26 de janeiro de 2021

Nossas Letras

Um homem na década de 50

Recebeu dela os cuidados e amor que ela sabia dar, mas um homem tão amoroso como Antônio Mateo não poderia ter morrido numa casa de repouso, distante dos filhos e noras, que tanto amou - Maria Rita Liporoni

Nossas Letras 12/12/2020
Maria Rita Liporoni
Especial para o GCN
O jovem e “mui guapo” Antônio Mateo formou-se Técnico em Contabilidade, contador, termo usado para nomear a pessoa encarregada da escrituração fiscal, financeira e patrimonial de uma empresa. Exigia raciocínio lógico, um nível alto de inteligência e responsabilidade. Esta era a atividade profissional de Antônio Mateo, respeitado e querido por todos. Nesta época, aos homens, tudo lhes era permitido. Eles estudavam, trabalhavam, viajavam enquanto as filhas mulheres ajudavam a mãe, em casa, e preparavam-se para o casamento.

Na vida pessoal era um boêmio, dado a frequentar casas noturnas e a encontrar-se com as damas da noite. Não era adepto de muita bebida, gostava, mesmo, do relacionamento com as mulheres.

Foi muito forte o preconceito que sofreu, quando depois de ter dois filhos com uma delas, comunicou à família o seu casamento e deixou a casa dos pais, já quarentão. A atividade de Laurinda era inaceitável! Muito bela, físico diminuto, cabelos encaracolados e tendo a cor de sua tez bem escura, foi, duplamente, rejeitada pois a família de Antônio tinha a pele branca dos imigrantes europeus e não aceitava a união dos dois.

Antônio Mateo não se importou, vivia sua vida feliz, pois era apaixonado por ela e amava os filhos, incondicionalmente. Trabalhava para dar conforto à família e garantir um futuro seguro para eles.

Laurinda tinha uma vida confortável, um certo luxo e um bom círculo social, mas não se livrara dos hábitos e dos gostos do passado, traindo-o, muitas vezes, por muito tempo com antigos amigos da noite. Uma vez foi denunciada para ele, que a seguiu a contragosto, e que, mesmo comprovando a situação, perdoou-a, após alguns dias, alegando que não poderia viver sem ela.

Com o tempo, dedicando-se com carinho a ele, aos filhos e à casa, pois era caprichosa, ao extremo, foi se acomodando. Ele viveu e cuidou dela, que se tornara dependente do álcool, com dedicação e afeto até sua passagem desta vida. Entristecido, escreveu muitos poemas de amor, todos dedicados a ela e quando lia para os amigos e parentes chorava, copiosamente.

Recebeu dela os cuidados e amor que ela sabia dar, mas um homem tão amoroso como Antônio Mateo não poderia ter morrido numa casa de repouso, distante dos filhos e noras, que tanto amou.



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