10 de abril de 2021

Obituários

HOMENAGEM

Zum: um legado de simpatia e humildade

José Eurípedes de Oliveira era muito conhecido na cidade por seu carisma e pela paixão que tinha pela música. Seu apelido, Zum, era motivo de orgulho, já que quem lhe chamou assim pela primeira vez foi seu ídolo José Rico, da dupla Milionário e José Rico.

Obituários 05/03/2021
Lucas Faleiros
da Redação
Arquivo pessoal
Na última terça-feira, 2, José Eurípedes de Oliveira, amplamente conhecido como Zum, 59 anos, sofrendo com complicações geradas pela infecção por coronavírus, deixou ensinamentos e um legado muito bonito.

Não há como falar sobre Zum sem citar as suas três grandes paixões: sua família, o seu bar e a música. Tudo isso compunha o seu estilo de vida e moldava sua personalidade. Com a triste partida, que aconteceu de maneira repentina e inesperada, só restou às pessoas que conviviam junto dele sentir saudade e orgulho.

A filha, Maryana Augusta, de 20 anos, conta que seu pai era um homem muito alegre, sociável e trabalhador, tendo passado isso também para ela e suas irmãs. “Ele era muito, muito querido. Nunca teve tristeza no coração. Sempre foi rodeado de amigos. Muito gentil, humilde, educado e carismático. Nunca teve um inimigo. Todo mundo gostava dele. A principal lição que deixou para a gente foi ser assim. Além disso, ele era responsável, guerreiro e muito trabalhador. Sempre falava para nós que o trabalho é a base de tudo”.

Não à toa, uma das coisas que José Eurípedes mais amava era justamente o seu ofício. Dono do Bar do Zum, ele divertia e recebia com muito carinho as pessoas que frequentavam o estabelecimento, localizado na rua Dráuzio Mmdc, no bairro Santa Terezinha, onde também fica a casa da família.

“Ele mexia com bar há 45 anos. Era sua vida. Amava ficar lá, com as pessoas, lidar com o público, sabe? E a gente também ajudava. Eu, minha mãe, minhas irmãs, minha avó... todo mundo. Ele gostava muito de conversar. Tinha uma paciência, um amor, um respeito pelos clientes e amigos que era algo inconfundível. Às vezes o pessoal chegava lá sem dinheiro e ele ‘não, Maryana, pega uma lá pro rapaz’. Nunca negou sequer uma bala para as crianças que passavam lá perto. Comprava pacotes inteiros para dar para eles”.

Com a perda de Zum, a filha diz que não só a família e os companheiros de bar, como todos da região onde ele morava ficaram extremamente decepcionados. “Essa casa onde nós crescemos e fomos criados virou um vazio imenso. Em tudo que a gente toca ou vê, já lembra dele. A rua se tornou triste sem o meu pai. Dava bom dia pra todo mundo que passava, sempre animando os outros. Até quem nunca falou com ele era cumprimentado. O povo acabava parando para conversar. Agora, mudou tudo”, se emociona.

Maryana afirma que até pensa em fazer com que o estabelecimento que seu pai tanto amava siga funcionando, mas que, pelo menos por enquanto, o local vai ficar fechado. “Eu tenho muita vontade de continuar o que ele começou. Ali ficava a vida dele. Quando ele nos ver lá, com certeza vai ficar feliz lá de cima. Só que isso depende da minha família também. O pessoal não está de acordo em abrir agora. Até porque o meu pai mesmo pediu para que a gente não abrisse quando ele ainda estava internado. A preocupação dele era para que nós cuidássemos da nossa mãe. Então, ainda vamos ver como as coisas vão ficar”.


A outra grande paixão de José Eurípedes, a música, curiosamente está ligada de forma direta à maneira como ele conseguiu o seu apelido. “Era fã de carteirinha da dupla Milionário e José Rico. Ainda no comecinho da carreira deles, o meu pai teve um contato muito próximo com o José Rico. Ele vinha aqui no bar. Pegou até a minha irmã no colo quando criança. Um dia, o próprio José Rico o chamou de ‘Zum’. Aí não teve jeito. Pegou. Virou Zum pra cá, Zum pra lá. Nunca mais chamaram pelo nome dele. Ganhou o apelido de seu ídolo”, disse a filha.

Além disso, o amante da música adorava a Difusora e sempre ligava para fazer pedidos especiais. “Ele levantava de madrugada para fazer hemodiálise, mas, antes, sempre telefonava na rádio para pedir canções para os amigos. Às vezes eles nem iam escutar, mas fazia questão de pedir. Ele sempre foi muito ligado a isso. Adorava a rádio. Era Valdes, Everton Lima, Mateuzim... todo mundo. Tenho certeza que era muito querido por lá”.

E era mesmo. Os radialistas citados por Maryana se lembram com carinho de Zum. A começar por Valdes Rodrigues, que cita a forma atenciosa com que ele tratava as pessoas. “Era um querido amigo mesmo. Conheci a sua simpatia. Ele era aquele cara super animado. Recebia todo mundo muito bem lá no seu bar, que é tradicional na Santa Terezinha. Senti muito a partida dele. Ainda mais porque não fiquei sabendo do falecimento a tempo de vê-lo pela última vez”.

Everton Lima também tem ótimas lembranças de José Eurípedes. “Conhecia ele há muitos anos. Deixou uma legião de amigos. É uma perda muito grande. Lamentavelmente, o Zum já vinha sofrendo com alguns problemas de saúde. Ainda assim, nunca deixou o bom humor de lado. Sempre que a gente se encontrava, ele tinha um sorriso, uma palavra de carinho. Era super alegre e muito gentil”.

Mesmo nunca tendo tido contato pessoalmente com o José, Mateuzim da Viola também criou um grande afeto por ele. “A gente só se falou por telefone, por conta do rádio, mas a impressão era de que nos conhecíamos há anos. Tratava todo mundo muito bem, tinha uma energia muito positiva e gostava muito de viver. Não tinha distinção com as pessoas. Rico ou pobre, preto ou branco, todos eram iguais. Sempre carinhoso. Os próprios ouvintes e todo o pessoal da Difusora criaram um sentimento de amizade por ele. Lamento por não ter o conhecido pessoalmente”.

Zum tinha problemas sérios nos rins – os dois órgãos já tinham parado de funcionar – e, devido a isso, precisava fazer hemodiálise várias vezes por semana há cerca de 17 anos. Fora isso, também tinha pressão alta e diabetes. Há alguns dias, um exame realizado por José Eurípedes acusou que ele já havia sido infectado com o coronavírus. Depois de algumas idas e vindas ao pronto-socorro, ele foi internado, intubado e acabou não resistindo após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias. Mesmo tento tido covid-19, sua esposa, Paula, e as suas filhas, Maryana, Aleanda e Eleonora, não contraíram a doença.

Para toda a sua família, amigos e admiradores, resta agora lembrar dos bons momentos vividos ao lado de Zum. “A única coisa que meu pai deixou foi saudade. Lembranças das coisas boas que ele fez em vida. Eu posso dizer que, nos meus 20 anos, ele só foi amor, carinho e atenção com as pessoas. Ninguém falava mal. Era um ser-humano inexplicável”, finalizou Maryana.



COMENTÁRIOS

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  • Lee Santana
    05/03/2021 2 Curtiram
    ENQUANTO ISSO SEM MI MI MI, E SEM FRESCURA, O IMBECIL, CINICO, HIPÓCRITA E MAL CARATER DO BOLSONARO É A FAVOR QUE A MÃE DELE TOME A VACINA, MAS QUE AS MÃES DOS OUTROS NÃO TOMEM A VACINA E SE TRATEM COM CLOROQUINA !!!!!!
  • Lee Santana
    05/03/2021 1 Curtiu
    ENQUANTO ISSO SEM MI MI MI, SEM FRESCURA, E COM UMA NOVA MANSÃO DE 6 MILHÕES DE REAIS COMPRADA (SÓ DEUS SABE COMO) PELO FILHO, O IMBECIL, CINICO, HIPÓCRITA, MAL CARATER E HONESTISSIMO BOLSONARO É A FAVOR QUE A MÃE DELE TOME A VACINA, MAS QUE AS MÃES DOS OUTROS NÃO TOMEM A VACINA E SE TRATEM COM CLOROQUINA !!!!!!
  • Alceu Vicente da silva⁹
    05/03/2021
    Com tantos francana perdendo a vida para e até terrível mal,será que aqueles francana que ainda defendem este genocida conseguem colocar a cabeça no travesseiro e dormir
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