01 de dezembro de 2020

Franca

DESESPERO

Prédio do City Petrópolis corre risco de desabamento e ameaça 16 famílias

Defesa Civil interditou o bloco 2A, que abriga quase 70 pessoas. Mas, ainda assim, local não foi desabrigado por nenhuma das 16 famílias. Sem solução e dinheiro para a obra, os moradores se sentem abandonados pelas autoridades e temem pelo pior.

Franca 30/10/2020
Higor Goulart
da Redação
Dirceu Garcia/GCN
Há quase cinco meses, sistema de esgoto dos prédios ficou entupido, deixando o solo comprometido e criando risco de desabamento
Medo, descaso e abandono. Esses são os sentimentos que cercam os moradores dos prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) no City Petrópolis. Isso porquê, há anos, os donos dos apartamentos do conjunto habitacional sofrem com a precária situação do esgoto. Mas, agora, a questão piorou e um dos blocos passou a correr risco de desabamento.
 
A situação extrema se deu por conta da falta de manutenção, que foi praticamente zero desde 1997, quando os prédios foram entregues pela companhia. Mas passou a ser evidente há cinco meses, assim que os dutos ficaram completamente entupidos e todo o esgoto ficou sem ter para onde ir. 
 
Logo, com a quantidade de dejetos e água acumulada, as encanações estouraram, infiltrando todo o solo. Com isso, segundo relatório da Defesa Civil, assinado pelo engenheiro Marco Matias Costa, “a compactação do solo ficou enfraquecida comprometendo o piso externo e interno dos apartamentos do térreo e, como consequência, este poderá implodir a qualquer momento, colocando os habitantes que transitem pelo local em risco”. 
 
A vistoria foi realizada há quase uma semana, no dia 23 de outubro. Desde então, por decisão do técnico, todo o bloco 2A, parte mais comprometida e que corre grande risco de desmoronamento, foi interditado, mas, ainda assim, tem circulação das 16 famílias que vivem no local, já que as mesmas não têm para onde ir. O pior é que além deste bloco, caso ele caia, os demais também serão levados, colocando em risco quase 70 apartamentos. 
 
Sem saber o que fazer por não ter um destino, alguns moradores foram até a Secretaria de Ação Social, buscar uma solução. A resposta, no entanto, não foi a que esperavam, segundo conta Alex Sandro Dias, que mora com sua mulher e filha há mais de dez anos em um apartamento do bloco.
 
“Fomos na assistência social da Prefeitura e nos disseram que não tinham condições de pagar 16 aluguéis para desocuparmos tudo.” A sugestão, então, de quem estava presente no órgão, foi que os moradores procurassem parentes que pudessem abrigá-los até resolver a situação.
 
O conselho não foi muito bem recebido, já que poucos moradores têm parentes que podem abrigar alguém neste período de pandemia. “Não é todo mundo que tem um parente que tem condição de abrigar. Agora tem família que tem quatro ou até seis pessoas que moram no apartamento. A maioria não tem condições. Um ou dois conseguem ir para família.”
 
Desesperados, os moradores que tomaram frente, como Alex, foram atrás de um orçamento para consertar as tubulações. Inicialmente, o valor ficaria em torno de R$ 18 mil, mas quase dobrou, indo para R$ 30 mil devido ao agravamento da situação. “Nos sugeriram pegar todos os moradores e ficaria uma quantia de R$ 300 para cada um”, contou Alex. 
 
Mas, apesar de um valor considerado pequeno para muitos, nem todos tiveram condições, já que a pandemia também trouxe um grande desemprego para os moradores. Com isso, segundo a moradora Gislene Rogéria dos Santos, que vive no local há cinco anos, muitos preferem não acreditar no risco de desabamento. “Um ali vira e fala que não tem nada a ver. O outro pega e fala que não vai ajudar. Aí vamos dar R$ 300. Isso é o preço que pagamos para morar por aluguel. Aí vamos pagar a prestação e mais esse valor para poder arrumar?”, questionou Gislene.
 
