10 de abril de 2021

Nossas Letras

Chanel Nº 5

“ Perguntada numa reportagem da revista Life o que usava para dormir, se camisola, pijama, apenas camiseta, ela (MM)respondeu bombasticamente que “Somente uma gota de Chanel Nº 5, off course!”.

Nossas Letras 13/03/2021
Lúcia Brigagão
Especial para o GCN
Lançado em 1921, o primeiro perfume da Maison Chanel foi criado com a pretensão de ter aroma inimitável e ser, segundo as palavras de Coco Chanel que o assinava, “perfume com cheiro de mulher”.  Sobre seu nome, há folclore de sobra. Há quem garanta que o motivo seria ter sido o quinto aroma a ser produzido, enquanto os produtores buscavam o cheiro perfeito. Quem o pode afirmar? Ernest Beaux apresentou a Chanel duas séries de amostras das composições enumeradas de 1 a 5 e de 20 a 24. Ela teria escolhido aleatoriamente, segundo a legenda: “amostra número cinco”. À pergunta “Que nome você vai dar à fragrância?”, ela teria respondido: “Lanço minha coleção no dia 5 de maio, quinto mês do ano. Vamos chamá-la Nº 5, que certamente lhe dará sorte!” De certeza, apenas que foi o primeiro a incorporar em sua fórmula o componente aldeído, “nota sintética capaz de realçar o aroma dos ingredientes naturais presentes na composição”.

Icônicos nomes da moda – incluindo a própria Coco Chanel - e do cinema ilustraram as campanhas publicitárias do Chanel Nº 5 ao longo de sua existência.  Claro, a primeira imagem foi associada àquela que o assinava, para marcar dramaticamente seu produto. Mas outras mulheres – e um único homem - emprestaram seus nomes e imagens para divulgá-lo. Marie-Hélène Arnaud, foi a primeira depois de Chanel; depois sucessivamente grandes estrelas como Suzy Parker, Ali MacGraw, Candice Bergen, Lauren Hutton, Jean Shrimpton, Catherine Deneuve, Estella Warren no filme publicitário O Chapeuzinho Vermelho, Carole Bouquet, Nicole Kidman e Andrey Tautou. Apenas um homem apareceu como divulgador, nada menos que Brad Pitt. No entanto, em 1952, declaração de Marilyn Monroe, à época a atriz mais legendária de Hollywood, mas que não era a musa do perfume, a tornaria sua mais famosa garota propaganda. Perguntada numa reportagem da revista Life o que usava para dormir, se camisola, pijama, apenas camiseta, ela respondeu bombasticamente que “Somente uma gota de Chanel Nº 5, off course!”.  Em 2013 Chanel utilizaria imagens e registros da declaração da deusa loira contidos nos arquivos da revista, para realizar campanha, usando a atriz como alavanca de vendas.  

O perfume que leva a assinatura de Mlle. Chanel, criação do perfumista Ernest Beaux,  foi mais que sucesso de vendagem: reflete igualmente o tino empresarial da criadora. No livro de Tilar J. Mazzeo, “O Segredo do Chanel Nº 5: A história íntima do perfume mais famoso do mundo”, a autora relembra a elaborada e estratégica apresentação do produto, que incluiu jantar comemorativo em restaurante exclusivo em Cannes, com o ar ao redor de sua mesa furtivamente perfumado com a nova fragrância. “O efeito foi surpreendente, declarou Chanel: todas as mulheres que passavam perto da nossa mesa paravam e aspiravam o ar.” Também promoveram o produto as brilhantes ações de marketing da criadora, que o transformou em símbolo da cultura francesa a ponto de ser identificado como ícone da Resistência durante a Segunda Guerra Mundial, a despeito das suas estranhas ligações com os alemães.

O livro de Mazzeo analisa a trajetória daquela que se tornou a fragrância mais famosa do mundo sinônimo de sensualidade e sofisticação, conhecida entre os especialistas como “le monstre”, ícone da feminilidade desde o começo do século XX e até hoje com lugar de destaque na galeria de objetos de desejo entre os produtos considerados de luxo. Ao mesmo tempo busca entender, através da história de Chanel cheia de percalços e tristezas, o processo pelo qual o Rallet nº 1, aroma favorito das mulheres da dinastia Romanov que desapareceu junto com a Rússia Imperial, renasce em terras francesas. Afinal, aperfeiçoado, o Rallet  se transformaria no Chanel nº 5.

“Aroma sexy e provocante, ao mesmo tempo sofisticado e feminino, que combina buquê natural com sintético e que atuam em sutil equilíbrio”:  é a definição do perfume mais famoso do mundo. Seu sucesso entretanto, não está apenas na excelência do produto, em estratégias de marketing ou na vida de sua criadora. O fator diferencial é a fascinação coletiva que o perfume desperta: em média, a cada 30 segundos um vidro dele é vendido em algum lugar do planeta, o que o fez, por anos, o campeão de vendas no mundo. “As mulheres, desde a década de 1920, se rendem ao charme da fragrância, como aconteceu com Marilyn Monroe.” É perfume de mulher, com cheiro de mulher, tal qual exigiu Mlle. Chanel. Para homenageá-lo, o MoMA – Museu d Arte Moderna de New York – o incluiu entre os itens das suas coleções permanentes. E Andy Warhol o transformou em obra de arte da serigrafia nos anos 80.

(Por muitos anos o perfume mais vendido na França, o Chanel Nº 5 perdeu seu lugar em 2011 para J´Adore, de Christian Dior.)  



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