portarão esses jovens avaliados em relação às fake news? Em condições tão estreitas de discernimento diante de comunicações verbais, é claro que podem ser enganados e induzidos em direções diferentes das do seu legítimo interesse.

A educação no Brasil não corresponde ao que seria desejável para um país a quem cada estudante da rede pública custa por ano 80 mil dólares ao governo. E para mirar o que vai mal, não temos uma “bala de prata”, para usar palavras de Claudia Costin, especialista no assunto. Seria preciso ressignificar o ensino, despertar o desejo pelo conhecimento, estreitar a teoria da prática pedagógica na universidade e remunerar melhor os professores. Só para começar.


email opiniao@comerciodafranca.com.br
 



COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.

Veja mais A Nossa Opinião

CLIMA EM FRANCA

28°
18°

MAIS LIDAS

COLUNISTAS

ECONOMIA Atualizado 1 hora atrás

  • Dólar Comercial:
    Data:
  • Dólar Turismo:
    Data:
  • Euro:
    Data:

LOTERIAS Atualizado 1 hora atrás

  • Mega-Sena:
    Sorteio: Data:
  • Quina:
    Sorteio: Data: