07 de março de 2021

Franca

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Duas mulheres são agredidas por dia em Franca

Das 757 ocorrências registradas no ano passado na cidade, 269 foram no primeiro semestre e 488 no segundo. Os meses com mais ocorrências foram outubro e novembro, com respectivamente 113 e 103 casos.

Franca 21/02/2021
Pedro Baccelli
da Redação
Reprodução
Em abril de 2020, mulher foi agredida pelo marido e câmeras flagraram a violência
Duas mulheres foram agredidas por dia em Franca no ano passado. De janeiro a dezembro, 757 denúncias de violência doméstica contra mulheres foram contabilizadas. O número representa a somatória dos registros recebidos pelo Infocrim (Informações Criminais) e Copom (Centro de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo) on-line.

Das ocorrências recebidas, 269 foram no primeiro semestre e 488 no segundo. Quando comparados os dois períodos, o segundo semestre registrou um aumento de 81,41%. Dois meses ultrapassaram a marca de 100 ocorrências. São eles: outubro, com 113 casos, e novembro, com 103. 
 
Das 757 denúncias, 563 foram realizadas no Infocrim – reclamações feitas na Polícia Civil, Plantão Policial, Delegacia de Polícia ou DDM (Delegacia da Defesa da Mulher). As outras 194 queixas partiram da Polícia Militar, quando acionado o telefone 190. 
 
Casos de violência doméstica em 2020
Em abril do ano passado, uma mulher de 41 anos foi espancada pelo marido de 38 anos, em frente ao condomínio onde moram, em Franca. Nas imagens do circuito de segurança do local, é possível ver a mulher ser covardemente agredida com socos e chutes.

Um homem de 24 anos agrediu o irmão e a própria mãe no Jardim Guanabara, no dia 19 de dezembro
. Ele era usuário de drogas e no dia estava alterado. Na ocasião, jogou óleo nas paredes da residência e ameaçou colocar fogo quando a família estivesse dormindo. Depois, pegou uma tesoura e ameaçou a mãe. O homem deu um soco na boca e puxou o cabelo da mulher. Ele foi preso pela Polícia Militar.  
 
Também no mês de dezembro, um sapateiro de 46 anos foi preso em flagrante após agredir a sua companheira na véspera de Natal, dia 24. O caso aconteceu no Jardim do Líbano. A mulher contou que seu marido, em um momento de fúria, a atacou fisicamente, deixando vários hematomas pelo seu rosto. Ele foi preso e ela foi encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. 
 
Conselho Municipal da Condição Feminina
Marília Martins, presidente do CMCF (Conselho Municipal da Condição Feminina), diz que há um aumento da violência doméstica de forma geral. “A violência contra a mulher, deficiente e idoso aumentou drasticamente. Sabemos disso porque o número de denúncias aumentou, o número de feminicídios aumentou.”
 
Segundo ela, a dependência, seja estrutural ou financeira, por exemplo, é um dos motivos que levam muitas vítimas a não denunciarem o cônjuge. “O que dá medo em muitas mulheres é não ter para onde ir, não ter onde levar os seus filhos. Existe uma dependência financeira.”
 
Para Marília, medidas públicas de reinserção devem ser adotadas. “Precisamos superar a limitação estrutural. (É preciso) Um amparo para que essas pessoas tenham ajuda profissional, não apenas na área da saúde. Capacitação profissional e autonomia financeira (por exemplo), esse é um dos principais pontos a trabalhar, enquanto políticas públicas.”
 
Marília orienta que as vítimas denunciem para evitar um ciclo de violência. “Aconselho a todas as mulheres, homens e pessoas vítimas de violência que denunciem. Primeiro conte para alguém próximo. Peça ajuda e apoio, vá à delegacia. Se necessário peça uma ordem restritiva. Assim vamos evitar a repetição do ciclo da violência e o fatal homicídio.”
 
Projeto Escuta Ativa
Buscando reverter essa realidade, o Projeto Escuta Ativa atende pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente, mulheres vítimas de violência doméstica e/ou familiar. A intenção é entender a situação que a pessoa está vivendo ou vivenciou, promover acolhimento, orientar e encaminhar para atendimento junto a protetiva.  
 
Um dos idealizadores do Projeto, o promotor de Justiça Claudio Escavassini disse que o primeiro passo não é fácil, logo o “Escuta Ativa” veio para ajudar. “Nem sempre é fácil a pessoa saber que está dentro de um ciclo de violência e dar o primeiro passo para dele sair. Por isso, estamos aqui, para ouvir, compreender essa vivência e ajudá-la.”
 
A população pode buscar ajuda ou informações sobre o Projeto Escuta Ativa no Instagram @claudioescavassini e pelo WhatsApp (16) 99184-4403.
 
”Onde peço ajuda?”
Polícia Militar: Tel. 190;
 
Disque Direitos Humanos: Tel. 100;
 
Central de Atendimento à Mulher: Tel. 180; 
 
Polícia Civil: Tel. 197 ou Boletim Eletrônico de Ocorrência
 
CPJ (Central de Polícia Judiciaria): Rua. Dr. Marrey Júnior, 2411, no Jardim São José (antigo Fórum);
 
Delegacia de Defesa da Mulher: Rua Voluntários da Franca, 2557, no Jardim São José – tel. (16) 3724-2649.


COMENTÁRIOS

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  • darsio
    22/02/2021
    Infelizmente a tendência é que a violência contra as mulheres ganhe maior dramaticidade com a liberação de armas pelo bozo, haja vista que muitos machões que se acham os proprietários de suas mulheres, serão aqueles que farão uso de verdadeiros arsenais de guerra para impor suas insanidades. Mortes de mulheres por armas de fogo tende a aumentar. É só esperar pra ver.
  • Isa
    22/02/2021 2 Curtiram
    Discordo com o comentário abaixo, não é pq flexibilizou o porte de armas que todo mundo vai comprar, a maioria das pessoas não tem dinheiro nem pra comprar carne, imagina uma pistola. Mas as mulheres precisam se defender, medida protetiva não serve pra nada, um papel não para o agressor. Garanto que se as mulheres tivessem armadas, homem nenhum levantaria as mãos, pq diante de uma arma meu querido, todo homem que ronca grosso chora feito um neném.
  • darsio
    23/02/2021
    Perguntaria a bolsominion isa se a violência contra a mulher ocorre somente nos lares de pessoas pobres? Tudo bem que, sua fonte de informações se resume apenas ao WhatsApp, mas se ela for além e, se informar de verdade, constatará que, recentemente ocorreram crimes bárbaros em famílias de classe alta e, em comum as mulheres foram as grandes vítimas. Além do mais, a pessoa necessita ser muito ingênua para acreditar que não existirá um mercado paralelo de armas. Aliás, já existem estudos que apontam para uma associação entre a liberação de armas e homicídios envolvendo mulheres.
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