29 de novembro de 2020

Brasil e Mundo

VIOLÊNCIA

Homem negro é espancado e morto por segurança e PM em Carrefour de Porto Alegre

Informações apontam que os agressores foram um segurança e um PM temporário. A vítima, João Alberto Silveira Freitas, tinha 40 anos. A Polícia Civil do Estado investiga o crime.

Brasil e Mundo 20/11/2020

Estadão Conteúdo
Reprodução
Um homem negro foi espancado e morto por dois homens brancos em uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite desta quinta-feira, 19. Informações apontam que os agressores foram um segurança e um PM temporário. A vítima, João Alberto Silveira Freitas, tinha 40 anos. A Polícia Civil do Estado investiga o crime. Nesta sexta-feira, 20, comemora-se o Dia da Consciência Negra.

De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa, teria havido um desentendimento entre a vítima e funcionários. Testemunhas disseram que João Alberto fez "gestos agressivos" dentro do supermercado enquanto passava as compras pelo caixa. "Não foi nada muito grave", diz o delegado. Neste momento, os seguranças foram chamados e o conduziram para fora da loja. A esposa da vítima seguiu dentro do estabelecimento finalizando a compra.

Segundo Bodoia, câmeras de segurança mostraram o homem desferindo um soco no segurança. Neste momento teriam começado as agressões. Além do segurança do Carrefour, um policial militar temporário que estaria no local como cliente também participou do crime. Quando a esposa de João Alberto saiu do supermercado em direção ao estacionamento, viu a cena. Uma ambulância do Samu foi ao local e tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu às agressões. Os suspeitos foram presos em flagrante.

O delegado afirma ainda que nenhuma arma foi usada no crime. A perícia no local foi realizada no fim da noite desta quinta-feira. Agora, a polícia vai analisar as imagens de câmeras de segurança e de testemunhas e vai colher depoimentos.

Em um vídeo que circula pela redes sociais, a vítima está gritando enquanto recebe socos no rosto. Ao fundo, uma pessoa grita "vamos chamar a Brigada (Militar)". Uma mulher vestindo uma camisa branca e um crachá, que também seria funcionária do supermercado, aparece ao lado dos agressores filmando a ação. Ela já foi identificada e será ouvida.

Em nota, o Grupo Carrefour considerou a morte "brutal" e disse que "adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos". Afirmou também que vai romper o contrato com a empresa responsável pelos seguranças e que o funcionário que estava no comando da loja durante o crime "será desligado". O grupo disse ainda que a loja será fechada em respeito à vítima e que dará o "suporte necessário" à família da vítima.

Leia a nota na íntegra:

"O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente.

Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais".


Histórico de agressões

Outro fato semelhante aconteceu no supermercado Extra, do grupo GPA, em fevereiro do ano passado. Pedro Gonzaga, um jovem negro de 19 anos, foi imobilizado e morto por um segurança de uma unidade do Rio de Janeiro. Na época, imagens mostravam o segurança deitado sobre o jovem, que estava aparentemente desacordado. As investigações apontaram que a vítima não portava armas e não oferecia risco algum.

Esta também não é a primeira vez que o Grupo Carrefour protagoniza uma história de agressão. Em dezembro de 2018, um outro segurança do supermercado que trabalhava em uma unidade de Osasco (SP) confessou ter envenenado um cachorro e, depois, o espancou até a morte. Meses depois, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) estipulou que o Carrefour deveria pagar R$ 1 milhão em razão dos maus-tratos cometidos pelo funcionário. O fato gerou grande mobilização nas redes sociais.



COMENTÁRIOS

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  • Carlos
    21/11/2020
    Todos os seguranças de supermercados são truculentos e exagerados... tem supermercado que possui equipe de seguranças maior do que de vendedores, centenas de câmeras de monitoramento, ao menor deslize de atitudes como comer um chocolates ou jogar uma uva na boca que o idoso, o negro, a idosa, etc. já é arrastada para uma repartição, onde é emprurrada, vistoriada, xingada, difamada, injuriada, atacada, ameaçada, agredida verbal e fisicamente, contrariando o estatuto do idoso, dos negros, dos deficientes, do ECA, etc. Supermercado são os maiores ladrões, as máquinas deles são sempre viciadas, só erra a favor deles mesmos, estão sempre batendo códigos errados com preço a maior, produtos vencidos, deteriorados, alguns com lacres rompidos, deteriorados, carnes fedendo, as meninas do caixa apressadas passa o código de tarja para leitura óptica rapidinho e repete esfregando várias vezes o que sempre resulta em marcação e cobrança duplicada, duplicidade, que nem todos percebem ou enxergam. Devia haver mais fiscalização e auditoria nas máquinas cheias de vícios.
  • J.C.R.
    21/11/2020 3 Curtiram
    Já fui agredido no transito por diversas vezes, seja moral e físico. A ultima agressão me deixou inseguro, pois foram policiais militares. Testemunhas que virão a agressão física e a manipulação dos acontecidos não quiseram testemunhar devido a possibilidade de represaria. Tive sorte que era no horário nobre e haviam diversas testemunhas, pois no momentos dos acontecidos fui covardemente agredido mesmo não reagindo. Covardes e manipuladores! Já sofri discriminação racial e social por ser ciclista e estudante. Covardes e manipuladores! A justiça Brasileira precisa de revisões logicas nos processos de crimes contra a proteção humana...
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