05 de julho de 2020

Gazetilha

Weintraub, o frouxo

O ministro que xinga todos nas redes sociais e em reuniões ministeriais não teve coragem para repetir tudo diante de uma autoridade policial

Gazetilha 31/05/2020 - Repórter: Corrêa Neves Júnior
Foto de:
“A democracia não é apenas a lei da maioria, é a lei da maioria respeitando o direito das minorias”
Clement Attlee, ex-primeiro-ministro britânico
 
 
 
Não é de hoje que o ministro da Falta de Educação, Abraham Weintraub, choca o país. Absoluto desconhecido do grande público na era pré-Bolsonaro, chegou ao governo federal a convite do então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que fez dele seu secretário-executivo. Foi catapultado ao comando da pasta da Educação em abril do ano passado, indicado pelo presidente para suceder a Ricardo Velez, colombiano que teve passagem tão relâmpago quanto catastrófica pelo primeiro escalão do governo federal.
 
Foi um clássico exemplo de um caso onde a emenda ficou pior, muito pior, do que o soneto. Se Velez era ruim, faltam adjetivos adequados para definir o desempenho de Weintraub no comando da Educação. A começar, da falta de atributos e qualificações para “a missão”, para ficar num jargão caro ao bolsonarismo. Weintraub é economista e com sólida experiência profissional em bancos. É isso. Toda sua formação, teórica e prática, é no setor financeiro. Deu aulas, é verdade, mas na mesma área. Não é um educador. Não é um estudioso do tema. Não é um pesquisador sobre a área que deveria ser a prioridade de qualquer presidente. Mas ainda assim, tornou-se ministro da Educação. E, desde o instante seguinte, uma tragédia.
 
Nestes quatorze meses como ministro, Weintraub acumula fiascos. Logo de cara, ainda em abril do ano passado, defendeu que alunos filmassem professores durante as aulas para exercer uma espécie de “controle externo” sobre eventuais desvios ideológicos “cometidos” por mestres espalhados por todo o país. 
 
Logo depois, em junho, quando um oficial da aeronáutica que integrava a comitiva do presidente Bolsonaro numa viagem à Europa foi preso acusado de tráfico de drogas, Weintraub resolveu tratar o caso, seríssimo, como piada, numa postagem no Twitter. Disse o ministro: “no passado o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma”, provocou.
 
Chegou agosto. O mundo olhava para o Brasil com desconfiança em relação aos esforços – ou a falta deles – no combate aos incêndios florestais que consumiam vastas porções da Amazônia. Bolsonaro trocava farpas com Emmanuel Macron, o presidente francês. Weintraub, que nada tem a ver com a área de meio ambiente e, muito menos, com as relações exteriores, resolveu meter a colher. “(O presidente Macron é) apenas um calhorda oportunista buscando apoio do lobby agrícola francês”, disse. Completou sua “análise” classificando o presidente francês como “sem caráter”.
 
Em outubro, durante uma conferência de lideranças conservadoras do Brasil, comparou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao vírus da Aids. No sofisticado raciocínio de Weintraub, a “culpa” por Lula e Dilma terem chegado à presidência era de FHC, que teria progressivamente destruído um corpo saudável (o Brasil) e permitido que a “esquerda” assumisse o poder. 
 
Delirante, em novembro do ano passado o ministro comparou as universidades federais brasileiras a madraças, as escolas muçulmanas espalhadas por países árabes onde são forjados radicais islâmicos, especialmente os homens-bomba. Disse, ainda, que haveria plantações de maconha em larga escala dentro dos campi das universidades e que seus laboratórios seriam usados para a produção de meta-anfetaminas.
 
Com a eclosão da pandemia do coronavírus, Weintraub mirou sua artilharia contra a China, a quem passou a atacar – e responsabilizar – pelo vírus. Alucinado, disse que a pandemia era um plano chinês para dominar o mundo. E, sem menor respeito ao decoro do cargo que – ainda – ocupa, fez piada nas redes sociais, usando o personagem Cebolinha para ridicularizar o sotaque dos chineses que falam português. 
 
