26 de janeiro de 2021

Franca

FRANCA 196 ANOS - SETE DESAFIOS

Como fazer o trânsito de Franca deixar de ser um dos mais assassinos do Estado?

Franca oferece aos seus habitantes mais riscos de sofrer um acidente fatal do que a capital do Estado, São Paulo, proporcionalmente falando.

Franca 28/11/2020
Kaique Castro
da Redação
Reprodução
Bruno Natanael dos Santos, de 29 anos, é uma das vítimas do trânsito de Franca em 2020
O trânsito de Franca, sem sombra de dúvidas, é um problema enorme para a população e para os prefeitos que por aqui passaram e ainda passarão. Nos seus 196 anos de história, a cidade cresceu para todos os lados. No entanto, apesar de sua expansão, é possível visualizar que ela não foi planejada para suportar uma carga grande de veículos em determinados pontos. 
 
Resultado disso é que hoje, com uma frota aproximada de 270 mil veículos - de acordo com a Polícia Militar -, Franca oferece aos seus habitantes mais riscos de sofrer um acidente fatal do que a capital do Estado, São Paulo, proporcionalmente falando. 
 
A comparação é feita em cima de um grupo de 100 mil habitantes. São Paulo, que tem uma população estimada em mais de 12 milhões de pessoas, teve uma taxa de acidentes de 7,3 mortes para cada grupo de 100 mil moradores. Já em Franca, esse número sobe para 15,9 mortes, segundo levantamento da PM.
 
Uma dessas mortes foi a do entregador Bruno Natanael dos Santos, que morreu no último dia 16 de novembro de 2020 após ficar 25 dias internado em decorrência de um grave acidente de moto. Desde 2015, em média, o trânsito francano mata 43 pessoas por ano. 
 
“Ele lutou pela vida 25 dias no hospital. Chegou a conversar, ter uma grande melhora. Mas o ferimento da perna obrigou os médicos a realizarem uma nova cirurgia e, infelizmente, ele não resistiu. Eu fiquei todos os dias com ele no hospital. Conversava com os médicos. Na semana que ele ficou no quarto, eu fiquei com ele, a gente conversava. A voz dele estava baixinha. Tirando a dor na perna, ele estava bem. Brincava comigo, com as enfermeiras", disse a viúva de Bruno, Kátia Mota, que é motorista de vans. O depoimento foi feito ao Sirene Comunicação, grupo de alunos de jornalismo da Unifran. 
 
O acidente de Bruno foi registrado por câmeras de segurança. Nas imagens, é possível ver quando o motociclista sai da rua General Osório e entra na Frei Germano, no sentido Centro-bairro. Em seguida, o entregador bateu com violência na traseira de um caminhão da CPFL, que estava realizando reparos em um poste de energia. Apesar do local estar sinalizado, é possível ver nas imagens que o motociclista não diminui a velocidade e bate com violência na traseira do caminhão.
 
O velório do entregador foi muito comovente. Nele, vários colegas de profissão prestaram uma última homenagem ao companheiro. 
 
“Eu não sei o que vai ser da minha vida agora sem ele. Perdi meu porto seguro, meu tudo. Até nossos cachorros sentem a falta dele. Desde o dia do acidente, quando chega a noite, eu não consigo dormir. Inclusive, o nosso labrador começa a chorar sem parar. Chega a hora que ele (Bruno) tinha o costume de chegar em casa e ele começa a chorar”, finalizou Kátia. 
 
Bruno agora é mais um número de uma triste estatística. Em sua grande maioria, os acidentes fatais contam com o fator da imprudência, como foi a triste e recente história que o portal GCN contou do também entregador Weverton Felício, que morreu na tarde de 25 de outubro de 2020, três dias após o acidente de Bruno.
 
O acidente aconteceu na tarde de domingo, em um cruzamento no Jardim Ângela Rosa, em Franca. O caso de Weverton é um exemplo de que a combinação de imprudência com alta velocidade pode ser fatal. Tudo foi registrado por câmeras de segurança. 
 
Nas imagens, é possível ver o momento exato em que ele avança o sinal de parada obrigatória e acaba sendo atingido por um veículo que seguia em alta velocidade na rua perpendicular.
   
O homem foi socorrido por uma equipe do Corpo de Bombeiros e encaminhado para a Santa Casa de Franca, com traumatismo craniano, mas morreu no início da noite de domingo, 25. 
 
Para os moradores do bairro, o acidente de Weverton poderia ser evitado. No início do ano, a Prefeitura municipal retirou as lombadas da Rua Ângelo Scarabucci. E, somente após a morte do entregador, voltou a implantar um redutor de velocidade na via. 
 
O que precisa ser mudado?
Os números são grandes e preocupantes, vidas são perdidas todos os anos. Somente em 2019, Franca registrou em média 9,58 acidentes por dia. Destes, 3 com vítimas. Os números de mortes são relativamente altos e mostram que a cultura de violência no trânsito da cidade existe.
 
