12 de abril de 2021

Franca

DRAMA

Falta de leitos de UTI transforma espera em tortura para família: 'É muito triste'; ASSISTA

Milton Nepomuceno contraiu covid-19 e está internado há quatro dias no PS Municipal à espera de um leito. Família segue desesperada aguardando uma chance.

Franca 28/01/2021
Victor Linjardi
da Redação
Arquivo Pessoal
Milton Nepomuceno, sua neta Ana Beatriz e sua esposa Antônia Aparecida da Silva
O drama causado pela falta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para o tratamento da covid-19 assola mais uma família de Franca. O lenhador Milton Nepomuceno, de 66 anos, e seus familiares vivem dias de angústia desde que ele foi internado na última segunda-feira, 25. Milton precisa ser transferido para um leito de tratamento intensivo e não há vagas na rede pública. Por isso, permanece aguardando disponibilidade nas cidades da região.

Após alguns dias de sintomas, como dores no corpo, tosse e falta de ar, Milton realizou um teste rápido na sexta-feira, 22, para saber se estava com a doença. O resultado deu negativo. Sem apresentar melhoras, a família procurou um atendimento médico particular para sanar quaisquer dúvidas. Foi então que confirmou a contaminação pelo coronavírus e precisou ser internado.

Rapidamente atendido no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, ele apresentava baixo índice de saturação e precisou ser tratado com máscara de oxigênio para estabilizar o quadro e não forçar seu pulmão. Agora, o lenhador – por orientação médica – precisa ser transferido para um leito de UTI Covid para que seu tratamento seja concluído de maneira correta e segura.

A filha Naiara Nepomuceno, 21, e a esposa Antônia Aparecida da Silva, 54, também contraíram o vírus, mas estão em casa sem sintomas.

Naiara falou sobre a dor que vem passando nos últimos quatro dias. “Estamos sofrendo muito. Tivemos que tirar as crianças de casa para ficarmos isoladas. Dói muito. Tenho certeza que meu pai sente muita falta dos netos.”

Já o filho Paulo Ricardo Nepomuceno, 31, que é lenhador como o pai, não está contaminado. Ele mora com a mulher e filhos no mesmo terreno que o pai. Para ele, além do sofrimento, a sensação é de impotência. “É um caso muito difícil, não tem leito para ninguém. Meu pai precisa ser transferido e simplesmente não há vagas. Não sabemos o que fazer.”

Paulo critica aqueles que não acreditam na doença e afirma que só quem não passou por uma situação dessa duvidaria. “Essas pessoas que duvidam e ficam falando besteiras, é difícil. Só depois que a gente tem [casos de covid-19] na família que entendemos. É triste ver seu pai internado e sem oxigênio.”

Por fim, o rapaz alerta aqueles que pedem a abertura dos comércios e os convida a ver como é estar dentro do pronto-socorro. “Não é brincadeira. O povo fala para abrir tudo, mas se abrir não para esse vírus. Quem fala isso deveria ir lá no ‘Janjão’ ver a situação. É muito triste.”

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde de Franca confirmou a falta de leitos de UTI Covid e afirmou estar sendo feita a procura por leitos vagos na região.

“A Secretaria de Saúde informa que o paciente foi inserido na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), no dia 25, solicitando vaga em UTI. Diante da inexistência de vagas de UTI Covid na primeira referência (Santa Casa de Franca), a regulação de São Paulo está buscando leito de UTI na região.”



COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.

  • Darsio
    28/01/2021 1 Curtiu
    Com a palavra os negacionistas. Ou diria assassinos?
    • Sandro
      28/01/2021
      As pessoas perderam o equilíbrio. Em regra é 8 ou 80 e isso não sensato. E pior, muita gente agressiva e rude. A doença existe, a taxa de mortalidade comparada a outras doenças é baixa e o desemprego, a fome e a miséria mata mais do que a COVID. Aí temos alguns parâmetros para análises mais coerentes e respeitosas entre todos. Grande problema são aqueles que sabem que estão com COVID e vão trabalhar e não guardam a quarentena. Ficar chamando os outros de assassinos é, por vezes, exagero e denuncia falaciosa sem conhecimento de caso. Quando aparecer uma reportagem de alguém que morreu de fome, ou por não ter dinheiro para comprar remédios ou suicidio por causa de desemprego e dívidas o que falaremos? Chamaremos de assassinos os que defendem lockdown? Devemos ter uma visão mais abrangente para não ficar como repetidores de informações que não entendemos e insensíveis aos outros problemas.
  • Alceu Vicente da silva
    28/01/2021
    Agora cobrem do Bolsonaro, que fez de tudo para a ingênua população não acreditasse na terrível COVID19
  • adilson
    28/01/2021
    CONCERTEZA PAGOU A VIDA INTEIRA O INSS E AGORA QUE PRECISA , O SISTEMA QUE TIRA E ROUBA DA POPULAÇÃO , SIMPLESMENTE IGNORA A SITUAÇÃO , QUE DEUS O RECUPERE , POIS DOS HOMENS ESTA DIFICIL DE ACREDITAR
Veja mais Local

MAIS LIDAS

COLUNISTAS

ECONOMIA Atualizado 1 hora atrás

  • Dólar Comercial:
    Data:
  • Dólar Turismo:
    Data:
  • Euro:
    Data:

LOTERIAS Atualizado 1 hora atrás

  • Mega-Sena:
    Sorteio: , , , , , Data: 30/11/-0001
  • Quina:
    Sorteio: , , , , Data: 30/11/-0001