08 de março de 2021

Franca

COVID-19

'Quando deixei o hospital fiquei igual a uma boneca de pano', conta paciente recuperada

Pacientes de Franca que tiveram casos graves de coronavírus detalham o período crítico durante o tratamento. Cadeira de rodas, hemodiálise, fisioterapia, são alguns dos processos de recuperação da Covid-19

Franca 17/01/2021
N. Fradique
da Redação
Arquivo pessoal
Dona Rosária e Donizete em fotos recentes: primeiros pacientes graves de Covid em Franca
Francanos que venceram a Covid-19 em sua forma mais grave travam uma batalha todos os dias para voltar a ter uma vida normal, após a cura da doença. O GCN entrevistou nesta semana três pessoas que foram contaminadas com o vírus e estão curadas, mas que ainda sofrem com as sequelas provocadas pelo novo coronavírus.
 
Rosária Genária da Silva Martins, de 71 anos, foi uma das primeiras a ser contaminada na cidade e a vencer a doença. Depois de 17 dias internada na UTI do Hospital São Joaquim, ela recebeu alta no dia 15 de abril do ano passado. À época, “Dona Rosária” disse, horas depois de deixar o hospital: “Deus existe, porque eu nasci de novo”.
 
Agora já curada, Rosária conta sobre o período de tratamento nove meses após deixar o hospital. “Quando eu deixei o hospital fiquei igual a uma boneca de pano. Eu não conseguia andar, não conseguia fazer nada sozinha. Precisava de banho, de comida na boca. Eu precisava da ajuda de meu marido, de meus filhos e dos meus netos. Fiquei na cadeira de rodas 25 dias”, lembrou a dona de casa.
 
Rosária conta que ainda convive com as sequelas deixadas pela doença. “Ficou algumas sequelas. Eu tenho dois dedos da mão que ficaram dormentes, eu sinto muitas dores nas mãos, nos braços...eu passei por um bom pedaço. Minha filha (Alessandra) ficou quase dois meses aqui na minha casa me ajudando, porque a coisa não é brincadeira. Eu precisava ir todas as semanas ao hospital fazer exames e passar pelos médicos dentro de um acompanhamento necessário”. 
 
Donizete de Oliveira, de 64 anos, que passou 18 dias entubado na UTI do Hospital do Coração ano passado, disse ao deixar o hospital dia 20 de maio: “Por 18 dias eu estive morto”.
 
Em nova conversa com o GCN, o sapateiro conta que segue na batalha para ficar livre das sequelas deixadas pelo vírus. “Minha recuperação inicial foi bastante complicada. Eu passei por psicóloga, nutricionista, fisioterapia e precisei fazer hemodiálise. A fisioterapia foi uma parte importante do tratamento para mim. Eu comecei com três sessões por semana depois foi reduzindo com o tempo, até eu receber alta. Já a hemodiálise foram 10 sessões e graças a Deus meus rins voltaram a funcionar”.
 
Donizete, que ganhou 12 quilos após deixar o hospital, diz que ainda sente muito cansaço. “Gostaria de voltar a trabalhar, mas ainda sinto muito cansaço e fraqueza. Graças a Deus estou recuperado uns 90%”.
 
Outro paciente, que conseguiu superar o vírus no primeiro ano da pandemia, é Carlos Ivan Moreira Garcia, de 50 anos. No auge da doença em Franca, ele sofreu com a falta de leitos de UTI e precisou ficar entubado no próprio Pronto Socorro Álvaro Azzuz por dois dias. Após conseguir internação na rede pública, Carlos passou 21 dias internado no Hospital do Coração. Ao receber alta, no começo de setembro, ele disse emocionado: “Eu lutei contra a morte”. 
 
Carlos afirmou, nesta semana, que cada dia é uma luta para vencer as sequelas deixadas pelo vírus. “Continuo na batalha por minha pronta recuperação. Cada dia uma vitória. É muito complicada essa doença. As sequelas ficam e temos que nos habituar com os novos caminhos a trilhar. Estou passando por uma equipe multidisciplinar de médicos, cardiologista, endocrinologista, nutricionista, fisioterapia, pneumologista. Tudo está correndo bem graças a Deus”, contou Carlos, que sempre trabalhou no setor de indústria de calçado.
 
Sobre a nova onda do coronavírus, Carlos lamenta a falta de consciência de algumas pessoas. “Fico muito triste por ver tanta gente brincando com essa doença, ela é muito cruel. A Covid nos pega de surpresa e nos casos mais graves não nos dá chance de recuperação. No meu caso fiquei 2 dias entubado no PS esperando uma vaga. Corri sério risco de morrer por falta de leitos de UTI”.


COMENTÁRIOS

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  • Alceu Vicente da silva
    17/01/2021
    Emocionante os depoimentos,são provas vivas de que não apenas uma gripizinha,como acredita o genocida Bolsonaro é aquela turma de idiotas ,analfabetos que o apoiam
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