10 de abril de 2021

Obituários

LUTO

Aos 43 anos, morre o músico Fausto Henrique de Oliveira

Fausto não resistiu após sofrer um mal súbito nesta quinta-feira, 25. A morte do músico, que atualmente trabalhava na Feac, gerou muita comoção nas redes sociais.

Obituários 26/03/2021
Lucas Faleiros
da Redação
Reprodução
Fausto Henrique de Oliveira
O músico Fausto Henrique de Oliveira, muito conhecido por ter tocado em várias bandas e em diversos eventos diferentes na cidade de Franca, morreu nesta quinta-feira, 25, aos 43 anos. Ele não resistiu após sofrer um ataque cardíaco.
 
Fausto era extremamente ligado ao mundo musical. Não à toa, era conhecido como o “Fausto do Trombone”, “do Saxofone” ou do “Bombardino”. Eram as notas musicais que moviam e orquestravam a sua vida. A sua morte, ocorrida de forma precoce e repentina, gerou grande comoção nas redes sociais.
 
O músico e representante comercial Rodrigo Kobal é amigo de infância e foi companheiro de banda do músico. Os dois participaram da criação da orquestra da escola João Marciano de Almeida. “Nos conhecemos ainda muito pequenos. A nossa história vem lá de trás. Nós estudávamos no João Marciano e o pessoal tinha a banda marcial. O Vitângelo, filho da diretora na época, era o maestro e reuniu as crianças para que a gente tivesse uma iniciação na música. Eu e Fausto fomos e a amizade se fez.”
 
Depois do fim da fanfarra do João Marciano, Rodrigo e o amigo migraram para a banda da escola Otávio Martins de Souza, onde permaneceram tocando juntos por muitos anos. Depois, o músico “bateu asas” e foi cursar música na faculdade. A formação só reafirmou seu talento, que ainda impressionaria muitas pessoas na cidade.
 
“A gente chegou a seguir caminhos diferentes, mas voltamos a nos encontrar no mundo musical. Depois disso, criamos um grupo chamado ‘Nó Na Gota’. Foram vários eventos, histórias e viagens. Juntamente, nós construímos uma amizade muito forte. Um carinho, um respeito pelo outro... e muita admiração pelas conquistas. Ele era muito especial e diferenciado”, lamenta Rodrigo.
 
Cristian Clayton Borges também conheceu “Faustinho”, como era carinhosamente chamado, nos tempos em que tocava na banda da escola João Marciano e, assim como Rodrigo, voltou a encontrá-lo na fanfarra da Otávio Martins. “A gente se conheceu lá. Só que, como eu também participava da orquestra do Sesi, não permaneci um período grande. Só fui o rever no Otávio Martins. Tocamos por muito tempo lá.”
 
Graças à música, Fausto e Cristian também se tornaram grandes amigos e parceiros. O maestro ressalta as qualidades do músico. “O talento dele era surpreendente. Desenvolveu-se muito e dominava bem os instrumentos. Era encantador. Sempre foi um cara muito divertido, presente, gente fina, sonhador e do bem. Era muito batalhador e sonhador. Vai fazer muita falta para nós. Estou muito triste com a partida dele. Vai ficar na nossa memória. O Fausto do Sax, do Trombone, do Bombardino...”
 
Nos caminhos da vida, o músico também conheceu o vereador Ilton Ferreira. A história deles, inclusive, é curiosa. No início, um passou seus ensinamentos ao outro. Mas, quiseram as partituras do destino que os papéis se invertessem. O aprendiz acabou se tornando formador de novos talentos.
 
“Ele foi meu aluno. O ensinei a tocar trombone de vara e passei várias dicas naquele começo. Só que o menino voou. Se destacou e foi fazer faculdade de música. Aprendeu a tocar vários instrumentos. Depois, alegrou várias festas e ensinou diversas pessoas no Projeto Guri, na banda do Pestalozzi e na rede pública de educação. Agora, era eu quem o chamava de mestre. Foi um grande instrutor. Um menino muito bom e que esbanjava um grande sorriso. É uma grande perda para a cidade.”
 
Trabalhando no Projeto Guri, Fausto conheceu outro grande companheiro, o músico e professor Rossini Xavier, com quem trabalhou por cerca de cinco anos no programa e em várias festas de casamento. Além disso, os dois se encontravam constantemente nos corredores de escolas públicas e nas rodas de choro da cidade. Para ele, falar do amigo soa como... música.
 
“É fácil falar do Faustinho. Um cara que trazia sempre uma alegria muito grande, era muito solícito e nunca deixava de defender aquilo que acreditava. Complicado é falar de sua rápida passagem por aqui. Ele era muito popular em vários nichos musicais. A cena musical da cidade está de luto.”
 
O maestro da Orquestra Sinfônica de Franca, Nazir Bittar, também admirava Fausto. Eles se conheceram em abril de 2008, quando foi participar de seu primeiro ensaio com o grupo. “Me apresentaram ele como o trombonista da orquestra. De cara, percebi sua simpatia. Lembro até que falei ‘nossa, trombone é um dos instrumentos que mais aprecio’ e ele ficou todo orgulhoso. Tocamos juntos até 2015.”
 
Com a convivência, o maestro conheceu os talentos e as virtudes do instrumentista. “Era muito especial. Um cara tranquilo, que falava manso, sempre sorridente e alegre. Solícito e disposto a ajudar. Fez arranjos e solos para a OSF e para a orquestra jovem, foi professor em vários lugares e era extremamente dinâmico na arte. Muito querido pelos músicos. A impressão é de que ele estava na Terra, mas não era daqui. Vibrava em uma energia diferente. Estou sentindo uma tristeza enorme. Deus escreve em suas linhas. Às vezes, nós não entendemos. Não é sempre que se encontra pessoas como o Fausto.”
 
Recentemente, o músico tinha começado a trabalhar na área da cultura da Feac (Fundação Esporte Arte Cultura). O presidente da entidade, Mateus Caetano, conta que o funcionário público era, além de empenhado, uma ótima pessoa. “A minha cabeça está até ruim por conta disso. Nós nos tornamos amigos quando ele começou a trabalhar com a gente, o que aconteceu no começo deste ano. Ele era muito dedicado, bacana, simpático e cativou todo mundo aqui. Vai fazer bastante falta.”
 
Fausto se casou há dois anos em uma cerimônia regada a música, como não poderia deixar de ser. Além de sua mulher, Andressa, os incontáveis amigos e vários admiradores, o músico deixa também uma filha.


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