29 de novembro de 2020

Franca

EFEITOS

Pandemia atrapalha, mas não ofusca celebrações do Dia da Consciência Negra

Grande exemplo das consequências desse obstáculo é a decisão da Prefeitura, que costumava marcar uma extensa agenda com atrações - como shows e atividades culturais - relacionadas à data, e não fará nada este ano. A maioria dos eventos acontecerá via internet.

Franca 20/11/2020
Lucas Faleiros
da Redação
Divulgação
Encontro realizado na Escola Estadual 'Prof. Michel Haber' enfatiza cultura afrodescendente
O Dia da Consciência Negra, feriado municipal comemorado nesta sexta-feira, 20, não terá o volume de eventos que, em anos anteriores, foi visto em Franca. A pandemia, com todos os seus efeitos e perigos, atrapalhou as celebrações, já que as aglomerações e festas não são permitidas nem aconselháveis durante o período. Grande exemplo dessa consequência é a decisão da Prefeitura, que costumava marcar uma extensa agenda com atrações - como shows e atividades culturais - relacionadas à data, e não fará nada este ano.

A maioria dos eventos acontecerão via internet. Nesta quinta-feira, 18, foi realizado o sarau online “Versos de Resistência”, apresentado pelo grupo Sarau das Pretas com a participação do poeta Carlos de Assumpção. O encontro começou a ser transmitido às 20h, pela plataforma Zoom, e pode ser acessado no link http://bit.ly/sarauresistencia4.

A Escola Estadual "Prof. Michel Haber", no bairro Jardim Paulistano, que tradicionalmente promove eventos pela valorização da cultura afrodescendente realizou uma exposição fechada na última terça-feira, 17. “Por conta da pandemia, recebemos um número limitado de convidados. Foram 50 pessoas dentre representantes da educação, da comunidade negra e de nossa comunidade escolar”, disse Katielle Silva Fonseca.

Katielle é mãe, mulher, negra, agente cultural, educadora, empreendedora e gestora da escola. Segundo ela, as atrações promovidas anualmente pela EE "Prof. Michel Haber" têm como objetivo enaltecer a comunidade negra. “Buscamos fortalecer nossa história e nossa cultura, através da mostra do nosso acervo cultural, junto de atividades produzidas em 2020 pelos alunos de forma remota.”

Além das exposições, foram promovidas a degustação de comidas típicas e uma roda de música e poesia também comandada por Carlos de Assumpção, patrono do projeto.

A Unesp, através de seus grupos de pesquisa AFROntar e Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão, vai realizar a “III Semana Preta – A Luta Antirracista no Brasil”. Nos dias 26 e 27 deste mês, a faculdade irá transmitir, em seu canal do Youtube, palestras sobre os temas que envolvem a luta do movimento negro no Brasil e a educação antirracista.

O radialista Marcelo Valim, que em 2006, ainda como vereador, implantou o Dia da Consciência Negra como feriado no calendário municipal, disse que esta é uma data "muito importante e feita especialmente para a raça negra".

"É de fundamental importância para que as pessoas se conscientizem com relação ao que o negro passou em épocas passadas. Foram diversas pessoas de nossa cor retiradas de seus lares, estupradas, violentadas, chicoteadas e espancadas. A gente tem que parar e pensar um pouco. Daí o nome do feriado: ‘Consciência Negra’. Outra coisa que falta é união. As pessoas precisam parar de se chamar como morenos ou cor de chocolate. Não existe isso. Somos brancos ou negros."

O presidente do Comdecon (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Franca), Carlos Eduardo Silva, também conhecido como Dú, comentou sobre a questão de o comércio operar normalmente no feriado.

“Acho errado. Nós já lutamos contra isso e até mesmo matérias foram feitas. O pior de tudo é que, como a data é um feriado municipal, as empresas precisam pagar o salário de quem trabalha de forma integral. E isso, infelizmente, muitas vezes não acontece. Elas mentem para os funcionários e dizem que é ponto facultativo.”



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  • darsio
    20/11/2020
    Essa data é tão importante para que possamos refletir sobre nossas ideias e ações e, a partir desse exercício buscar eliminar toda e qualquer forma de preconceito, bem como apoiar a luta pela igualdade de oportunidades. Mas, o que falar de Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares? Um negro que, se comporta como uma espécie de capitão do mato e, que ao invés de defender essa luta, tem procurado difamar os movimentos de defesa pela inclusão dos negros na sociedade. Um negro que não reconhece o dia da Consciência Negra e Zumbi dos Palmares, mas que não abre mão do cargo de presidente da instituição pública que leva o nome dessa importante personalidade histórica afro-brasileiro, pois certamente busca se aproveitar do cabide de emprego na bozolândia. Um sujeito que tem difamado personalidades da nossa história e cultura (incluindo políticos, músicos, atores e atrizes), protagonistas da luta por direitos e oportunidades iguais. Um negro que, com todas as letras diz que a escravidão fez bem aos negros. Que nega a violência sofrida por muitos negros, durante e após a escravidão. Um negro que nega toda a produção acadêmica de seu pai e ignora o seu ativismo pelos direitos da população negra. Sérgio Camargo é a essência do preconceito desse governo que, como temos visto, vai na contramão da democracia.
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