22 de fevereiro de 2020

Franca

DETALHES DO CRIME

Vídeo mostra ataque covarde e sem chance de defesa de Jéssica

A reportagem teve acesso e assistiu ao vídeo no momento do ataque de Buiú a Jéssica.

Franca 08/02/2020 - Repórter: Kaique Castro, especial para o GCN
Foto de: WhatsApp GCN
Um crime cruel. No último domingo, o assassinato de Jéssica Carloni, que completaria 29 anos ontem, chocou a região. Os detalhes da festa e das ações do autor do crime e ex-marido de Jéssica, Antônio Rodrigues, 32, o Buiú, fazem tudo ficar ainda mais impressionante. Câmeras de segurança da cháchara gravaram a sequência do assassinato. O Comércio teve acesso exclusivo às imagens.

Jéssica e Antônio foram casados por nove anos. No relacionamento, tiveram uma filha, que agora tem apenas seis anos. Nem os anos de intimidade nem a filha impediram que ele desferisse pelo menos 30 facadas em Jéssica e, não satisfeito, ainda tentasse decapitá-la.

A tragédia aconteceu numa chácara, no Residencial Zanetti. Jéssica estava no local desde a sexta-feira anterior, dia 31 de janeiro, onde acontecia um aniversário. Na tarde de domingo, tudo estava tranquilo quando, por volta das 17h10, Buiú chegou.

O clima ficou pesado.

A relação entre os dois era tensa desde o término do relacionamento, que teria acontecido há mais de um ano. Ele já tinha tentado agredi-la em outros momentos e Jéssica tinha, inclusive, uma medida protetiva que impedia Buiú de se aproximar dela. Não adiantou.

Quando ele chegou ao local, Jéssica ficou apreensiva, mas não tomou nenhuma atitude. A presença de muitos amigos parecia garantir alguma segurança. “Na hora que ele chegou ela ficou preocupada, mas como tinha muita gente, todo mundo falou ‘pode ficar de boa, porque se ele te por a mão, todo mundo segura ele’”, disse uma amiga que estava na festa. “Isso causou uma segurança para ela, que até ligou para uma amiga para falar que estava ‘tudo de boa’”, disse outra testemunha.

Buiú ficou poucos minutos na festa. “Eu não vou bater, eu vou matar ela”, disse, em uma roda de amigos, segundos antes de cometer o crime. Sem praticamente nenhuma reação dos presentes, às 17h14, Buiú decidiu ir até o seu carro, que estava fora da chácara. Ele passou por baixo do portão que estava entreaberto e, ao tentar abrir com as costas, arrebentou o motor basculante.

Ele foi até carro, pegou uma faca e caminhou em direção a Jéssica. No caminho, sem perceber, deixou a arma cair na grama. Percebendo que não estava com a faca no bolso, já bem próximo da vítima, ele voltou, pegou o objeto e retomou seu objetivo.

“O ciúme dele era doentio. Ele vivia seguindo ela, tanto é que ela nem postava mais as coisas nas redes sociais, de medo. Ele não podia saber onde ela estava que aparecia no local. Ela morria de medo dele. Uma vez tivemos que sair de um bar, correndo, porque ele chegou ao local e queria agredi-la”, informou um amigo de Jéssica.

Quando o relógio marcava 17h15min40seg do último domingo, Buiú se aproximou rapidamente, jogou Jéssica no chão e começou a seqüência de facadas. “Foi horrível. Ele disse que quem entrasse no meio ele ia matar”.

Logo em seguida às primeiras facadas, às 17h15min50seg, um jovem, magro e sem camisa, chegou a empurrar o agressor, tentando afastá-lo da vítima, mas o gesto foi em vão, já que o agressor era maior que ele e facilmente o afastou, para retomar a agressão sua ex-esposa. O rapaz foi o único a tentar deter Buiú.

“Ele falou que estava disposto a matar naquele dia, que se entrasse 30 pessoas, ele mataria os 30”, afirmou um dos rapazes que estava na cena do crime.

Jéssica não teve qualquer chance de defesa. “Foi pior que cena de filme, vendo todo mundo correndo, ele matar ela e não poder fazer nada”, lamentou a amiga. “Nunca achei que ia ver isso na minha vida”.

Um dos rapazes que estava no local assiste a agressão do lado de Buiú, aparentemente indiferente à tragédia. Após alguns instantes, ele pegou seu cooler e saiu, tranquilamente, do local.

