04 de março de 2021

Nossas Letras

Bath

“Foram os romanos, muito antes da era cristã, que atravessaram meia Europa, cruzaram o Canal da Mancha, chegaram a terras inglesas e construiram os prédios dos banhos que justificam o nome da cidade, Bath”. Conheça mais sobre esse patrimônio da humanidade lendo o texto de Lúcia Helena Maniglia Brigagão

Nossas Letras 06/02/2021
Lúcia Brigagão
Especial para o GCN
Hora e meia de Londres, de carro, trajeto esplêndido com panorama cinematográfico, chega-se à cidade de Bath. Olhar a cidade de cima do morro é de nunca mais esquecer, principalmente porque é provável que no percurso o viajante turista tenha parado em Stonehenge, a estranha e misteriosa estrutura formada por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter 5 metros de altura, pesar quase 5 toneladas e que ninguém sabe por quem, nem quando foi construída. Estranhíssima e misteriosíssima: as gigantescas pedras não são próprias da região.  Percorre o resto do caminho no clima de êxtase, estupor e deslumbramento. E fica assim, durante a visita a Bath.

Ligeiramente tonto com tanta informação sobre tempos de muito antes do Brasil ter sido descoberto,  faz-se a curva pronunciada, pega-se panorâmico cenário descendente e lá em baixo vê-se Bath, a cidade situada no interior do sudoeste da Inglaterra, conhecida por suas fontes termais naturais, pela arquitetura georgiana do século XVIII, pela inesquecível abadia de abóboda em leque, sua magnífica torre e seus grandes vitrais. Extraordinária visão! Construída com pedras conhecidas como “de Bath”, na cor ocre, bastante usada na arquitetura local nos prédios que guardam o aroma das personagens de Jane Austen que morou durante algum tempo na cidade declarada Patrimônio Mundial em 1987, o viajante mergulha no passado assim que visualiza a paisagem estranha a seus olhos acostumados com o que chamamos de progresso: sem prédios altos, mais as delicadas curvas do  rio Avon que corta a cidade, a Ponte Puelteney que lembra a Ponte Vecchio de Firenze, muito, mas mais muito verde que o comumente visto e três construções perfeitamente distinguíveis e inesperadas, majestosas mesmo,  que certamente conhecerá melhor durante os passeios a pé pela cidade.

Foram os romanos, muito antes da era cristã, que atravessaram meia Europa, cruzaram o Canal da Mancha, chegaram a terras inglesas e construiram os prédios dos banhos que justificam o nome da cidade, ainda existentes e intactos no santuário de Minerva, a deusa da fonte sagrada. Essas termas são, séculos depois e ainda hoje, a atração mais visitada e conhecida de Bath. Outras atrações que a cidade oferece disputam, muito próximas, o  título de campeã de preferência...

Pode-se fazer a pé e em algumas horas o trajeto para encontrar as atrações turísiticas de Bath. Entretanto para absorver o clima, receber as informações, perceber os mistérios ocultos atrás de cada estátua do jardim ou dos becos entre as casas, há necessidade de muito mais tempo. Principalmente se o turista é do tipo imaginativo e gosta dos romances de Jane Austen.

A visitação deve, obrigatoriamente, começar pelo Queen Square, quadrado de casas georgianas, considerado primeiro elemento da “sequência arquitetônica mais importante da cidade”, que continua com duas outras construções da mesma época. São imperdíveis, visitas obrigatórias, pois exemplos da mais pura arquitetura georgiana encontrada no Reino Unido. Depois do Queen Square, chega-se ao The Circus, anel histórico de casas geminadas que formam um círculo, com três entradas  e que foi, até pouco tempo atrás, o metro quadrado mais caro do mundo,  reduto de milionários, artistas, principalmente de donos de poços de petróleo.Depois se chega a outra construção igualmente magnífica, o Royal Crescent, fileira de 30 casas, também geminadas, dispostas em um crescente. São todas do século XVIII e, depois de vistas, facilmente identificáveis como cenário de filmes ingleses, sejam aqueles que reproduzem a época dos romances de Jane Austen, como Persuasão,  sejam outros, locados em tempos atuais,  por incrível que pareça. A Abadia de São Pedro e São Paulo forma, com o Queen Square, o Circus e o Royal Crescent os locais de visitação obrigatória de Bath. Fundada no século VII, a Abadia de Bath foi reorganizada no século X e reconstruída nos séculos XII e XVI. É um dos maiores exemplos de arquitetura gótica perpendicular da Inglaterra.  O Reino Unido possui complexo sistema de tombamento de estruturas de especial interesse arquitetônico, histórico ou cultural. Para se avaliar a importância desses prédios, eles são considerados Listed Building I.

Outros locais, igualmente sedutores - do ponto de vista literário, da moda e  da antropologia -  respectivamente, Jane Austen Centre,  Museum of Costume (que está entre os dez mais famosos museus fashionistas do mundo) e o Number 1 Royal Crescent Bath, são assuntos para outro dia.



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