25 de setembro de 2020

Nossas Letras

O impossível acontece

Antes de se casar com moça alemã, o editor nova-iorquino Michael Shermer recebeu da noiva vários pertences despachados pelo correio em caixas. Entre eles, um rádio quebrado que havia pertencido ao querido avô dela, falecido há muitos anos - Sônia Machiavelli

Nossas Letras 16/08/2020

Antes de se casar com moça alemã, o editor nova-iorquino Michael Shermer recebeu da noiva vários pertences despachados pelo correio em caixas. Entre eles, um rádio quebrado que havia pertencido ao querido avô dela, falecido há muitos anos. Apesar de habilidoso, o jornalista não conseguiu consertar o aparelho, que ficou esquecido numa gaveta. No dia do casamento, na hora da cerimônia, uma música começou a tocar no segundo andar da casa. Os presentes procuravam identificar de onde vinha o som, se de laptops, iPhones, etc, quando os noivos descobriram que a música vinha do rádio. “Meu avô está aqui com a gente”, disse a moça, aos prantos. O casal deixou o rádio tocar a noite inteira. No dia seguinte, tão misteriosamente como havia começado, parou de funcionar.

Tania Luhrmann, professora de antropologia da Universidade de Stanford, estava num trem a trabalho. Lia um livro sobre o homem que iria entrevistar naquela tarde, pessoa cujo conhecimento profundo de rituais mágicos causava espanto. Quando tentava entender como seria aquele ser de poderes especiais, Tania começou a perceber uma energia que emanava de seu corpo. “Senti muito calor e tive a sensação de estar intensamente viva. Essa sensação ocupou meu corpo, viajando através dele como água fluindo num rio. De repente, vi fumaça saindo da minha mochila, onde havia guardado o farol de minha bicicleta. Quando fui examiná-lo, percebi que uma das lâmpadas havia derretido, mesmo estando apagada.”

Quem relata os casos é Marcelo Gleiser, cientista de renome mundial, professor de física e astronomia, também escritor. Em 2019 recebeu o Prêmio Templeton, considerado o “Nobel da Espiritualidade”. Homem de ciência, sempre pesquisando, estudando e escrevendo, seu mais recente livro é “O Caldeirão Azul’, que ganhei de amiga muito querida. Num dos capítulos conta os dois fatos citados e ainda outro que ele próprio protagonizou aos 17 anos, na casa da família, no Rio de Janeiro.

 Seu pai recebia o ex-ministro da Justiça de Portugal para um jantar. Ofereceu-lhe um de seus melhores uísques. O convidado, ao tomar o primeiro gole, disse que aquilo não era uísque e sim chá. O anfitrião pediu licença e foi à cozinha, desconfiado de que a cozinheira, mãe de santo, houvesse levado seu escocês para o terreiro e colocado no lugar um chá da mesma cor. Ela confessou no ato. Foi demitida no dia seguinte e saiu rogando praga: “Eu vou, mas algo muito ruim vai acontecer nessa casa!”

Um mês depois, estando o jovem Gleiser sozinho na sala de jantar, numa tarde de sol, algo o fez olhar para o armário onde se guardavam os cristais. “De repente a prateleira superior rachou ao meio, e os copos despencaram sobre a de baixo, que por sua vez caiu sobre a inferior, causando uma avalanche ensurdecedora de cristal se estilhaçando. Em segundos, dezenas de peças preciosas foram destruídas. Mal pisquei os olhos, ouvi outro barulho de vidros quebrando. Olhei na direção oposta da mesa e a prateleira do carrinho também se quebrava, levando com ela todas as garrafas de cristal da Boêmia. Parecia uma bomba explodindo. Fiquei olhando a cena, paralisado, não sei por quanto tempo.  A nova cozinheira, atraída pelo barulho, testemunhou o fato e foi embora naquela noite, dizendo que a casa era mal assombrada.”

Na tentativa de uma explicação racional, pai e filho buscaram informações sobre rotas de jato; terremoto; vibração na frequência ressonante do cristal e até algum tipo de transe hipnótico do rapaz que teria quebrado tudo. Nada fez sentido.

Eu também tive uma experiência inexplicável.  No dia 20 de agosto de 2005, depois de acompanhar em São Paulo a cerimônia de cremação do corpo de meu marido, falecido no dia 18, e ainda atordoada pelo sofrimento físico dele nos últimos três meses, cheguei em Franca e entrei sozinha no apartamento onde morava. Ao abrir a porta, a primeira coisa que vi foi um dos quatro grandes quadros da sala no chão, a uns dois metros da parede.  Meu estresse era tal que apesar do inusitado não consegui pensar. Só no dia seguinte procurei saber o que acontecera, pois o quadro era muito pesado e fixado à parede em dois ganchos, de forma que dali só sairia com o movimento de quatro fortes mãos. Quando minha funcionária chegou, conversamos sobre o momento de luto que eu começava a enfrentar e depois falei sobre o quadro. Ela correu surpresa à sala e voltou visivelmente perturbada: “Não sei o que aconteceu! Limpei o pó da moldura ontem, com o espanador. Nunca tirei da parede nem conseguiria, ele é muito pesado! E ninguém entrou aqui.”  Conferi com o zelador, mas nem precisava; Elza tinha minha total confiança, trabalhava há anos para mim. Ninguém subia a meu apartamento desde que Correa fora internado na UTI, semanas antes.

Termino com o comentário de Marcelo Gleiser, cientista e agnóstico, mas não ateu, sobre casos extraordinários que podem acontecer conosco: “estamos cercados pelo desconhecido, por mistérios que permanecem inescrutáveis. O projeto científico é  uma tentativa  de elucidar alguns desses mistérios, algo que a ciência faz com enorme sucesso. Porém, existirá sempre algo que nos escapa.” E termina assim: “Um pouco de inexplicável faz bem, nos deixa um pouco inseguros, nos convidando a imaginar o que pode existir além do possível. “

E você, leitor que chega até aqui. Já lhe aconteceu algo do tipo? Conte pra mim! 

 

 

 

 

 

 

 



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