Imbecilidades à parte derivadas de sua mente evidentemente perturbada, Weintraub ainda colecionou inúmeros problemas, bastante concretos, na realização do Enem e do Sisu 2019/2020, que havia prometido serem os “melhores da história”. Houve falência da gráfica contratada para imprimir os testes, vazamento de imagens da prova antes do encerramento, problemas e falhas na correção, nos sistemas de inscrição, e por aí vai... Confrontado com o fracasso, Weintraub passou a fazer coro com o presidente e dizer que houve “sabotagem”. Em bolsonarês, costuma ser sinônimo para incompetência.
 
Os erros ortográficos que costuma cometer nas postagens que faz nas redes sociais poderiam até ter relevância menor, não fosse seu autor exatamente o responsável pela Educação. E foi Weintraub quem escreveu, ao longo dos últimos 14 meses, barbaridades como “paralização” (paralisação); “suspenção” (suspensão); Kafta (escreveu o nome do prato árabe, quando queria se referir ao escritor Franz Kafka); “acepipes” (tascou no lugar de “asseclas”, numa referência aos seguidores do PT); “imprecionante”(impressionante). A lista é maior, mas ficamos por aqui. É suficiente para demonstrar que o raciocínio do ministro certamente tem a mesma profundidade de seu domínio do idioma.
 
Mas nada, nem remotamente, se compara às bravatas que vaticinou na reunião do Conselho de Ministros do último dia 22 de abril, tornadas públicas após as denúncias do ex-ministro Sérgio Moro. Na já histórica reunião, Weintraub perpetra ataques contra muita gente. Índios, ciganos, oposição, China, congressistas e ministros do Supremo Tribunal Federal, todos alvos de sua verborragia. É importante destacar que Weintraub não faz apenas críticas – ele ofende, insinua práticas ilícitas e desqualifica. Vale também registrar que Weintraub não estava na sua casa, num desabafo familiar, nem num boteco, com amigos. Era uma reunião de Estado. 
 
“Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”, esbravejou. “Isso é um absurdo o que tá acontecendo aqui no Brasil. A gente tá conversando com quem a gente tinha que lutar”, atacou, num outro momento. “Eu sou, evidentemente, eu tô no grupo de ministros que tá mais ligado com a militância. Evidente, porque eu era um militante. Eu tava militando de peito aberto, continuo militando”, afirmou.
 
Não foi contestado por ninguém. Não houve ali uma única alma capaz de lembrá-lo do que significa xingar ministros do STF de “vagabundos” nem da seriedade que implica ameaçá-los de prisão. Nenhum dos presentes lembrou ao ministro que na função pública que ocupa, ela deveria ser militante apenas do Brasil, e não de grupelhos políticos. Ou de que quem governa deve buscar, sempre, a construção de consensos, e não flertar dia e noite com a ruptura institucional. Todos fizeram ouvidos moucos para as falácias de Weintraub. Inclusive, além do próprio presidente Bolsonaro, também o delator Sérgio Moro.
 
Tenho repetido, ao longo de muitos meses, que os radicais bolsonaristas, dos quais Weintraub é exemplo clássico, só são corajosas quando estão em grupo – ou, por detrás das telas confortáveis que permitem acesso às redes sociais. Nestes contextos, costumam ser “valentões”. Mas sem uma turba para apoiá-los, ou diante de delegados, promotores de Justiça, juízes, mudam drasticamente. Fingem demência, insistem que não quiseram dizer o que disseram ou, no limite, simplesmente ficam em obsequioso silêncio.
 
Foi exatamente o que fez o “valentão” Abraham Weintraub. Depois de insinuar que se recusaria a depor e ser apoiado por Bolsonaro, que chegou a dizer que “ordem absurda não se cumpre”, refugou. Depôs na última sexta-feira. 
 
Diante do delegado da Polícia Federal, poderia ter tido a decência de confirmar o que já havia dito – e está gravado. Ninguém poderia, pelo menos, confundi-lo com um covarde. Tinha a chance de aproveitar para lamentar e se desculpar. Mas Weintraub ficou quieto. Em silêncio. O ministro que xinga todo mundo nas redes sociais e em reuniões ministeriais não teve coragem para repetir tudo diante de uma autoridade policial. É bem típico. A valentia de Weintraub e sua turma é seletiva. Fora do bando – e das telas – desaparece. Mais frouxo, impossível.


