10 de abril de 2021

Nossas Letras

Um ano de pandemia

“Um ano se passou desde o início da pandemia e várias novas “drogas lícitas” são liberadas para uma noite de sono, para tentar dormir e acordar na esperança de que tudo era apenas um pesadelo.”

Nossas Letras 20/03/2021
Baltazar Gonçalves
Especial para o GCN
Hoje faço uso desse espaço para dar voz à outra pessoa da comunidade francana. Lucas Dourado não é escritor, ele é pai de família e empreendedor, uma pessoa vivendo os conflitos que pandemia tem nos chamado a superar. Nesse texto, ouço a voz de milhares de pessoas anônimas que representam nossa comunidade.

Um ano se passou desde o início da pandemia e muitas vidas se foram pelo caminho. Meus sentimentos a todas as famílias pelas perdas de seus entes queridos. Também meus sentimentos a cada empresário que fechou as portas, e emprego perdido.

A Covid-19 foi e está vindo mais cruel, infelizmente! Porém, a ganância e a estupidez, os roubos aos cofres públicos mesmo diante de crise sanitária tão grave, é uma pena. Os bilionários estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres, juízes exercendo política se esquecem de aplicar a lei e justiça enquanto pobres, brancos, negros, cristãos, ateus - todos - num só barco sem leme e sem direção.

Com a pandemia veio a tristeza do pai que não podem ver os filhos, filhos que não podem ver os pais; avós não podem abraçar os netos. Não podemos dar aquele aperto de mão, as crianças não podem ir à escola para ter o convívio tão essencial de outras crianças. Estamos isolados e inconsoláveis. A depressão bateu na porta daquela mãe que jamais pensávamos que algo a abalaria. Nunca se vendeu tanto remédio para ansiedade. Psicólogos e psiquiatras nunca foram tão requisitados. A vontade de provar o gosto amargo do álcool bateu no peito de muitos, o que é somente mais um gole para uma bomba relógio prestes a explodir. A fome voltou a bater na porta daqueles que já tinham esquecido o nome dela. FOME, cruel e danada que faz a mãe implorar para tentar saciar suas crias. Maldita fome.

Um ano se passou desde o início da pandemia e várias novas “drogas lícitas” são liberadas para uma noite de sono, para tentar dormir e acordar na esperança de que tudo era apenas um pesadelo. Mas não, os novos leitos dos hospitais não apareceram e o dinheiro ninguém vê e ninguém viu. O dinheiro está em algum lugar que não é o seu lugar de direito, o direito nosso adquirido através de tantos impostos que somos obrigados a pagar e não somos ressarcidos pelo poder público. Recebemos apenas migalhas que caem dos bolsos desses sanguessugas!

Aluguel, funcionários, IPTU, IPVA, impostos sobre vendas, impostos sobre compras, água, luz, escola dos filhos, cursos, vestimenta... Tudo faltando e o povo chorando por mais mortes, até quando? Até que os três tipos diferentes de calmante ou os quatro tipos de sonífero acabem? Ou até acabar o da ansiedade? Não sei e a vontade é de gritar, chorar, brigar. O bandido anda solto, o trabalhador está preso. A segunda-feira é sexta, sexta-feira é terça; dias sem fins. Estamos cada dia mais secos e a necrose por dentro chega à alma.

Desejo do fundo do meu coração que as vacinas venham fazer efeito, mas até lá vamos tentar aos poucos matar mais esse “leão por dia” - a tão cruel dor da fome! Eu sei que o pão nosso de cada dia não faltará, ao menos ainda creio que a fé nos anima. Que Deus em sua misericórdia venha fazer a Tua vontade. Oro para que possamos em breve nos abraçar, cantar, louvar, e dar aquele abraço apertado ou um simples aperto de mão.



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