19 de janeiro de 2020

Nossas Letras

A chave dos 30

Dizem que a mulher de 30 anos é balzaquiana, aquela do século 19, de chapéu, vestido longo, luvas que sofreu pacas no casamento.

Nossas Letras 07/12/2019 - Repórter: Ligia Freitas
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Finalmente 30, dizem que com essa idade uma chavinha simplesmente vira e transforma o nosso pensamento, feito Fada Madrinha em contos de fadas.

Mas como eu já tenho 30não posso acreditar mais em contos de fadas, e mesmo que acreditasse mudaria os finais para marcar a existência feminina, é que sempre vem um homem no final para salvar o mundo, e fica parecendo mais aquela brincadeira de pique-esconde, eu tô cansada disso, não dos homens, deixo claro.

Os Homens não são inimigos, estão apenas do outro lado da calçada, enxergam as curvas e estradas da vidade ângulos diferentes. E tá tudo bem, como dizem os avós: às vezes alguém tem de ceder, eu entendo assim: às vezes alguém tem de atravessar a rua mas, de verdade, nós mulheres irremediavelmente atravessaremos de volta, é instinto feminino mudar de ideia trezentas vezes.

Dizem que a mulher de 30 anos é balzaquiana, aquela do século 19, de chapéu, vestido longo, luvas que sofreu pacas no casamento. Da mulher balzaquiana eu digo: tenho só o chapéu, pude escolher o meu marido, para o meu alívio e fui escolhida por ele, para o alívio dele também.

É, acho que a tal chavinha tá virando mesmo,
para me contar que as minhas alegrias
passam pelas minhas escolhas,
percebo que aprendi um pouco
com os 30 joelhos ralados das travessias de menina.

Gosto da palavra alegria, alegria é estado de graça,
é o mais justo para o palmo de terra que nos cabe ao chão,
felicidade é sem graça, um marasmo utópico,
ninguém é feliz todo dia, temos momentos de alegria.

As alegrias são gotas de ressaca do mar,
quando a maré baixa se aproxima nela continuam contidas
todas as doses do sorriso de outrora.

No mar da vida, perdemo-nos nas ondas altas
para depois nos encontrarmos num mergulho profundo.

Neste mergulho dos 30 anos bati à porta da minha alma e aquela tal chavinha finalmente virou e abriu a porta
mostrando-me uma luz até então desconhecida,
confusa, esfreguei os olhos, pisquei, pisquei algumas vezes
para tentar entender DE ONDE vinha aquela LUZ forte,
que parecia uma salvação na minha vida.
O quê, de dentro de um ESPELHO?

(Poema encomendado pela minha querida amiga Ana Flávia Chicaroni Leonardo para seu aniversário de 30 anos)
 



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