26 de janeiro de 2021

Nossas Letras

Fênix

Em 2021, a esperança de bengala espera, do verbo esperançar, por um tapinha nas costas da mãe Terra: passou, passou - Lígia Freitas

Nossas Letras 02/01/2021
Lígia Freitas
Especial para o GCN
Passou, passou..

Com tapinhas nas costas a mãe acalma o filho depois de um susto.

Passou, passou

O verbo do pretérito perfeito mais aguardado por toda uma nação.

2020: um ano de registro, não só nos livros de óbito, mas também nos de história, ciência, filosofia, matemática, economia, astrologia, uma pandemia que atinge todas as áreas e classes sociais, um sentimento coletivo que balança como um pêndulo entre a tristeza e a esperança.

2020: um ano de desordem, tragédia, incerteza, o mistério de algo invisível, a falta de... ar ahhhh

2020: o ano da fênix, uma espécie de prova de resistência, um intensivão do pai, da mãe, dos filhos, da família que não é margarina, não é margarina não; da família real, que não é realeza, não é realeza não.

Assusta ver o vaso quebrado, a ponte estaiada, a comida requentada, o quarto bagunçado, o trabalho num cômodo entalado, a criança que chora dobrado e não quer se calar, a criança assusta o adulto que segura, guarda, finge, esconde, range, range os problemas com os dentes, fica doente, assusta, assusta o adulto com o próprio espelho que é a criança, que chora e sente no seu lugar, chega, e desliga a televisão, põe a criança de castigo, bate na esposa do amigo, ele é o amigo, a esposa em perigo.

O caos bate à porta e se apresenta à família enclausurada nos próprios sentimentos, chegou a hora da fênix: a casa vira lar, o lar vira templo, o tempo monumento.

Os valores mudam como o vento, nada é mais importante do que um abraço apertado, um momento comemorado, o celular de lado, eu e você, quero te ver, esquecer que posso morrer.

Nada é mais importante do que a comunidade, o ser que olhava antes para o umbigo agora olha para o inimigo, usa máscara e álcool como escudo, percebe os absurdos pelo mundo.

Nada é mais importante do que a natureza, outrora abandonada, fiquem em espaços abertos, andem descalços, olha aquele pássaro, que fruta deliciosa e essa flor que cheirosa.

O Doutor recomenda amor pela tela aos idosos, os idosos: onde tudo começou, um poço de sabedoria, um livro aberto, o melhor livro de todas as bibliotecas agora proibido. E o proibido finalmente se torna reconhecido.

Eis um novo ângulo de visão, a pandemia joga luz de holofote na transformação.

Em 2021, a esperança de bengala espera, do verbo esperançar, por um tapinha nas costas da mãe Terra:

passou, passou.



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