A mulher ainda conta que, além de um cheiro insuportável, a situação aumentou o número de ratos nas residências e trouxe o medo de adquirir alguma doença. “No meu prédio tem até ratazana. Você não pode deixar a porta aberta, por que quem aguenta?”.
 
Sem qualquer solução e com o risco de desabamento aumentando a cada dia, os moradores temem pelo pior e fizeram até protesto nesta última quarta-feira, 28, fechando uma avenida, mas, mesmo assim, não recebendo muita atenção durante o movimento.
 
“Ontem fomos lá, fechamos a rua, colamos cartaz, mas quem respeitou? Um motoqueiro mostrou o dedo para nós e tinha um monte de criança. Acho que o povo deveria ter um pouco mais de consciência de vir ajudar a gente. As pessoas e autoridades têm condição”, afirmou Gislene. 
 
Sem ajuda, os moradores quase não conseguem dormir, com medo do pior. “A gente meio que não dorme. É igual os moradores falam: vamos dormir de dia e, de noite, a gente fica acordado, para cuidarmos uns dos outros. O único bem que nós temos... É isso que temos para morar, se não para onde vamos?”, disse a mulher.
 
A mesma situação é relatada por Alex, que se assusta até quando um caminhão passa próximo ao bloco. “Não estamos dormindo. Passa um caminhão e parece que balança tudo. Passa um carro de som e treme tudo também. E sentimos isso de dentro da casa.”
 
Apesar do medo e sensação de abandono que rondam a cabeça de cada um dos residentes, eles se alimentam da esperança de que um dia alguém tomará uma atitude. “Tenho uma sensação de medo, abandono, descaso... E, hoje, infelizmente, estão mais preocupados com as campanhas eleitorais do que com o povo”, finalizou Alex.


COMENTÁRIOS

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  • Rosinei Kalil
    30/10/2020 1 Curtiu
    Boa noite. Vocês ja tentaram entrar em contato com o CDHU em Ribeirão?
  • euripedes soares da silva junior
    30/10/2020 1 Curtiu
    este problema é antigo no petropolis só os moradores se acomodarão e deixou chegar nesta situação morei lá a desseseis anos atrás não se consegui fazer melhorias pois niguem chega em consenso com nada eu na minha humilde opinião temos que cuidar de onde moramos
  • Franca
    30/10/2020
    Procurem o Ministerio Publico
  • Fernando Cesar David
    30/10/2020
    Eu acho ingrassado ninguém ser responssável pelo problema, e a CDHU fala que falto manutenção. Quem construiu o prédio? Quem foi o engenheiro que assinou a obra?
  • Sebastião
    30/10/2020 1 Curtiu
    Hora boa de conversar com o prefeito que diz que se preocupa com a população e com os candidatos que juram que vão consertar tudo e acabar com todas sa subidas. Mas...será que eles estão mesmo preocupados com a população??, ou será que o que eles querem outras coisas??, problema de pobre é problema de pobre, em época de eleições um pouco menos, aproveitem o momento, depois eles somem e não querem nem saber de vocês.
  • Maria Silvia Ferreira Novato Dias
    30/10/2020 1 Curtiu
    Fico me perguntando porque a CDHU revitalizou muitos predinhos aqui no Leporace mais os mais antigos não. Como estes do city Petrópolis. Como proprietária de um apartamento no Leporace conversei com o representante da CDHU ele falou que estes predinhos são responsabilidade da prefeitura.
  • Antonio Carlos
    30/10/2020 1 Curtiu
    Conversem com os candidatos pra ver como eles agora dirão que vão resolver o problema (se ganharem a eleição, é claro) e conversem depois com o que ganhar pra ver o que é um autêntico desconversar.
  • souza
    30/10/2020 2 Curtiram
    Agora não adianta jogar nas costas de candidato isto na verdade é um relaxo dos moradores mesmo que na hora das reunião não participa e nunca querem aber de nada, falo por que já morei la e sei como é
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