Para o tenente da Polícia Militar, Régis Mendes, a malha viária de Franca não suporta o número de veículos que transitam na cidade diariamente. “Em Franca são mais de 270 mil veículos circulando nas principais avenidas e regiões comerciais e industriais do município. Para que um número desse de veículos circule pela malha viária do município de forma segura, é preciso o envolvimento de todos, inclusive dos pedestres”, afirmou o tenente aos alunos. 
 
Ainda segundo Régis, o comportamento dos cidadãos francanos é o principal dispositivo para que a letalidade no trânsito diminua. “As pessoas precisam respeitar as normas de trânsito, pensando sempre na letalidade. Um acidente pode acontecer e pode ser fatal. Pensando assim, ele refletirá e cumprirá mais as normas. A população é a principal personagem, precisamos nos tornar condutores mais conscientes, deixar de cometer infrações de trânsito. Na esmagadora maioria dos acidentes existem uma ou mais infrações de trânsito cometidas por alguma das partes envolvidas”, finalizou Régis. 
 
Já para o engenheiro especialista em Tráfego, Fernando Velásquez, as soluções necessárias para a redução no número de acidentes passam por engenharia (alterações no espaço urbano); legislação (normas mais rigorosas) e, sobretudo, educação, que levaria a melhorias em longo prazo. 
 
“As soluções passam por políticas públicas, envolvendo órgãos competentes de trânsito, divulgação mais incisiva da legislação, através de campanhas e workshops. A médio prazo, precisamos reduzir a severidade dos acidentes, diminuindo os óbitos e acidentes graves que deixam sequelas que, normalmente, tiram a produtividade das pessoas”, ele afirma.
 
“Precisamos também qualificar melhor o espaço urbano, adequando as ruas para motoristas e pedestres, oferecendo espaços mais seguros e com melhor estrutura, para, assim, reduzir a exposição das pessoas a acidentes.”


COMENTÁRIOS

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  • APARECIDO DONIZETE NUNES
    29/11/2020 6 Curtiram
    A palavtra magica chama-se Educação, sem Educação não se tem respeito ao Idoso, as mulheres , as crianças, aos animais.
  • J.C.R.
    29/11/2020 1 Curtiu
    Saudações colegas, tudo bem! Simples. Sinalização de ciclovias, ciclosrotas e ciclofaixas eficazes, além de lombo faixas e manutenção de buracos eficiente. Inventaram o Tapzap com o intuito de monitoramento dos locais que os moradores reclamam. Entretanto, a lógica de raciocínio esta no monitoramento de buracos e empreita de trabalho através do compartilhamento das informações no GPS. A maneira logica de rastreiar os buracos esta na instalação de cameras com GPS no caminhões de coleta dos resíduos domesticos. O operador visual das câmeras visualiza os buracos nas ruas e classifica no GPS por cores, prioridades e extensão dos trabalhos. A fiscalização do trabalho feito e rastreamento dos buracos com data/hora compartilhada no site da prefeitura, auxilia a população utilizar as vias seguras em obras, além de condecorar com a Lei n° 12.527/11(acesso a informação). Complicado, mas educação é o melhor caminho...
  • Juca do Posto 9
    29/11/2020 1 Curtiu
    Basta ter respeito às leis de trânsito e ao próximo...basta sair na rua pra ver o desrespeito....ninguem tá nem aí pra ninguém, cada um querendo ser melhor que o outro, parece uma guerra...e por aí vai...lamentavel....falta mesmo é educação e coletividade.
  • Sérgio Rodrigues
    29/11/2020
    Mais que acrescentar lombo faixas e ampliar a sinalização é preciso que o próximo chefe do executivo trabalhe em campanhas de educação porém de forma complexa que envolva todos sobre o significado de respeito ao próximo o valor de cada vida e principalmente a punição severa a inconsequentes.
  • Vagner Engracia
    29/11/2020
    Motoristas mal formados, motoristas inseguros, motoristas mal educados, falta de fiscalização e de punição sem falar que a cidade não é amistosa para quem quer andar a pé. Faltam câmeras de monitoramento, faltam radares, falta fiscalização. As pessoas não se importam com a vida própria e a dos outros, mas, se mportam com o bolso. Multas e punições podem resolver o problema.
  • Carlos
    29/11/2020
    Muita gente critica lombadas, lombofaixas e radares, mas no final das contas é uma ideia do governo para evitar que a propria população morra no transito. Se existisse 1 radar por quarteirão com uma multa muito cara por velocidade alta, eu tenho certeza que não haveria tantos acidentes, pois ia pegar no bolso e no bolso dói mais que no corpo. Estão recapeando a venida proximo ai shopping e agora aquilo vai virar uma pista de corrida, se não colocarem umas 3 lombadas na descida, até o natal vai ter um tanto de acidente na curva.
  • Lucas
    29/11/2020
    Pra mim se resume simplismente em falta de EDUCAÇÃO, não há mais o amor ao próximo, a pessoa senta em seu veículo e fod... o outro, está caótico o trânsito nessa cidade...
  • João
    30/11/2020
    Uma boa idéia é tirar as CNH e dar charrete para francano. Assim eles não vão ter problema. Muito ruim de volante.
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