07 de abril de 2020

Culinária

TÍPICA

Rabanadas

A variedade de nomes fornece uma pista sobre o tamanho da popularidade dessa iguaria servida na ceia de Natal do mundo cristão

Culinária 21/12/2019 - Repórter: Sônia Machiavelli
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
A variedade de nomes fornece uma pista sobre o tamanho da popularidade dessa iguaria servida na ceia de Natal do mundo cristão
À boa fome, não há mau pão

Provérbio português
 
 
 
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico
 
Ingredientes
 
 4 pães franceses
 2 xícaras de leite
 2 colheres (sopa) de açúcar
 4 gotas de essência de baunilha
 2 ovos ligeiramente batidos
 2 colheres (sopa) de manteiga
 1/2 xícara de açúcar refinado para polvilhar
 1 colher ( sobremesa) de canela para misturar ao açúcar da cobertura
 
 
Existem pratos que perduram por serem saborosos, nutritivos, fáceis de serem preparados, têm boa apresentação e são... econômicos. As rabanadas são um exemplo e sua história é longa e interessante. Já no século XV, ainda antes de o Brasil ser descoberto, elas eram incluídas na dieta das mulheres que haviam acabado de dar à luz. Na Península Ibérica o cronista Juan del Encina as documenta como prato indicado para a recuperação pós-parto, descrevendo-as como ideais pois feitas “com mel e muitos ovos”. Os dois primeiros livros de culinária em língua portuguesa, datados de 1607 e 1611, as inserem no rol das receitas já muito conhecidas no período. Nessa época a palavra rabanada (que vem de rábano, um tipo de rabanete cortado em rodelas para consumo) só era usada ao sul do rio Mondego; em outras regiões, trocada por “fatia -de -parida”, pela óbvia razão já declarada, ou “fatia dourada”, porque os ovos as deixavam dessa cor. Nos séculos seguintes a iguaria se tornará comum nas tabernas de Madri, acompanhadas por um jarro de vinho tinto.
 
A variedade de nomes dá uma pista do tamanho da popularidade dessa iguaria ao redor do mundo. Se para os brasileiros é rabanada e em algumas regiões de Portugal “fatia-de-parida” e “fatia dourada”, na Espanha é rebanada de pan; na França, pain perdu; nos Estados Unidos, french toast; no Reino Unido e nos países nórdicos, poor knights toast. Por toda a América Latina foi ganhando diferentes nomenclaturas: torrija, torreja, tostada. A versão léxica na Indonésia é roti telur e no Marrocos, khobz belbid. Ingredientes e técnicas são sempre os mesmos, varia algum toque de sabor conferido por especiarias. No fundo, todos os povos arrumaram um jeito delicioso de não desperdiçar o pão que sobrou.
Mas se os portugueses comem rabanada na véspera de Natal, na conhecida ceia da Consoada, onde o principal prato salgado costuma ser o bacalhau, os espanhóis e alguns povos latinos por eles colonizados a colocam no cardápio da Quaresma.
 
A nós, brasileiros, foi ensinado que são especialidades servidas nas festas natalinas. E embora nas últimas décadas elas tenham perdido seu lugar para os panetones, entre frutas secas e pedaços de chocolate cada vez mais plurais, ainda há muita gente que não prescinde delas.
 
Existem múltiplas variantes, começando pelo pão, que pode ser o francês, o italiano, a baguete. Só não pode ser pão fresco, porque aí a rabanada não vira. Tem de ser amanhecido para que ela fique perfeita: úmida no interior, crocante e dourada por fora e nenhuma gordura escorrendo na mão e pesando no estômago. Como adendos, podem ir baunilha, casca ralada de laranja ou limão, canela e cravo em pó, mel. Depende muito das culturas.
 
Fazer rabanada é a coisa mais simples do mundo. Só que não. Uma fatia de pão passada no leite açucarado, no ovo batido e depois frita pede certos cuidados. Para que fique dourada, com uma leve crosta na superfície; textura firme, mas úmida; nem um pouquinho encharcada; e com sabor apenas sutilmente adocicado, há alguns segredinhos. Acompanhe.
 
Ponha o leite gelado, o açúcar e a essência de baunilha num prato fundo e misture até o açúcar dissolver. Mergulhe cada fatia de pão na mistura por alguns segundos - o pão precisa ficar bem molhadinho, até o miolo, mas não demore muito, para ele não se desmanchar. Tire e aperte levemente com colher numa peneira para escorrer o excesso. Esse é um segredo básico. Em outro prato fundo, bata ligeiramente os ovos. Passe as fatias de pão umedecidas em leite no ovo batido, dos dois lados. Levante uma a uma do prato com um garfo ou pegador, rapidamente, e espere pingar antes de levar para a frigideira de fundo grosso, onde já deve estar aquecida uma colher (sopa) de manteiga. Cuidado para não queimar! Coloque as rabanadas umas ao lado das outras e frite, mantendo a chama média. Deixe dourar de um lado, o que leva dois minutos, e vire do outro, mais dois. Retire com espumadeira e escorra sobre papel toalha. Repita a operação usando a outra colher de manteiga e as fatias restantes. Espalhe açúcar e canela num prato fundo e passe as rabanadas que já estiverem fritas e escorridas. Arrume na travessa de servir. Polvilhe com o restante da mistura de açúcar e canela. Quente é delícia, morna é delícia, fria é delícia.
 
Dia desses a Rita Lobo disse que serve com sorvete e toda a família dela adora. Achei muito criativo. O bom da culinária é isso: vai ganhado novas formas e acompanhamentos com o passar do tempo e a inventividade de cozinheiros...
 

Passo a passo
 
1 - Reúna os ingredientes: pão amanhecido, ovos, leite, baunilha, manteiga, açúcar, canela
 
2 - Passe rapidamente as fatias de pão no leite açucarado e nos ovos batidos
 
3 - Frite na manteiga quente por dois minutos, é o tempo de dourar
 
4 - Vire, frite do outro lado, mais dois minutos para dourar, retire para o papel toalha
 
5 - Passe as rabanadas por mistura de açúcar e canela e coloque numa travessa 


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