10 de abril de 2021

Nossas Letras

Depois da lagarta

“Olhamos no espelho, e nos deparamos com uma versão modificada de nós mesmos. Uma versão mais adaptada, mais resiliente”.

Nossas Letras 27/03/2021
Isabel Crisol
Especial para o GCN
Estamos vivendo sob as circunstâncias de uma grande tribulação global no âmbito da saúde, e fomos induzidos, involuntariamente, de diversas maneiras, a nos adaptar.

Tenho amigas que adiaram o sonho da festa do casamento, planejada com tanto afinco. E que se casaram, de modo intimista, longe das centenas de convidados.

Tenho uma amiga que adiou o sonho de ser mãe. Tenho uma amiga que resolveu adiantar e engravidou.

Tenho uma amiga que trocou de emprego e também de casa. Outra, perdeu o seu emprego, e ainda não o resgatou.

Aqui, nos mudamos de cidade, duas vezes. Nos tornamos pais.

A grande maioria das pessoas, precisou de alguma forma, se reinventar diante dos últimos meses, do último ano.

De certa forma, nos afastamos dos encontros recheados de amigos ou familiares. Nos restringimos ao contato com responsabilidade. Entendemos um pouco mais sobre limites e limitações. Sentimos saudade. E valorizamos como nunca, aqueles que estão presentes em nossos dias.

Muito mais tempo passado em casa. Muito mais tempo vivido ao lado dos nossos. Muito mais dentro, do que fora. Seja da casa, ou seja de nós mesmos.

E não tem como não ter sentido de algum jeito, os impactos que foram trazidos até as nossas vidas, durante todos esses acontecimentos.

As reviravoltas. As perdas. Os ganhos. As oportunidades. O distanciamento. A presença.

Olhamos no espelho, e nos deparamos com uma versão modificada de nós mesmos. Uma versão mais adaptada, mais resiliente.

A metamorfose da borboleta, é explicada pelo processo de maturação da lagarta. Que acumula, ao longo de sua vida, as reservas nutritivas que serão necessárias para ela durante a fase da crisálida - o período de casulo.

Após atingir a maturidade, a borboleta liberta-se e se torna apta a voar, reproduzir e tantas outras habilidades, que em suas fases anteriores, imatura, não poderia realizar.

E, mais uma vez, a natureza nos deixa uma grande lição.

Os processos pelos quais viemos passando, nos exigem muito. E só depende de nós para que extraiamos a verdadeira lição de tudo isso. Que de pequeninas e indefesas lagartas, possamos alçar voos como verdadeiras magníficas borboletas.

Porque a metamorfose não é o fim para a lagarta; é o começo para a borboleta.



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