08 de maio de 2021

Nossas Letras

Excesso de produtividade e o 'dolce far niente'

“Estamos vivendo a era da superprodutividade. Para nos sentirmos úteis, produtivos, encontrar nosso lugar no mundo, precisamos estar ativos em todos os canais de informação (...)

Nossas Letras 17/04/2021
Marcela Crizol
Especial para o GCN
Uma das coisas mais significativas que os tempos de pandemia nos trouxe, foi o excesso de informações. Sejam elas verdadeiras ou falsas, discussões sobre política, saúde. Divergências constantes de opiniões. Ao mesmo tempo, instituições de ensino de todos os gêneros oferecendo cursos online, gratuitos, em condições especiais e de todos os jeitos. Canais no YouTube, Facebook, Instagram disponibilizando "lives", palestras, encontros. Aplicativos oferecendo salas de reuniões virtuais. Grupos em WhatsApp compartilhando todo tipo de informação embasadas ou não pela verdade. Tanta informação. Tanto conteúdo. Alguns que agregam verdadeiramente em nossas vidas, outros simplesmente rasos, superficiais. Tudo para preencher ao máximo possível o nosso tempo.

Me pergunto até que ponto tudo isso contribuiu para uma melhoria real na nossa qualidade de vida. Será que tanta informação é saudável?

Estamos vivendo a era da superprodutividade. Para nos sentirmos úteis, produtivos, encontrar nosso lugar no mundo, precisamos estar ativos em todos os canais de informação, de troca, realizando o nosso maior número de tarefas possíveis ao longo de nossos dias, porque atualmente, desacelerar é perder tempo.

Desfrutar do aqui, do agora, seja no trabalho, em casa, ou trânsito, de repente se tornou algo que nos gera ansiedade.

Se estamos conversando olho no olho, os celulares estão a postos ao nosso lado e o diálogo logo se torna vago, a partir do momento em que alguém é chamado a mergulhar no mundo virtual. Se estamos no trânsito, no sinal vermelho, ou estagnados em um engarrafamento, damos uma conferida nas mensagens. Se estamos desfrutando de um momento ao lado da natureza, as fotos e gravações de vídeos tomam grande parte do tempo. Quando foi que simplesmente deixamos de desfrutar verdadeiramente o presente? Quando foi que o ócio precisou a todo custo ser preenchido? Quando foi que as lacunas, os respiros do cotidiano, o descanso dos nossos dias precisaram ser preenchidos com tanto afinco?

Precisamos aceitar como normal novamente, a paz de espírito da desocupação. "il dolce far niente" - expressão italiana que nos fala sobre a doçura de não se fazer nada. O prazer dos momentos indolentes.

Precisamos diluir nossa superprodutividade ao longo do dia, nos momentos em que nos é exigido - apenas. Focar no que estamos fazendo aqui e agora, e simplesmente desfrutar do restante.

Você não precisa ler todas as notícias que chegam até você na velocidade em que chegam até você. Você não precisa compartilhar informação na velocidade em que recebe. Você não precisa absorver tanto conteúdo de forma desenfreada. Você não precisa de tantos cursos em horas vagas. Você não precisa responder as suas mensagens enquanto dirige.

Está tudo bem tirar o pé do acelerador e deixar a vida acontecer de forma mais orgânica.

Afinal, o momento "presente" não carrega esse nome à toa. Sirva-se!



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