10 de abril de 2021

Opinião

OPINIÃO

O legado de um D10S

Maradona foi muito mais do que um simples jogador de futebol. Ele representa a humanidade presente - e muitas vezes escondida - nas figuras amadas pelos fãs de esportes.

Opinião 26/11/2020
Lucas Faleiros
Reuters
Maradona é idolatrado pelos argentinos e amado pelos fãs de futebol
“Deus é Deus. Eu sou apenas um jogador de futebol”, disse Diego Armando Maradona em 1991. Como um fã do esporte, é difícil discordar de uma figura tão marcante e especial para o futebol, como foi o argentino. Mas, sim. Em minha opinião, Maradona estava equivocado quando se autodenominou um simples jogador de futebol.

El Pibe de Oro, como foi carinhosamente apelidado no início de sua carreira, se tornou muito mais do que um mero atleta. Nos gramados, era rápido, inteligente, decisivo, raçudo, eficaz e desestabilizava facilmente – inclusive de maneira moral – os seus adversários. Era um craque extremamente brilhante. Com todas as suas qualidades, levou a Argentina ao bi da Copa do Mundo em 1986 e fez com que o mundo voltasse sua atenção para aquele jogador que fisicamente podia até ser pequeno, mas era gigantesco como um todo.

Diego, por mais que tenha feito muito por seu País – justificadamente é o maior ídolo da nação argentina quando o assunto é futebol -, precisa ser dividido com o restante do mundo. Ele é muito mais do que lenda do esporte. É um “D10S”. E deuses, por mais que partam do plano terreno, nunca deixam de existir.

Até agora, falei apenas do jogador Diego Armando Maradona. E não foram só as virtudes mostradas dentro dos gramados e a idolatria do povo argentino que o fizeram se tornar a figura marcante que é. Foi muito mais.

Dos ídolos do futebol, Maradona provavelmente é o mais imperfeito. E isso é ruim? Claro que não. O argentino foi o mais humano dos deuses. Nunca se preocupou em esconder que passava por problemas assim como qualquer outra pessoa – o vício nas drogas era seu principal calvário – e jamais tentou transmitir ser alguém perfeito. Pelo contrário.

Se um jogo pudesse definir quem foi Don Diego, eu escolheria o histórico Argentina 2x1 Inglaterra, da Copa de 86, válido pelas quartas de final. Nele, Maradona foi uma mistura perfeita de... Maradona. No primeiro gol argentino, considerado pela FIFA o “Gol do Século”, ele driblou nada menos que seis ingleses e marcou o que seria seu tento regular mais emblemático – mostrando seu lado talentoso como jogador.

Digo “tento regular” pois, sem dúvidas, o gol mais lembrado da carreira do argentino é o seu segundo naquele mesmo jogo. Após uma bola ser mal recuada pela zaga inglesa, o gênio, sabendo que não conseguiria competir no alto com o goleiro Peter Shilton - que tinha quase 20 centímetros a mais de altura e a vantagem de utilizar as mãos -, cerrou seu punho e saltou para marcar o segundo gol da Argentina, que foi providencial para a classificação dos hermanos e, consequentemente, para a conquista do mundial. Nesse lance, Diego mostrou que também era malandro e não se preocupava em pecar quando buscava a vitória.

A jogada foi apelidada como “La Mano de Dios”, porque Maradona disse que o gol foi marcado “um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus”. O que para muitos poderia ser motivo de vergonha, para ele se tornou um orgulho, já que “foi como roubar a carteira dos ingleses”, em suas palavras. Vale lembrar que, para muitos argentinos, aquela partida funcionou como espécie de vingança pelo conflito entre os dois países na Guerra das Malvinas, encerrada quatro anos antes.

Nesta quarta-feira, 25, aos 60 anos de idade, o ídolo Diego Armando Maradona nos deixou após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ele já passava por problemas de saúde e vinha se recuperando de uma cirurgia na cabeça. Maradona deixa também um vazio no mundo do futebol. Pelé, que é sempre alvo de comparações com o argentino, disse que “perdeu um amigo e o mundo perdeu uma lenda”. Outros grandes jogadores também lamentaram a morte de Diego.

A Argentina está de luto. O mundo está de luto. O futebol está de luto por Maradona.



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