19 de janeiro de 2020

Região

PREOCUPAÇÃO

5 dias após morte em escola, acidente em Cristais segue cheio de dúvidas

O estudante Igor Domeneguetti Alves, de apenas 12 anos, morreu após uma trave de gol cair em sua cabeça.

Região 15/12/2019 - Repórter: Kaique Castro, especial para o GCN
Foto de: Reprodução
Igor Alves, de apenas 12 anos, morreu na última semana
Cinco dias após o acidente que resultou na morte do estudante Igor Domeneguetti Alves, de apenas 12 anos, lacunas ainda cercam o que realmente provocou a tragédia. Por que, em um ambiente escolar, onde frequentemente estão várias crianças, uma trave estava solta? Qual era a condição dessa trave? Meses atrás a escola passou por melhorias. Como foi essa reforma? Como só a força de uma bola seria suficiente para derrubar uma grade de ferro? O que exatamente aconteceu no momento do acidente? Quais medidas foram tomadas para que esse tipo de acidente não aconteça mais?

Para essas perguntas, várias hipóteses foram construídas pelos moradores de Cristais Paulista. Mas, a única certeza é de que na última semana, um jovem saiu de casa para ir para a escola e morreu horas depois de ser atingido por uma trave de gol na quadra onde estudava.

O acidente

O que se sabe sobre o acidente é que Igor estava na quadra da escola junto com os colegas, na manhã de segunda-feira, participando de uma atividade de educação física, quando foi atingido pela trave. Segundo o registrado pela Polícia Militar, os estudantes jogavam futebol quando um dos colegas chutou a bola ao gol. A bola bateu no travessão - parte de cima da trave do gol - que, com o impacto, caiu sobre o estudante.

Segundo o BO, a professora Adriana Pelizaro, que acompanhava a atividade das crianças no momento do acidente, afirmou que estava na escada ao lado da quadra e não olhava na direção dos alunos que brincavam quando a tragédia aconteceu. De acordo com a profissional, ela não teria visto a trave cair sobre a criança. Após o acidente, os estudantes, com ajuda dos professores e do diretor, socorreram o jovem que estava desacordado. No primeiro momento, ele foi levado até a Unidade de Pronto Atendimento de Cristais Paulista.

Segundo informações apuradas na Unidade de Saúde, Igor chegou inconsciente no local, mas com batimentos cardíacos. Devido ao estado crítico de saúde, o médico que atendeu o adolescente pediu encaminhamento para a Santa Casa de Franca.

Igor foi levado de ambulância até a Santa Casa de Franca, onde chegou a passar por procedimentos médicos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

A Santa Casa de Franca informou que Igor deu entrada às 10h39 e, menos de duas horas depois, às 12h15, morreu com trauma crânioencefálico. O hospital não informou se Igor passou por procedimentos cirúrgicos.

Igor foi enterrado na manhã de terça-feira, 10, com muita comoção de familiares e amigos. No mesmo dia sua mãe falou com o portal GCN. “Ele tinha parado de jogar bola. Olha como são as coisas, ele parou de jogar e morre com isso. Ele estava todo machucado, tadinho, os dentes quebrados, o narizinho todo machucado, o pescoço. Como que uma criança vai para a escola e volta morto? Isso não pode acontecer e aconteceu com meu menino”, disse Roseli.

Muitas lacunas

Depois do acidente a perícia foi acionada e compareceu na quadra da Escola Municipal “Amélio de Paula Coelho”. O principal objetivo era ver a situação que se encontrava às traves. De acordo com um policial que teve acesso a ocorrência, a trave teria pontos enferrujados. O laudo final deve ser entregue pela Polícia Civil em até 20 dias.

“Vamos começar a ouvir as testemunhas na próxima semana. Decidi esperar um pouco porque as testemunhas estão abaladas com o acontecimento. Estou esperando o laudo. Foi uma tragédia. Vamos colher todas as provas para concluir as investigações”, afirmou o delegado responsável pelas investigações, Marcelo Rodrigues.

O prédio da escola, que é compartilhado pela Prefeitura de Cristais e pela Secretária Estadual de Educação, passou por reformas em julho. Qual era a condição da trave após a reforma ainda é uma dúvida.

Na última quinta-feira, a trave já não estava mais na quadra da escola. A manutenção do prédio que pertence ao Estado também era compartilhada e as reformas seriam realizadas de maneira intercalada (uma reforma pelo Estado e uma reforma pelo município). De acordo com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a última manutenção era de responsabilidade da Prefeitura.

Em nota, a Prefeitura de Cristais Paulista se limitou a informar que “a manutenção da área denominada quadra de esportes foi feita no último período de férias escolares, em julho de 2019, seguindo todas as recomendações feitas pelo Corpo de Bombeiros.”

Na escola, o clima de luto era evidente após o retorno das atividades três dias após o acidente. Ninguém da escola ou da Secretaria de Educação de Cristais se manifestou. Na escola, apenas o diretor se limitou a dizer que Igor “era um ótimo aluno”. Nada mais.

 



COMENTÁRIOS

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  • APARECIDO DONIZETE NUNES
    16/12/2019
    a reportagem no dia do acidente falou que o aluno espendurou na trave e circulou depois do acidente que foi chutada a bola na trave e a mesma caiu , qual a verdade neste acidente?
    • GCN
      16/12/2019 1 Curtiu
      O esforço da reportagem foi justamente este: responder a muitas dúvidas que persistem. Infelizmente, o silêncio das autoridades dificulta, é muito, uma mulher compreensão dos foros, o que está colocado na referida matéria.
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