COMENTÁRIOS

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  • Mirt0 Felipin
    31/05/2020
    É SÓ BATER O PÉ COM FORÇA QUE ELES SAEM CORRENDO E CHAMANDO PELA MÃE.
  • darsio
    31/05/2020 3 Curtiram
    Esse ministro faz parte dos lunáticos que, seguindo a cartilha do não menos lunático Olavo de Carvalho, dizem que o país e o planeta estão sendo tomados por comunistas, como se ainda estivéssemos em plena Guerra Fria e, a União Soviética em sua plena existência. Chamam de comunista a tudo e a todos que contrariam as suas imbecilidades. Algo seguido pelos boçais seguidores do mito que, numa clara evidência de demência profunda, acreditam na ideia de Terra plana, atacam a imprensa livre, a ciência e se apegam em Deus para explicar e solucionar todos os seus problemas. O interessante é que se fazem contraditórios na prática, pois criticam a Globo e o GCN, mas não perdem suas novelas e não deixam de ler as notícias desse portal. Quando doentes, ao invés de buscar a cura na igreja, apelam para os hospitais e ao que eles têm de tecnologia criada pela ciência. Se Cristo perdoava os pecadores, os bozomalas jogam pedras e ódio contra aqueles acusados por eles de pecadores. Assim, fica muito fácil entender a razão pela qual um asno (burro no sentido mais puro da palavra) ocupa a condição de ministro da educação, ou seja, ele possui uma grande plateia para aplaudir suas imbecilidades recheadas de pura demência.
  • Luiz Baldoino.
    31/05/2020 1 Curtiu
    Bom dia! Concordo! E complemento que no mundo dos críticos, é assim mesmo. Vê apenas o cisco, no olho do outro.
  • wellington josé da silva16
    31/05/2020 5 Curtiram
    sempre fui um apreciador de seus textos, mas vc esta muito parcial, jornalismo tem que ter imparcialidade. NÃO SOU NEM DE ESQUERDA E NEM DE DIREITA, SOU A FAVOR DE UM BRASIL, MELHOR , SEM ROUBOS, OU MAGICOS COM SUAS VARINHAS DE CONDÃO. NÃO TEM LADO NESTAS DISCUSSÕES, E SIM UM BANDO DE POLITICOS VAGABUNDOS, QUE POR QUALQUER MOTIVO, VIRAM TODOS AMIGOS, E POVO QUE SE EXPLODAM..... IMPARCIALIDADE JA.
    • Asdrúbal da Franca
      01/06/2020 4 Curtiram
      Mais um bolsominion fingindo-se de isentão porque tá pegando mal ser apoiador de bandido miliciano (além do quê, os amigos próximos já estão achando que é burro e analfabeto)! Ser imparcial diante de um chimpanzé como o Weintraub é o mesmo que o sujeito perguntar: esse fogo aí, queima? E o sujeito responde: ah, não sei não, vê aí...não sei de nada não! Foi essa mesmo desejo de \"imparcialidade\" que ajudou a colocar o orangotango-genocida no poder !!!
  • João Antônio
    31/05/2020 1 Curtiu
    Quando dizem que o Brasil é o país futuro, com um ministro desse nível o que será das próximas gerações? Tenho medo e dó.
  • Emerson
    31/05/2020 1 Curtiu
    Ótima reflexão parabéns ao autor, correa para estadual já!
  • Anderson Ribeiro
    31/05/2020 4 Curtiram
    E a saga editorialcom o objetivode derrubar o governoBolsonaro continua nas páginas desse jornal Lembremos q outroraos cargos de indicaçãodo presidenteda República eram todos preenchidospor sumidades intelectuais letradas e sem um pingo de mancha em suas biografias Resultado disso: o pais possui os piores indices educacionais do planeta Ainda tem pessoas q comemoram isso. Será q para essas pessoas vale a máximo do QUANTO PIOR MELHOR??? O povo ta com o Bolsonaro q venha o STF. o CN a China...estamos preparados para a democracia verde e amarelo dos brasileiros do bem e pagadores de impostos prevalecer nesse amado pais
    • Rita
      31/05/2020 1 Curtiu
      Anderson, achou ruim? É só não ler. Você sempre se dói todo por ouvir verdade, o errado aqui é você e seus lunáticos comentários.
    • Asdrúbal da Franca
      01/06/2020 4 Curtiram
      Psicopata com ambições de herói !!!
    • darsio
      01/06/2020 1 Curtiu
