06 de maio de 2021

Opinião

Acreditar sem provas

Opinião 11/04/2021
Monsenhor José Geraldo Segantin
Especial para o GCN
            Hoje celebramos o segundo domingo da Páscoa. A célebre figura de Tomé ilumina os ensinamentos da Palavra de Deus. É chamado o Domingo da Divina Misericórdia.

            Primeira Leitura: Atos dos Apóstolos 4.

            Comecemos a explicação da leitura a partir da parte central, o v.33: “Com grande coragem os Apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus”. Em que consistia esta grande força?

            Não se tratava de milagres, a verdadeira prova que todos podiam constatar era outra: era a vida completamente nova da comunidade dos primeiros cristãos.

            Conforme a leitura deste dia, ela apresentava duas características extraordinárias, absolutamente inauditas: os seus membros tinham “um só coração e uma só alma” e “ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum”.

            Segunda Leitura: 1ª Carta de João 5.

            A segunda leitura de todo o período pascal deste ano é extraída da I Carta de João. O tema central desse texto maravilhoso é o amor ao irmão e poderia ser resumido numa frase que encontraremos dentro de alguns domingos: “Irmãos, amemo-nos uns aos outros, porque quem ama é gerado por Deus”.

            Não pode haver um fundamento mais sólido para o amor a todo ser humano do que o fato que todos somos filhos de um único Pai.

            Evangelho: João 20.

            O trecho de hoje está claramente dividido em duas partes que correspondem às aparições do Ressuscitado. Na primeira Jesus comunica aos discípulos o seu Espírito e com ele lhes dá o poder de vencer as forças do mal. Na segunda é relatado o famoso episódio de Tomé.

            Quando João escreve. Tomé já havia morrido há muito tempo: portanto, o episódio não é narrado para diminuir este apóstolo.

            Escolhe esse apóstolo como símbolo das dificuldades que todos os discípulos encontram para conseguir acreditar na ressurreição de Jesus.

            O que João quer dizer aos cristãos das suas comunidades é o seguinte: o Ressuscitado tem uma vida que não pode ser apalpada com as mãos e nem vista com os olhos. Só pode ser objeto da fé. Isto também vale para os apóstolos, embora tenham tido uma experiência única do Ressuscitado.

            Nós afirmamos: “Bem-aventurados os que viram”, Para Jesus, ao invés, bem-aventurados são aqueles que não viram.

            Felizes são eles porque têm uma fé mais genuína, mais pura, aliás, esta é a única fé pura. Aquele que vê tem a certeza da evidência, possui a prova irrefutável de um fato, não, porém a fé.

            Os discípulos se encontram reunidos em casa. O encontro ao qual João se refere é evidentemente aquele que acontece “no dia do Senhor”, aquele no qual, cada oito dias, a comunidade cristã é convocada para a celebração da Eucaristia. 



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