08 de agosto de 2020

Obituários

Lupe, uma cubana apaixonada que fez do Brasil o seu lar

Morreu na manhã da última quarta-feira no hospital Unimed São Joaquim, onde estava internada para tratar de uma infecção oportunista

Obituários 09/02/2020 - da Redação
Foto de: Reprodução
Elvia Guadalupe Espiñeira González morreu aos 69 anos
Morreu na manhã da última quarta-feira no hospital Unimed São Joaquim, onde estava internada para tratar de uma infecção oportunista decorrente de um câncer de medula óssea, a médica Elvia Guadalupe Espiñeira González. Mais conhecida como Lupe, era mãe da também médica Aniette Renom, endocrinologista especializada no tratamento de pacientes renais e membro da equipe de hemodiálise da Santa Casa, e avó das gêmeas Amanda e Lorena.

Tinha 69 anos. Lupe nasceu em Cuba. Era natural de Camaguey, na região central da ilha, onde passou toda sua infância e adolescência no bairro Caridad de Mendez. Estudou medicina na Universidad de Santiago de Cuba, onde fez residência médica em oftalmologia, sua especialidade. Foi trabalhar no serviço público em Nuevitas, cidade próxima a Camaguey, onde conheceu o pediatra Ramon Juan Renom, que viria a se tornar seu marido.

De volta a Camaguey, trabalhou nos hospitais "Manuel Ascune Domenech", onde fazia atendimentos clínicos, e "Amália Simoni", em que operava. Foram anos de muita dedicação até se aposentar, em 2002. Foi também professora de medicina do Instituo Superior de Ciências Médicas "Carlos Juan Finaly", onde dava aulas para alunos do quinto ano. Foi orientadora de várias teses dos residentes de oftalmologia e participou de inúmeras bancas de exames de especialidades.

Participou também de diversas jornadas científicas. Durante anos, participou do projeto Orbis Internacional, uma organização humanitária sem fins lucrativos que atua em países em desenvolvimento para preservar a visão da população local e prevenir a cegueira, através do incentivo à educação e apoio a melhorias no acesso à atenção oftalmológica e ao saneamento básico.

Após a aposentadoria, acompanhou sua filha, então recémcasada com o médico brasileiro Keller do Couto Rosa, na mudança para Franca, em 2003. Aqui, nunca clinicou, preferindo dedicar toda sua energia e paixão para ajudar na criação das netas. Estava sempre muito presente na vida de ambas. Era a abuelita, como carinhosamente era chamada pelas duas, que carregava as meninas para a escola, para as aulas extracurriculares, para onde tivessem que ir. Adorava política, literatura, dança e música. Amava também o Brasil e, particularmente, Franca, onde fez extenso círculo de amizades. "Tive o imenso privilégio de conviver com a Lupe, uma dessas mulheres extraordinárias que surgem de tempos em tempos. Muito culta, lia sobre tudo e conhecia mais do nosso país que muitos brasileiros. Era uma observadora atenta e corajosa, que não tinha medo de se posicionar e de defender suas ideias", disse o jornalista Corrêa Neves Jr, amigo da família. Crítica da corrupção e inconformada com os desvios de recursos públicos no Brasil e em Cuba, a mulher que na juventude havia se encantado com a revolução de Fidel Castro andava um pouco decepcionada.

Ainda assim, emocionava-se ao lembrar as belezas da ilha e de seus anos como médica am Camaguey. Lupe foi diagnosticada com o mieloma múltiplo há 18 meses. Chegou a passar por um transplante de medula, bem sucedido, mas não resistiu às intercorrências surgidas por conta da recidiva do tumor. Sua vontade, de que não houvesse velório e de que fosse cremada, foi respeitada pela família. Numa cerimônia íntima no crematório de Ribeirão Preto na manhã de quinta-feira, marcada pelas emocionantes palavras de amor da filha, Aniete, e das netas Amanda e Lorena, amigos e familiares se despediram de Lupe. "Minha mãe era um porto Seguro quando o cansaço batia, fonte inesgotável de sabedoria, poço farto de amor e ternura.

Rememoro nossa linda história de amor enquanto aguardo com fé, a mesma que tu me ensinastes, que o fiel amigo tempo acalme esta dor e eu possa verdadeiramente sentir que continuamos e estaremos juntas pela eternidade", disse, emocionada, sua filha Aniette. Nesta próxima terça-feira, 11, uma missa de sétimo dia em memória de Guadalupe Espiñeira será celebrada na paróquia de Santo Antônio, às 19h. Todos estão convidados.



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