05 de julho de 2020

Franca

SEM PARCERIA

Médico admite: Albert Einstein nunca fez parceria com Hospital da Caridade

O médico informou também que o Albert Einstein não tem participação no programa de testagem em massa da população de Franca, como fora anunciado pelo Hospital da Caridade.

Franca 5 dias atrás - Repórter: da Redação
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
“O Hospital Albert Einstein nada tem relação com o Hospital da Caridade nem com as testagens. O que a gente tem é o médico Rafael Knack trazendo a possibilidade de desenvolver um estudo juntamente com o Hospital da Caridade”
O médico Rafael Knack disse nessa segunda-feira, 29, em áudio gravado, que nunca existiu qualquer parceria entre o Hospital da Caridade e o Hospital Israelita Albert Einstein, a mais prestigiada instituição hospitalar do país. O hospital de Franca, recém-concluído, divulgou por diversas vezes que tinha “uma parceria” com a instituição de São Paulo para implantar um amplo programa de testagem em massa da população de Franca para o combate ao coronavírus, utilizando uma verba de R$ 8 milhões que seria destinada pelo Partido Republicanos, em parceria com a prefeitura municipal e a Universidade de Franca. 
 
Ontem o médico, apontado como ponte entre a Hospital da Caridade e o Einstein, confirmou que, na verdade, a parceria é com ele, individualmente, e com outros profissionais supostamente ligados ao Einstein. “Nós usamos uma parceria dos médicos do hospital e não do hospital diretamente. O hospital não financia nada, não tem link direto nenhum (...) Mas alguns médicos do hospital têm uma caridade de nos ajudar nesta parte”, disse Knack.
 
O médico informou também que o Albert Einstein não tem participação no programa de testagem em massa da população de Franca, como fora anunciado pelo Hospital da Caridade. “O Hospital Albert Einstein nada tem relação com o Hospital da Caridade nem com as testagens. O que a gente tem é o médico Rafael Knack trazendo a possibilidade de desenvolver um estudo juntamente com o Hospital da Caridade”. 
 
O secretário de Saúde de Franca, Conrado Netto, negou que tenha participado de qualquer reunião para tratar da tal parceria. O chefe da Vigilância Sanitária, Felipe Granzotti, fez o mesmo e garantiu desconhecer completamente qualquer tipo de estudo para aplicação da testagem em massa em Franca. O presidente municipal do partido Republicanos, Sérgio Granero, disse que nunca existiu qualquer tipo de promessa de verba por parte da legenda nem há qualquer previsão de envio de repasses para esse plano, quer seja através do seu diretório municipal, estadual ou nacional. O coordenador de Saúde de Franca, Luiz Carlos Vergara, disse que o dinheiro “nunca existiu” e que os testes “não vão acontecer”.
 
A Unifran (Universidade de Franca), apontada como parceira do programa, limitou-se a dizer, através de sua assessoria de imprensa, que “colocou à disposição seu Comitê de Ética em Pesquisa, regularmente registrado no Conep, para receber os projetos em questão e produzir o parecer. Também disponibilizou seus grupos de estudo para futuras parcerias de pesquisa com as Instituições envolvidas”. 
 
Mesmo com a negativa de todos os envolvidos de que exista o programa ou o recurso para financiá-lo, o médico dá como certa a iniciativa. “O que a gente tem de relevante é que os testes agora estão sendo disponibilizados para um estudo epidemiológico, ou seja, nós vamos fazer uma testagem em massa da população em Franca. Eu estou coordenando isso e vou escolher o melhor momento para a gente disparar o número de testes”, afirmou Knack. O médico não informa de onde virá o dinheiro nem explica como se dará a coordenação com a área de saúde do município, que desconhece o “projeto”.
 
Knack reforçou que “o Einstein não tem participação perante o estudo nem perante a parceria”. Segundo ele, há apenas ajuda de alguns profissionais. “O que tem são os médicos disponíveis e dispostos a nos ajudar com seu conhecimento técnico e prático, baseado também em nossa literatura médica”, afirmou. Knack também não detalhou os nomes ou especialidades dos referidos colegas que participariam do projeto.
 
Números suspeitos
Desde a última segunda-feira, 22, quando o programa seria apresentado ao prefeito Gilson de Souza (DEM) num evento que acabou acontecendo com a presença apenas do diretor do Fundo Social de Solidariedade, Alexandre Alonso, a assessoria de imprensa do hospital se nega a dar informações a respeito dos 40 mil testes anunciados três dias antes. Uma porta-voz do hospital chegou a dizer em entrevista ao programa Hora da Verdade, transmitido pela rádio Difusora, que tinha o documento da parceria firmada com o hospital Albert Einstein, mas recusou-se a entregar cópia do documento.
 
Depois, representantes do hospital disseram que esperavam a confirmação da transferência da emenda parlamentar para se pronunciar oficialmente. Dois dias depois, após o GCN divulgar matéria com o coordenador municipal de Saúde, Luiz Vergara, afirmando que nem a verba nem os testes existiam, o Hospital da Caridade emitiu nota acusando o GCN de divulgar fake news. A reportagem tem áudio com as declarações do coordenador, bem como documentos que comprovam que a entrevista onde anunciaram o projeto foi realizada sem que houvesse qualquer participação dos profissionais de Saúde da prefeitura de Franca, que desconheciam a iniciativa. 
 
Nota da Redação
O portal GCN e a rádio Difusora AM 1030 foram os primeiros a publicar o ambicioso programa de testagem em massa da população. Tão logo a primeira notícia foi veiculada, dúvidas e inconsistências se tornaram flagrantes, quer seja pela dimensão, quer seja pelos recursos necessários para implementá-lo. Desde então, as equipes de jornalismo tentam entender como seriam realizados os 40 mil testes em Franca e com que recursos seriam financiados. No processo de apuração, deparou-se com todos os envolvidos, citados pelo próprio Hospital da Caridade, descartando participação na parceria ou negando a existência da verba.
 
Há cerca de 10 dias, segue trabalhando no caso para buscar as respostas que o Hospital da Caridade se recusa a passar. Todo esse processo de apuração e, consequente, publicação dos desdobramentos são regrados pelo comprometimento com seus leitores e ouvintes e balizados na ética do jornalismo, que sempre regeu as empresas.


COMENTÁRIOS

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  • Lívia
    5 dias atrás 3 Curtiram
    A roubalheira que esses bandidos estão fazendo com a desculpa de combater a pandemia devia ser investigada. Isso é criminoso, querem quebrar o país e saquear o povo. E a desculpa do isolamento é perfeita, pq o povo não pode bem reclamar. É preciso que prendam os governadores e prefeitos comunistas ladrões. Cadeia neles.
  • Tiago
    5 dias atrás 1 Curtiu
    Só uma mentirinha básica para arredar dinheiro , nada de anormal.
  • Sérgio Rodrigues
    5 dias atrás
    Uma professora que mente ter doutorado em Harvard, um ministro da educação com vários títulos nulos agora uma parceira que jamais existiu.Onde queremos chegar com tamanho \"descaramento \"
  • Jose osmar
    5 dias atrás 1 Curtiu
    Tem caroço nesse caroço ,alias inventaram uns parametros estranhos para fechar Franca ,enquanto isso Sao Paulo esta de portas abertas ate mesmo os botecos ,algo estranho e otransporte publico também sempre lotado na Capital ,que Raio de quarentena e essa ,ate parece que querem que a população mais pobre se infecte , ou sera que isso nao passa de uma politicalha esquerdista made in China.
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