      ANDERSON! VOCÊ VIVE DIZENDO QUE O GCN É RUIM E GOLPISTA. MAS, POR QUE FREQUENTEMENTE ACESSA O SITE E LÊ SUAS NOTÍCIAS? Sinceramente, lhe sugiro ler um livro do asno Olavo de Carvalho. Talvez, o mais recente de seus lançamentos: “A invasão da Terra plana pelos comunistas marcianos”. Afinal, não queremos ouvir suas asneiras, pois são fétidas demais. Diferente do neofascista que está no poder, já tivemos importantes projetos na educação desde o Governo FHC (FUNDEF) ao Lula (FUNDEB, PROUNI). Aliás, muitos boçais que se beneficiaram e fizeram curso superior por meio do PROUNI, agora são os que atacam o programa, ou seja, não aceitam que outras pessoas sejam atendidas, daí o seu fim. A própria LDBN 9394/96 é um enorme avanço para a educação. Portanto, eu lhe SUGIRO QUE leia o livro do lunático astrólogo e, vá para um curral mais próximo debater suas ideias com os colegas de pensamento.
    • Helio P. Vissotto
      01/06/2020 4 Curtiram
      Boa Anderson, estou contigo nessa!
    • darsio
      02/06/2020 2 Curtiram
      O leitor Anderson deveria receber o Nobel da idiotice. Afinal, como que um sujeito com tão, mas com tão poucas palavras consegue dizer um monte de imbecilidades. É verdade que a nossa educação básica carece e muito de investimentos, mas o que o leva a dizer que ela é a pior do mundo? Deixa de ser otário rapaz! A depender unicamente do seu estado de demência, certamente ela seria a pior do mundo. Em gestões passadas, desde a redemocratização do país, já tivemos boas iniciativas partindo do MEC, como a criação dos Parâmetros Curriculares, o FUNDEF/FUNDEB e o PROUNI. Mas, dessa anta que está atualmente no MEC, o que foi feito? Nada. Isso mesmo. NADA! Aliás, o seu português é também sofrível, hein. Com quem aprendeu a escrever? Com o Weintraub? Deve ter sido, pois se fosse com o bozo você estaria dizendo: porra, bosta, foda-se etc. De qualquer modo, como diria Weintraub, é IMPRECIONANTE.
  • Elder
    01/06/2020 2 Curtiram
    Concordo realmente o ministro e Frouxo IGUALZINHO os vereadores da nossa cidade que ate momento durante pandemia nao fez NADA para empresas da cidade e muito menos para nossa Populacao..Vem dar uma de Santinho mostre para povo algun Projeto feitos por voces nessa pandemia...Ficamos no Aguardo ..
  • Alberto
    01/06/2020 1 Curtiu
    O ministro sem “educassão” é um dos pilares do projeto autoritário do tosco e despreparado presidente. Como deixá-lo governar, se o protótipo de ditador não tem a mínima noção do está fazendo.
  • Franciosco Matos
    01/06/2020
    É inexplicável e chego-me a sentir náuseas de ler comentários contrários as realidades do texto e alguns destes opinam que o jornalista está tentando derrubar o \"des\"-governo. Meus Deus, imploro que o Senhor jogue luz sobre a cabeça dessa gente. Sua dádiva poderá nortear a cabeça deles despertando para a realidade que possa ajudar a tirar o Brasil a caminho do caos. Vou rezar para o Senhor me atender.
  • Jose osmar
    02/06/2020 2 Curtiram
    S0 sei de uma coisa a esqureda nutela ja era
  • Jorge Luiz
    02/06/2020
    É isso, nós temos um Ministro da Educação que prefere bajular o presidente ao invés de pensar a educação do país. Ele entendeu o governo, entendeu que quem faz algo de vdd é a exceção da regra, estamos a deriva sem governo em meio a tempestade. O mais osso disso tudo é ver o que os meios de comunicação pintaram como a salvação destruindo tudo. Jornais da cidade inclusive, espero que vcs reconheçam a culpa que tem nesse cenário...
  • Anderson
    04/06/2020
    No país em que vivemos,basta algum imbecil com boa oratória que fala absurdos sobre marginais,problemas de saúde pública, e algumas opiniões espalhafatosas, que ajunta pra si uma legião de seguidores igualmente imbecis, com zero censo de julgamento para dar lhe tutela em todas as barbaridades,falácias igualmente imbecis, soma se a isso a corrupção disfarçada de combate a própria corrupção,temos então a República federativa do Brasil!!!
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