Quando já passavam cinco minutos de agressão, o rapaz voltou e gesticulou com Buiú, dando sinais para que ele fosse embora do local. Nesse momento, o agressor chega a sair da chácara, vai até seu carro e fica cerca de um minuto sentado no veículo. Depois, volta e começa a chutar Jéssica, que continuava caída num canto do imóvel. Em todo momento, Buiú xinga sua ex-companheira e desfere socos e chutes no corpo dela. Depois de longos minutos sentado, observando o corpo de Jéssica, Buiú enfim fugiu do local.

Por conta das características do carro, a polícia conseguiu prende-lo próximo a Avenida Dom Pedro, perto da Apae. Para os policiais, Buiú não apresentou nenhuma reação e confessou o crime. Ele mesmo informou que jogou a faca utilizada na Avenida São Vicente, mas ela não foi localizada pela PM.

O corpo de Jéssica foi sepultado no cemitério Jardim das Oliveiras. A vítima deixa dois filhos, um garoto de 13 anos e uma garota de 6 anos, filha do casal.

Buiú teve sua prisão preventiva decretada e segue na Penitenciária de Franca, em isolamento. 

Investigação

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) assumiu na manhã seguinte ao crime, a condução das investigações. Segundo o delegado Márcio Murari, responsável pelas investigações, Buiú já tinha passagens pela polícia por tentativas de homicídio e agressões. Murari disse que o laudo pericial será entregue nesta terça-feira, 11. A reconstituição do crime foi adiada.

O delegado afirmou que um passo importante para a investigação é saber os motivos de Jéssica ter continuado no local do crime mesmo tendo uma medida protetiva contra o agressor. “Se ela tivesse acionado a Polícia Militar, ele teria sido preso em flagrante por descumprimento da medida protetiva. Isso está na lei Maria da Penha. Agora estamos apurando uma amiga relatando que ele estava no local, mas (..) tranqüilo. Isso talvez fizesse com que ela se sentisse tranqüila”, disse Murari.

Jéssica já tinha sofrido uma tentativa de homicídio 

No último dia 26 de outubro, Buiú já havia tentado matar sua ex-mulher. Na ocasião, ele atingiu com seu carro a moto que Jéssica pilotava com uma amiga na garupa, na Avenida Hugo Betarello. Com o impacto, as duas mulheres foram ao solo. Buiú fugiu do local sem prestar socorro. A notícia, publicada pelo portal GCN, foi compartilhada pela própria Jéssica numa rede social. “Até onde chega a covardia de um ser que se diz homem. Não foi carro que bateu na minha moto, foi o infeliz do meu ex que simplesmente não aceita o fim do relacionamento. Até onde isso vai, gente...”, desabafou Jéssica, na época.

De acordo com outra testemunha, que preferiu não se identificar por questões de segurança, o casal vivia em uma relação conturbada e as agressões eram constantes. “Um dia ele bateu nela na entrada do Franca Garden. Ela estava correndo dele, mas ele conseguiu pegar ela e começou a arrastá-la. Conseguimos com que ele parasse as agressões, mas nesse dia ela já tinha apanhado muito”.



COMENTÁRIOS

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  • edilaine
    08/02/2020 11 Curtiram
    Ela não foi embora porque confiou nos amigos aliás amigos da onça néh
  • Gerson
    08/02/2020 14 Curtiram
    Essa festa vai ficar para sempre conhecida como: A festa dos traíras covardes ! Pessoas que não fazem nada por ninguém a não ser ficar filmando a tragédia alheia para correr postar no WhatsApp igual um idiota! Vergonha dessa geração !!
  • Anônimo
    08/02/2020 14 Curtiram
    É prisão em segunda instância, a polícia prendeu juiz é advogado solta ,um assassino deste merecia pena de morte um doente que não pode viver na sociedade e ainda tem direitos humanos para defender este monstro porte de armas deve ser legalizado SIM.
  • José Reis da silva
    08/02/2020 4 Curtiram
    essas pessoas diziam ser amigos e amigas dela, um cara por mais forte q seja umas 4 pessoas cada um com pedaço de pau desarmava ele, na minha opinião foram tds covardes, e não fazer nada.!
  • Pe
    08/02/2020 6 Curtiram
    \"Pode ficar de boa, pois se ele te por a mão nós todos sairemos correndo e deixaremos vc morrer, mas não sem alguém sacar o celular e filmar, claro\" - Amigos da Onça
  • Marco
    08/02/2020 5 Curtiram
    Quando ele começou a dar facadas, se alguem quize-se poderia ter dado uma cadeirada, uma paulada, garrafada algo do tipo, mas não, segundo a reportagem ficaram olhando, poderiam ter salvo a vida dela, parece que esse povo era mais amigo dele do que dela
  • Paulo
    09/02/2020 1 Curtiu
    Só tenho que \"parabenizar\" aos tais amigos que estavam na festa, e a segurança pública no geral.
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